CHANKECHAM
Presenta
em dominio pùblico
Incunàbulo
impresso com tipos talhados a mâo,
mas que
por motivos Alheos a vontade do autor
oferece-se deminuido,algo em tamanho e
muito en nitidez.
Eis aquì a musa de nome Virginia que
inspirou a obra toda de Chankecham
| livro | introito | C-I | C-II | C-III | C-IV | C-V | C-VI | C-VII | C-VIII | C-IX |
| C-X | C-XI | C-XII | C-XIII | C-XIV | C-XV | C-XVI | C-XVII | C-XVIII | C-XIX | C-XX |
Aquel que se sostem
na ponta dos pès,nâo guarda equilibrio.
Aquel
que força os seus passos,nâo chega longe.
Aquel
que se revela a sim mesmo,nâo è luminoso
Aquel
que se justifica em todo,nâo alcança longa fama
Aquel
que alardea do que tem,nâo merece credito.
Aquel
que se orgulhece dos seus feitos nâo è chefe entre os
homes.
Esto aos
olhos do TAO,chama-se :
As feces
e detritos da virtude.
Lao Tesèu.
Sirva
este precioso poema,de apresentasâo de aquesta obra
que,apos
de moito exforço e dedicaçâo,dou por concluida.
Neste
pequeno relato,pretendo lançar um brado de alerta,acerca
dos perigos
desta praga que nos assola e chama: Contaminaçâo.
Pretendo,com
este trabalho,deixar constància do perigo que representa
esta epidemia
para a sobrevivència dos seres humanos. Muito em especial
polas
taras que genera na alma dos homes e na sua cultura.
Entendo
eu que, "contaminaçâo" nâo è tam sô
ambiental.
È
por extensâo cultural. Na medida em que este livro contribuia
a liberar
o nôsso
povo e a sua cultura da mortal doença,è que o autor se
sentirà
com cresces
recompensado o seu exforço.
CHANKECHAM
CAPITULO I
Um dia
o homem da barba florida chegou a grande aldeia donde
moravam
os descendentes do mìtico Breogam. Era Brigàntium,
o que
ficava da antiga e nobre tribu dos Celtas de ocidente.
Em bem
chegando perguntou ao primeiro que atopou:
-Dime
homem,estou acaso na pàtria dos galegos,os que sâo
herdeiros
da tribu de Breogam?
Dime homem
do povo,por favor!
O homem
do povo ficou sorprendido por um instante,mais logo,
repondo-se
assim contestou:-Sim, eu sou cidadâo da que um dia foi
Brigàntium,
hoje chamada Galiza, o pais dos Celtas de acidente.
Que è
o que desejas demim? Que procuras? Fala e seràs
dignamente
atendido!
O homem da barba
florida falou entâo sosegado:
-Vejo
que eres um dos bons e generosos, pois quem tal nâo for assim
de outra
maneira me responderia. Prego-te que me indiques o caminho
que leva
ao penedo do Cèu.
Dime donde
fica e como atè ele chegarei!
De longe
venho para falar com o Cèu e acho-me como estranho em
terra
pàtria,jà que nada reconheço de meu,nem ìncola
tem que de
mim garde
memòria.
O homem do povo
nâo dudou das suas palavras e assim lhe respondeu:
-Homem
estranho de florida barba, que atè aquì chegou de algures,
eu
te direi
donde se atopa o penedo do Cèu. Atè ele te acompanharei,mas
nâo
ao cùmio,pois que jamais homem algum o galgou,quanto mais eu
que sou
um pobre homem do povo. Se tu eres capaz e consegues atingir
o cumeo,teràs
a dita de falar com o Cèu,de comunicar-te com o espiritu
de todo
o universo. Ti, mostraràs entâo que eres o que chega
de longe,
despois
de longa espera. Segue-me,pois no caminho estamos.
E forom os dous,o
homem do povo e o homem da barba florida.
Caminharom
longas jornadas de jantares pequenos atè que chegarom.
Entâo
o homem do povo assim falou:
-Aqui
te deixo,se chegas ao cumeo
entâo
poderàs falas com o Cèu. Que tenhas sorte,homem da barba
florida
e que Deus te proteja.
Dito esto o homem
do povo voltou polo mesmo carreiro que viera.
Entre
tanto o homem da barba florida trepava como um felino
polo penedo
escarpado atè chegar ao alto. E assim, sem mais,
foi como
o homem da barba florida chegou ao cume do penedo do
Cèu.
Jà no alto,ajoelhando-se e com os braços extendidos,
deste
jeito exclamou:
-Dime Oh Cèu
da minha pàtria e de todas as patrias do mundo!
Dime.
Como e donde acharei a justiça o amor e a paz!
Dito esto,um lòstrego,fendeu
as nuvens distantes e o Ceu tornou-se
preto
ao par que o trovâo rugia e ao longe,mui longe,ouviu-se umha
voz que
tâo sô o homem da barba florida entendia e que assim dizia:
-Caminha homem caminha,
atè achar a esfinge de Silvouta. Ela te
indicarà
o lugar e o vieiro que leva ao pais da felicidade,donde reina
a justiça,o
amor e a paz. Ela,tâo sô ela,a esfinge,pode ajudarte,
pois que
assim està escrito.Oh, homem da barba florida!!
Depois disto,voltou
a luz e a calmaria e o homem das floridas barbas
desceu
do penedo do Cèu e encamihou-se a procura da esfinge de
Silvouta.E
mentres caminhava,cansado ja de pès e de corpo,
encontrou-se
com umha pomba que,para seu pasmo assim lhe falou:
-Dime, homem da
barba florida! omo te chamas,qual o teu nome
e a donde
vas?
CAPITULO II
O homem da barba
florida,admirado de que umha pomba falara
como gente,pensou
para sim: Serà que as aves do Cèu falam ou è
que o
Cèu me otorgouo dom de entender a linguagem das aves do Cèu.
Seja o
que seja devo comportar-me como um homem,nâo me vou
pasmar
nem mostrar
indiferença.
Respondereia sua pergunta com
sinceridade
e sem mostrar surpresa,nâo seja que se espante e nâo mais
volte
a falar comigo. E assim foi como respondeu:
-Eu sou Tantotem,o
que todos conhecem qual tu me reconheceste,
como o
homemda barba florida e vou a procura do pais da felicidade,
que segundo
me falou o Cèu,tâo sô nele acharei a justiça,o
amor e a paz.
Mas ei
aqui que tâo sô a Esfinge de Silvouta me indicarà
o caminho para
là
chegar. Sabes ti ,Oh mensageira dos Ceus.donde encontrareì a
ditosa
Esfinge
de Silvouta? Dime,ti que percorres o Cèu e aterra toda como
mensageira
de amor e de paz,donde a podo atopar e qual
o caminho
a seguir? Dime,Oh agil avoadora!
-Nâo sei,meu
bom amigo,nem tenho memòria de ouvir falar
de tal
coisa. Sô me alembro, por falar algo,que mais dumha vez
escutei
falar aos mais velhos do pombal,que no fim da terra,acha-se
umha
aldeia que chamam Silvouta,quiçàs seja esse o lugar,mais
nâo
tenho
idea de como alà chegar,pois eu nunca saì deste palomar.
-Pra là entâo,encaminharei
meus passos,vendita pomba.
Mas dime:
Como sendo ti umha ave columbina,podes
entender
a linguagem dos homens? Como podes falar o meu
idioma?
como entendes a minha fala? Admirado me tens!
E a pomba
respondeu: -Nâo,eu nâo falo a tua lingua nem entendo
o
teu idioma.Ti eres quem entende a fala das palomas,por isso
eu posso
falar contigo
CAPITULO III
Dito esto a pomba
botou a voar e logo se perdeu no imenso
Cèu
azul.O homem da barba florida pensou para sim: Serà que o
Cèu
me otorgou o dom de comunicar-me com todas as criaturas
da naturaleza?
Vou provar com esta formiga que aos meus pès
anda bule
que bule.
-Dime formiguinha
amiga: Ti entendes o que eu falo?-
-Claro
que entendo,como nâo bou entender quando me falam como
falam
as formigas! Acaso sou eu umha saùva parva ou o que?
Tantotem ficou enlevado
e teimando com sigo mesmo disse:
-Esto
è um miragre,haber se esta florsinha tamèm me entende.
-Dime, Margarida
silvestre,ti sabes quem sou eu?-
-Sim que
sei,ti eres Tantotem,o que todo mundo canhece como ,
"O homem
da barba florida" Ti eres o amigo da natureza,de
todasas
criaturas da terra.Como nâo te vou a reconhecer sendo
ti,qual
eres,o nosso valedor,o bom e generoso amigo
de todos
os seres vivos.
Tantotem admirou-se
ainda mais e disse inconsciente
de que
toda a naturaleza o escutara.
-Sim de todos
os seres vivos, mas de que vale
a vida
sem justiça,sem amor e sem paz! Para que viver sem
felicidade.
A margarida,que sem querer escutou as dolentes
palavras
de Tantotem,estremeceu-se
de dor ao perceber
que
um ser tâo poderoso como o homem era infeliz,
assim
lhe perguntou:
-Que procuras,homem
da barba florida! Quais as tuas cuitas?
Fala que
eu na minha pequenize farei tudo quanto
puder
por ajudar-te.
-Busco a esfinge
de Silvouta,a que segundo o Cèu me disse,
hà
de indicar-me o caminho que leva ao pais da felicidade,
donde
todas as criaturas da naturaleza vivem em justiça,
em paz
e na pratica do amor. Mas ei aqui que eu nâo sei donde
achar
a tal esfinge. Quiças que seja por
esso que
o Cèu me otorgou o dom de
comunicar-me
com todos os seres vivos da
naturaleza,para
assim,com a sua ajuda,pode-la encontrar.
Abençoado
seja o Cèu,margarida,jà que por a sua bondade
posso
falar contigo e com as outras criaturas vivas! Agora que
sabes
qual è a minha teima dime: Sabes ti por casualidade
donde
achar a esfinge de Silvouta? Dime algo que
me ajude
nesta bùsqueda!
-Nâo
sei amiguinho Tantotem. Quam grato me seria
poder-te
ajudar! Mas eu sou umha simples margarida e nada
sei do
que procuras.Quiçà a avelha,que anda de flor em flor
te poida
dizer.-Grato te estou florsinha amiga.Irei correndo.
Atè
outra vegada!
-Vai em
boa hora amiguinho!
Pola terra
adiante foi o homem da barba florida a procura dumha
avelha
para lhe preguntar pola esfinge de Silvouta,mas de sùbito achou
um passarino
piadeiro e assim lhe falou:
-Dime ti,passarinho
de alasleves,se por acaso o sabes,
donde
posso atopar a esfinge de Silvouta?
E o pàssaro
assim respondeu:
-Nunca ouvì
falar de tal cousa! E esso que escutei de abondo
nesta
minha curta vida.Atè escutei dizer que ti eres Tantotem
e que
buscas o pais da felicidade. Sim,escutei muitas cousas,mais
disso
que me falas,em verdade que nunca ouvì falar.
-Pergunta
ao vento, ele pode saber.
Ati pergunto passarinho
amigo,porque ti percorres o Cèu pousado nas
alas do
vento e olhas a terra toda e parte do nosso mar.Nalgum lugar
por donde
passas tam que achar-se a esfinge de Silvouta,a que me hà
de indicar
do pais donde reina a justiça o amor e a paz.
-Dizes
bem amiguinho,em algures tem que estar,do mesmo jeito
que
um lugar donde jà estive em que conviviam todas as criaturas
em harmonia
com a naturaleza.Estes meus olhos o virom e se nâo
me
traiciona a memòria,chamava-se o pais de nimgures,mas è
impossivel
lembrar o lugar e o caminho que atè là conduze,pois
que o
retorno està supeditado ao esquecemento. Como ves nada
posso
fazer por ti companheiro.
Em dizendo esto,saiu
voando voando,
atè
que se perdeu na imensidâo do Cèu.
Tantotem ficou aflito
e deprimido,mas ainda assim,
continuou
a sua andaina.Teimar è o meu destino,assim
pensou
e achou consolo.Mas ei aqui que atopando-se com um
salta-montes
deu-se-lhe por perguntar e assim lhe falou:
CAPITULOV
Sabes ti pequenino
Saltamontes donde posso atopar a esfinge
de Silvouta?
-Nâo sei,homem
de floridas barbas. Eu aqui nascì,aqui vivo e
destes
campos nunca saì,por elo nâo posso saber nada a nâo
ser o
que por aqui tem ou o que escuto a quem passa e do que
me inquires
nunca ouvì falar.
Pergunta
aos meus companheiros,
talvez
algum escutou qualquer coisa.
-Bem dizes Saltâo
amigo,mas como posso eu,ir por aì perguntando
a tanto
salta-montes como tem espalhados polos nossos campos.
Nâo
è possivel. Mas para que fagas memòria,direi-te que o
que eu
busco
è o pais da felicidade,donde reina a justiça o amor e
a paz.
Esto sugere-te
algo?
-Tanto que me sugere!
Mais do que pensas! O que tu procuras è o
que ansejamos
todos os gafanhotos. Porende,ao que eu entendo,
esse pais
nâo pôde existir. Se existe è um lugar donde nâo
houver
humanos.
È impossivel,amigo meu,que donde homem viver haja
paz,justiça
e amor. De verdade te falo que isso è impensàvel e o
meu
conselho
è que desistas do empenho. Jà bem devias saber
que o
homem è por naturaleza ambicioso,egoista,hipòcrita e
mesquinho.E
isto nâo casa com a justiça,daì que nunca possa
viver
em paz nem na pràtica do amor. Por elo,repito è quimera
a existència
de um tal pais.
Quiças tenhas
razâo,porende è minha sina,por mandato do Cèu,
que procure
a esfinge de Silvouta,para que me indique o caminho
e o lugar
do ditoso pais. Pese a tudo,grato estou da tua sinceridade
e tem
por certo que memòria infinda guardarei da tua sapìència.
Bou perguntar
a esta abelha que anda a cata do nectar do Cèu.
Atè
outra Saltâo amigo.
-Vai em
boa-hora meu querido Tantotem!
Ei abelha laboriosa,que
percorres a terra toda e o Cèu na
bùsqueda
da doce flor,dime se o sabes: Donde è que podo
encontrar
a esfinge de Silvouta?
-Nâo,nâo
sei donde se acha tal coisa nem me importa. Eu
sô
me preocupo do meu labor,das flores e da colmeia.Tudo
o que
se relacione com os
humanos
arrèpia-me. Nâo merecem
de nôs
melhor estima que a que lhe oferecemos com o ferrâo
quando
os atopamos espoliando os nossos cortiços.Tu eres
um individuo
desses e eu com vossoutros nâo quero nada.
-Perdoa abelhinha
laboriosa,eu tamèm penso coma ti dos
meus semelhantes
e pos esso è que ando a procura do pais
da felicidade,donde
reina a justiça a paz e o amor. Repara
que como
ti,eu tamèm fujo dos que te depredam,por esso ando
a procura
da esfinge que me hà indicar o caminho. Sabes ti
acaso
donde a posso encontrar? Repara que là nesse lugar
ti e mais
eu poderemos morar em paz e confraternizar como
dous seres
que vivem em harmonia com a natureza. Là ,minha
amiga
nâo tem òdio,nem hà enveja,nem egoismo,nem
crueldade.Là
seremos dous e nada mais...
-Logo
ti eres Tantotem,de quem sempre ouvi falar bem e ao que
todos
conhecem como o homem da barba florida?
-Sim eu sou Tantotem
e atì apelo para que me indiques donde
achar
a esfinge de Silvouta.
-Homem bom,neno
grande,volto a dizer-te e agora com màgoa
que nâo
o sei. O que sim eu sei è que de existir esse pais do que
falas,nele
nâo tenhem lugar os humanos. Bem sabido è que
donde
os tais sujeitos poem o pê,jamais floresceu a justiça,
brotou
o amor ou se logrou a paz. Jamais dos jamaises!
Em tal dizendo a
abelha saiu voando a procura de outras
flores.
Tantotem olhou como flutuava no ar e pensou.
-Nâo
devo esmorecer,no caminho estou e caminharei!
Moito andou Tantotem
daquela feita,tanto que nâo resistiu
ao cansaço
e deu com o corpo no châo,donde as humildes
ervas
vegetam a ras da terra. Tantotem durmiu e durmiu,
atè
que umha delicada voz o inqueriu assim:
-Que te
aflige,homem de barba florida! Libèlula sou,entre
os seres
vivos talvez o mais insignificante,porende nâo o mais
insensivel
as cuitas das outras criaturas. Sou um cavalinho
injustamente
alcunhado do "Demo"que participa da dor dos
que sofrem.
Dime o que te aflige,que se eu posso remediar o
teu sofremento
farei tudo por te ajudar.
-Eu souTantotem,o
mais infeliz dos homens e ando na
bùsqueda
da esfinge de Silvouta,para que me indique o caminho
do pais
da felicidade. Mas nâo atopo entre todos os seres vivos,
nem um
sô que me indique donde està. Serà que ti o saves,
cavalinho?
-Eu nâo sei
amiguinho,o que sim sei è que num lugar como esse
nâo
pode entrar jamais homem algum,pois que donde a justiça
è
a norma
cotidiana
de vida,a paz o jeito de existir e o amor a
praxis
de convivència,nâo è possivel que um tipòrio
tal poida
entrar.Os
teus semelhantes sâo incapaces de praticar estas
tres virtudes.
Assim eu o creio. Pena que tu sejas um desses!
Ti pareces
um bom sujeito,diferente a todos quantos conhecì
atè
hoje,prova do que digo è que ti podes falar comigo que sou
umha libèlula,mas
nem assim te è permitido entrar no dito pais.
Porquè cavalinho
amigo? Acaso somos todos os humanos
indignos?
Por que uns sejam malvados,ainda sendo maioria,
hâo
de padecer os outros,umha minoria,as consequèncias?
Dime jà
libèlula amiga,què culpa tenhem os poucos homens
bons que
polo mundo ainda vâo,das iniquidades que cometem
a cotio
os malignos?
-Quiçà
seja,meu queridinho, por que o destino quando poe
os pês
na terra,nâo diferença a formiga da erva e aos dous
aplasta
no seu inexoràvel caminhar. Tu pertences a umha
espècie
capaz de criar cousas sem vida,das quais vos servides
quando
vos sâo ùtiles,mas logo ao perder aplicaçâo,delas
vos
despojades
sem missericòrdia nem consideraçâo. Repara que
ti mas
eu e todas as criaturas vivas,fomos geradas polo
imutàvel
artìfice do universo e que por elo os seus designios
sâo-nos
desconhecidos.Os seus actos obedecem a sua vontade
ou capricho
e nôs somos nada no meio do imenso infinito.
Que tem
de estranho entâo que as veces paguem justos por
pacadores,sendo
os bons arrastados pola mesma correnteza
que os
malvados e aos
parvos
ou inocentes espatifa o mesmo
que aos
impios? È triste mas assim è a lei natural.
Por certo
que agora ao falar de parvos,lembro-me que dumha
feita,passou
por este lugar ,tal dia como hoje,um home ao que
os seus
semelhantes acossavam e dele se mofavam,porque
tendo
idade e corpo de home,diziam que era como um neno,
como umha
criança e por esso nâo podia ser admitido entre
a gente.
Diziam entre eles que o tal sujeito tinha ideas virginais
e feitos
pueriles e que com um meco assim nada se podia fazer.
Tinha-no
por um bobo e aos berros o apregoavam os que o
enxotavam.
E a pobre criatura nâo tinha outra defensa que a
de fugir
dum lado para outro,verrando como um desvairado
para que
o deijaram em paz,que o que ele andava a buscar
era o
mundo da inocència. Gritava dolente que sô queria ir
para o
pais dos puros de coraçâo e bradejava como umha
ave ferida.
Daquele pobre home jamais tive noticia, Ao
melhor
achou o pais da inocència e là està feliz e contento
e nâo
deseja voltar jamais a este mìsero mundo,que tu,
segundo
o que me dizes tamèm desejas abandonar.
Amiguinho
meu,quem sabe se transformando-te num
neno grande,ou
num homem parvo,desses que os
teus
semelhantes tratam como a palhasos ou
patetas,nâo
atopas esse mundo de
felicidade
que tâo afanosamente procuras.
Nâo
pode ser esta umha idea afortunada?
Pensa
nisto.Oh homem da barba florida!
CAPITULO VIII
O homem
das floridas barbas,pensou e voltou a pensar,
atè
que decidiu converter-se num neno grande ou homem
parvo,que
dà no mesmo. Assim è que passou a viver como
umha criança
e a caminhar como um polichinela,mentres
procurava
o pais da felicidade. E falava a toa desta sorte:
-Aquele que enxergue
para o Cèu que feche os olhos. O
que olha
para a terra que entupa o coraçâo. A patria dos
humanos
nâo finda neste mundo e quem o dude que alce a
mâo.
Eu ergo o punho para esconjurar os dèspotas da
terra
em que fui nado.
-Digo
aos verros que a pàtria dos homens livres nâo tem
fronteiras
nem valos. Que è como um campo averto ao
sopro
da vida. Digo com a olhada perdida no horizonte,
aos vigiadores
que alviscarom a escada do Cèu,que os
que discutem
là no topo e decidem o destino das tribus
sâo
os deuses esquecidos.
Falo-vos
eu,companheiros,que ante Eles,nada valem as
nossas
preces,apesares de que a palavra brote da boca
como um
chorro de àgua a surgir da fonte do Bardo.
Ou tamèm,de
que todo lamento seja voz,assim como è
verbo
a fala do que nunca foi oràculo nem profeta mas
è
dizedor.
-Escutade,Oh
amigos! o brado do que sofre e clama no
deserto.
Auscultar,vos peço,o bruar do vento,o estrondo
do mar
e o hàlito da terra. Atendede,encostando o ouvido
no châo
e perceveredes o mugir dum coraçâo dolorido
que lateja
a ritmo dumha perpètua agonia. Espreitade
atentos,è
o meu rogo,atè que as trevas sejam varridas
por umha
alvorada de amor e de paz.
Assim ia bramando
o coitado de Tantotem,jà convertido
por vontade
pròpia,em neno grande ou homem parvo.
E com
tal lèria andando,ei aqui que se atopou com umha
râ
que lhe espetou na alma com o seu estridente croar,
esta primeira
e dolorosa pontada:
CAPITULO IX
Cala homem
parvo,cala,que jà ninguem deixa a umha
pobre
râ croar em paz. Serà que nâo tedes o bastante,
os humanos,com
a infâmia que cometèstedes com nôs,
os moradores
da grande lagoa,quando a dessecàstedes
e nâo
comformes,a pouca àgua que ficou a contaminades
à
toa? Serà que nâo è suficiente a desfeita cometida,que
ainda
ti,home de floridas barbas,andas a contaminar o
ambiente
com o ruido que fazes esbandalhando como
um idiota?
Deste jeito falou
a râ e o bondadoso Tantotem ficou
admirado
de que umha arrâ se achara molesta pola sua
alocuçâo
e rogou-lhe que o desculpara,prometendo nâo
abrir
a boca mentres estivera ao seu lado. Mas a râ
tamèm
se pasmou de que um humano lhe pedira
desculpas.Presa
de emoçâo,rogoulhe encarecidamente
que nâo
o tomara a mal,que nâo era sua intençâo ofender
a um inocente
e sim o queijar-se do espòlio dos homens
malvados.
E assim foi como
Tantotem e mais a râ travarom grande
amizade
e parolarom atè cansar. E dezia a râ paroleira:
-Dorada
època aquela em que os reies e os prìncipes
lavravam
os seus campos e podavam as suas vides e
depois,no
outono,com franciscana humildade,a pê descalço
pisavam
os racimos de uva nas velhas tinalhas de ràncio
carvalho,sempre
rodeados de amigos e vecinhos,nâo
vasalhos,em
ambiente de festa e olor a mosto e depois do
folgòrio,sair
ao campo a respirar o ar puro como as folerpas
da neve
e nadar nas charcas refrescantes e perfumadas como
a flor
do jasmim.
-Ditosa aquela idade
dourada,em que nâo havia mais guerras
que as
do amor,nem outros campos de batalha que os leitos
dos enamorados
e nâo tinha outra codìcia que a de aumentar
a conta
das boas acçâos. Em que a fraternidade era o pâo
nosso
de cada dia e a palavra inveja ainda nâo
fora inventada,sendo
que todos os homens viviam em contacto
com a
natureza espalhados polo campo e todos laboravam
as suas
terras com mimo e sosego.
-Feliz aquela era
em que as àguas buliam cristalinas e puras e
os humanos
ainda eram seres limpos e previsores,nâo como hoje
e
agora que a demais de sujos,sâo esquilmadores temeràrios
da
natureza
contaminando o seu entorno para nosso mal e sua
desgraça.
-Sim homem bom,para
sua perdiçâo,pois que a larga a terra
tornarà-se
inabitàvel para todos os seres vivos,como agora o
è
para nôs as criaturas da lagoa. Ê por isso que eu jà
nâo
parlengo
como noutros tempos! Eu sô me laio por nôs e por
todos
os seres da criaçâo,entre eles essa espècie a que
se
chama
humana!
-Bem dizes rânsinha
amiga e bem que razoas da incùria dos
meus semelhantes-Respondeu
Tantotem-e ponho por
testemunhas
as estrelas do Cêu,que um dia, nâo mui distante,
caro o
hâo de pagar.
Meu fasso
o teu lamento e aos Cêus o remito denunciando o
desleixo
com que os humanos tratam aos outros seres vivos
da naturaleza,nâo
respeitando nada nem a ninguem.
Certo
è râ paroleira,que os homens hâo de pagar bem caro
esta desfeita
que cometem com a naturaleza, Por esso è que
eu fujo
deste podrido mundo e ando a procura do pais da
felicidade,donde
reina a justiça o amor e a paz. E segundo
o Cèu
ma indicou,minha amiga,è a esfinge de Silvouta a que
me hà
de indicar o caminho para là chegar.
Mais ei
aqui que nâo sei donde atopar a esfinge. Se ti o sabes
diz-me-o,râ
amiga e obrigado te serei atè o fim da vida.
-Oh meu amiguinho
Tantotem! Alma de neno grande,se eu
o soubesse
como nâo te ia dizer? Mas eu nâo o sei e para o
teu mal,creio
que nengum ser vivo da terra o sabe. È por isto
que me
bou em boa-hora,antes de que me assolague o pranto.
Eu sou
mui sentimental sabes! Adeus...Atè outra!!
E assim se despidiu
a râ de Tantotem,entre falas lastimeiras
e tristonhas,como
duas criaturas que de hà tempo comungam
com o
mesmo ideal de amor a naturaleza...
Mentres,num
cantinho dum valo derruido,comentava um
lagarto
com a sua companheira a lagarta,dizendo:
-Lagartinha,olha
que homem de longa barba. Repara
como sâo
deformes os humanos,dâo risa,fixa-te bem,
eles crescem
para riba,nâo como nôs,que crescemos
para adiante.
E o mais ridìculo è que pensam que sâo
inteligentes
e assim è como lhes luze o pelo mais a barba.
Olha bem
e repara como parecem fantasmas andantes.
Sâo
bìpedes,criaturas inferiores e maglinas.
Temos
que ter muito cuidado com estes pernaltas
implumes.Chegam
a matar e destruir sô por prazer.
-Ai,lagartinho meu,dizia
a lagarta: Serà que este bìpede
ou pernalta,de
floridas barbas è um desses energùmenos
que andam
polo mundo a fazer o mal a todos os seres
vivos
da creaçâo? Repara,meu queridinho,que è sempre
perigoso
tentar ao "Demo" Maximo quando se apresenta
com aspecto
de homem. Lagartinho,fujamos de aqui antes
de que
nos dane!
-Nâo,minha
lagartinha querida,este exemplar nâo è como
os outros,este
è Tantotem,o home da barba florida,o neno
grande.
Eu o escutei quando falava com a râ
paroleira
e lhe dizia que fugia dos seus semelhantes,os
humanos,por
que eram funestos. Olha sô,vou chamar por ele.
Ei,amigo,homem
das floridas barbas,o que atende polo nome
de Tantotem,a
donde vas e por que passas de largo sem
reparar
em criaturas tâo pequeninhas como nôs somos.
Nôs
somos o que olhas. Uns lagartos miudos,em tamanho
natural,como
se fôssemos crocodilos enanos.Acaso nâo
somos
criaturas da naturaleza merecentes da tu atençâo?
Tantotem,pasmado
de ver a um lagarto em tais termos
expressar-se,desta
sorte lhe contestou:
-Vou a
procura da esfinge de Silvouta ,para que me indique
o caminho
que me hà de levar ao pais da felicidade,donde
reina
a justiça,a paz e o amor. Se nâo reparei em vosses
foi poque
estava distraido com a minha amiguinha a râ da
lagoa.Perdoade-me
amiguinhos lagartos,tende por certo
que nâo
estava no meu ànimo tal afrenta.
-Eu e mais a minha
lagarta perdoamos-te,mas ti tens que
escusar-me
a mim por tratar-te de parvo,pois queridinho,
sô
um parvo pode andar a busca do pais da felicidade.
Todas
as criaturas da terra sabemos de sobra,que donde
pisa pê
de home,esse depedrador sem entranhas,ao que
nôs
chamamos "bipede implume"è impossivel achar a
felicidade.
Ai, è
verdade,confirmou a lagartinha,interrompendo ao
seu companheiro.
E nâo digamos dos cachorros de home!
Esses
sâo crueis e perversos.
Lembras-te
meu lagarto,
daqueles
dous,que ainda ontem quase nos espatifam a
pedradas?
Sâo viles esses cachorros humanos! Como se
nasceram
com o estigma da maldade! Mas eu bem sei
polo que
è. È a corrupta sociedade na que se criam a
que os
perverte. Nâo è de estranhar entâo que quando
sâo
maiores,lhes seja impossivel praticar o bem,pensar
isso è
tolice e por elo è que pareces parvo,por andar a
procura
do que nâo existe no mundo dos humanos...
-Bem dizedes lagartinhos.
Eu sou o parvo mais parvo dos
parvos.Tal
è assim que atè as ervinhas do monte andam
a mormurar
de mim e dizem mormurando: "Ai do que vai
polo mundo
sonhando!" Sim meus amigos,tâo parvo sou
que ando
a sonhar com esse ditoso pais da felicidade.
Tamèm
eu,como vossoutros,detesto e aborreço o
comportamento
dos humanos,atè o ponto de que a sua
companhia
fai-se-me detestàvel. Sabede que,ainda sendo
parvo,bem
sei olhar como os humanos,empregam a
inteligència
para depredar a todo ser ou o someter ao
seu capricho.
Jamais para ajudar ao proximo. Diria-se
que sô
sâo felices quando tenhem a toda criatura sometida
ou escravizada.
Esto vos digo,meus queridinhos pra que
comprendades
a minha teima em buscar a esfinge e o por
què
da minha conduta. Eu por ser parvo,posso entender-me
com todas
as criaturas da naturaleza. A todos comprendo e
me comprendem,excepto
aos meus semelhantes,por ser-me
impossivel
ajuiçar os actos dos que se comportam como
alimanhas
superiores,dado que a minha mente nâo atinge
tâo
elevado grau de inteligència.
-E agora
que de tais cousas sodes sabedores,vades-me
ajudar
na bùsqueda da esfinge de Silvouta? Seredes meus
guias
nesta peregrinaçâo? Contar posso com vossoutros
para achar
o pais da felicidade?
-Nâo digas
mais, Tantotem amigo,que as tuas palavras
enchem-nos
de tristura. Nôs somos teus amigos e faremos
tudo quanto
esteja ao nosso alcance para ajudar-te,
perguntando
a todos os lagartos da terra pola esfinge de
Silvouta.
Se tiver-mos conhecimento dela està tranquilo
que nôs
te avisaremos. Vai em paz amigo Tantotem.
Que Deus
te guie!!
Foi andando,o homem
da baba florida,pola terra
adiante
e nesto atopou-se com umha andurinha e
lhe perguntou
como aos outros seres si sabia donde
estava
a esfinge de Silvouta.
-Dime,andurinha
voadora,se jà ouviste falar desse
pais misterioso,que
eu procuro e nâo sou capaz de achar?
Dime,amiguinha,se
com a tua ajuda ou de
outro
ser alado,posso atopar esse pais com que
ando a
sonhar?
E a andurinha,sensivel
as palavras de Tantotem,
respondeu
com melancòlico acento,assim de sincero
e deste
jeito:-Eu moro,desde sempre,entre os humanos
e a eles
dediquei todo o meu afecto,mais com tristeza e
dor confesso
que eu e todos os da minha espècie,estamos,
por sua
culpa,condenados a extinçâo. A desaparecer da
face da
terra,por que està sendo contaminada polos
homùnculos
que a dominam e nela nengum passarinho
poderà
sobreviver. Digo esto por que esse pais que ti
buscas
tambèm eu ando a procurar.Se o atopar jà te
comunicarei.
Se ti
fores o afortunado nâo te esqueças de mim.
Pobre andurinha,a
das alas ligeiras,que tamèm sofre
a incùria
dos humanos,dos pèrfidos seres superiores,
que nâo
a deixam aninhar em parte algumha!
-Eu acharei
o pais da felicidade e comigo te levarei pra
que poidas
viver alegre e contenta entre todos os seres
da criaçâo.
È a minha promesa,andurinha bem querida.
-Obrigada te serei
para todo o sempre,homem da barba
florida.
Em mim teràs por todo o tempo da vida a umha
amiga
fidel e companheira,parceira tua e de todos os
puros
que vivem confor-me a natura.
De sùbito
a andurinha lembrou que por donde o sol se
pôe,talvez
achara o vento "Mareiro"o qual lhe poderia
informar,jà
que o vento todo o palpa e olha.
-Lembro,amiguinho,que
là donde o sol se esconde tem um
mar imenso.Nele
podes encontrar o vento "Mareiro"que
de certo,se
puder te ajudarà na busqueda do que tanto
anelas.
Anda sempre cara donde o sol se pôe e acharàs
umha praia
donde as ondinhas venhem a procurar a paz.
Alì
è possivel que atopes resposta ao que buscas.
Em dizendo esto,a
andurinha sumiu no Cèu azul atè
perder-se
aos olhos do homem. Em tanto o da barba
florida
encaminhou os seus passos para donde o sol
afunda
e dorme o sono da noite dos humanos,andando
longas
jornadas atè que chagou a umha imensa plaia,
donde
as espumas do mar tem um findar feliz.
CAPITULO XII
Antes de chegar
ao mar,parou-se a falar com o
carvalho
da revolta,o que dizem em coplas que tem
a folha
revirada porque lha revirou o vento umha manhâ
de geada.
Mas ei aqui que ao parecer nâo foi assim,senâo
moi outra
a història,segundo o que lhe disse a Tantotem o
ditoso
àrvore.
-Eu sou o carvalho
da revolta,è verdade,o que tem a folha
revirada,como
dizem em trovas os teus semelhantes,mas
nâo
polo que eles relatam e sim pola sua incùria. Os teus
semelhantes
embrutecidos pola cobiça,apestam o ar e
contaminam
a terra que nos sustenta e dà vida.
Os que
sâo da tua espècie,corrompem as àguas que tanto
necessitamos
e agora cae por nôs umha mortal chuvia
àcida
que apodrece o nosso cerne e mùstia as folhas
e as retorce
como folerpas. Bem podes ti olhar como è
verdade
o que digo e falso o que andam a tagarelar
por aì.Se
fosse a geada,logo brotariam outras folhas
mais fermosas.Porem
nâo e assim,è o veneno da
atmosfera
o que nos vai matando aos poucos e tudo por
culpa
dos humanos,esses depredadores
irresponsàveis
que nâo atinam com o mal que
fazem
para si e para nôs.
Esta è
a negra verdade,homem de barba florida,a crua
verdade.A
de que todos sofremos por culpa dos teus afins.
Dizendo esto,o velho
carvalho,caeu em prantos e triste
ficou
Tantotem,sendo entâo maior oseu convencimento
de que
os homens nâo eram dignos de conviver com os
demais
seres da naturaleza e continuo o seu caminho
atè
o mar. Jà na praia,o primeiro que fez foi descansar,
tombando-se
na mole areia e assim ficou por moito
tempo,atè
que as ondas bulideiras o despertarom
com suas
mornas carìcias e ledas palabras que a
jeito
de mormùrio assim lhe deziam:
CAPITULO XIII
Neno grande,ao que
tamèm chamam Tantotem,aquel que procuras vem atràs
de nôs.Ele
è o que nos empurra,nôs somos o froito do seu ìmpetu
e aqui estamos
aos teus
pès.Fala homem bom.Diz o que desejas saber do pai das ondinhas
do mar?
Que è
o que te assanha.O que reina nas àguas e com o seu alento dà
frescor a terra
e ao ar
pureza,se puder hà de ajudar-te.Diz-nos a nôs,as ondinhas
do mar oceano.
Tantotem comocionou-se
com tanto agarimo e por uns instantes sentiu a carìcia
do amor
e da felicidade,mas foi por um interim,jà que logo viu com seus
olhos o
triste
fim das que tâo docemente falavam,que era morrer sorrindo aos
seus pès.
Entâo
voltando a realidade da vida e dirigindo a sua fala ao vento Mareiro
desta
guisa se expressou:
Ho vento do mar
Mareiro,ati apelo para que me assistas na bùsqueda da felicidade.
Eu te
imploro para que despejes as negras nuvens que me empanam o vieiro
e me
confundem,nesta
longa caminhada a procura da esfinge de Silvouta.
Ajuda
a este pobre mortal,que fuge dos seus porque este povo tem ouvidos mas
nâo
ouve e
olhos que nâo vêem. Porque os seus concidadans,tenhem endurecido
o coraçâo
e fizeron-se
àsperos de orelha e fechados de miras,nâo fora que enxergaram
seus feitos
perversos
ou escutaram a sua fala corrompida e entâo comprenderam de coraçâo
estas
palvras e disistiram de tanta imundize.
Ajuda,Oh
ventinho bem feitor,a este que clama numha terra donde nâo tem
um sô
sensato
ou justo que atenda a sua palavra.A voz que clama sem ira mas com pena,
pois que
se dôi de contemplar um povo possuido dum espiritu aparvado,com
entendedeiras
que nâo se enteram das suas misèrias,
jà
que sâo orelhudos para tâo sô escutar gabanças.
Ajuda a este triste,que
em tamanha pocilga se acha,rodeado de esterco por todas
as bandas,a
causa da incùria dos que sem o mais mìnimo de vergonha,tenhem
por
a maior
honra o subornar ao primeiro adulador de turno ou a qualquer poeta
de
varato,aos
que mercam as suas alabanças,para escutar sem rubor mas com prazer
o que
nâo è outra cousa que a voz da cretinice e a opiniom dos
corruptos.
Desses que deambulam
entre a bosta como "macacos vestidos de pùrpura ou como
asnos
disfarzados com a pele do leâo"Ajuda-me,Oh ventinho amigo,com
o teu sopro
vivificante,limpando
esta atmosfera pestilente que todo o infecta e corrompe.
Ajuda-me,com
teu alento purificador,a encontrar o caminho que me leve atè
a
esfinge
de Silvouta,a que me hà de indicar o lugar donde està
o pais da felicidade.
Dito esto,aos seus
pès,estourou gozosa de vida,umha ondina do mar oceano,com a
face cheia
de espumas,como se quiser ocultar a infinda tristura que lhe causaram
as palavras
de Tantotem e disse:
-Homem parvo ou
neno grande,o rei dos mares,o poderoso vento Mareiro manda-
me dizer-te
que sendo ti umha criatura que pertence ao mundo dos seres vivos nâo
pode valerte,jà
que o vento è um elemento e por elo nâo pode dirigir-se
a ti sem
destruirte.Roga-me
que te explique que ele è doutra sustància e que eu sou
quem
te indicarà
o lugar que procuras.Mas olha no que finda o meu vâo intento
de vida,em
morrer docemente aos teus pès.Volta outro dia e gozaràs
comigo
da flor
da vida.-
Assim falou a ondina
e logo desfez-se em espumas.Tantotem ficou como enlevado,
sem nada
entender,nem do que olhava nem do que ouvia.Todo parecia um sonho
e à
ensonhaçâo convidava a hora do sol-pôr.
O vento Mareiro
nada podia fazer por Tantotem,em nada o podia ajudar,posto
que ele
era um ser vivo e o vento era outra cousa,todo energia,invisivel e
impalpàvel.
Acharei
a esfinge sem a sua ajuda,pensou.E mentras caminhava entre chousas
e
searas
desta sorte se laiava:
Patria eu nâo
tenho como outros tenhem de seu. Tenho madrasta que
repùdia
a quem nâo pertence a grei dos que de tanto se apoucar,converteu-se
num povo
de imbèciles adoradores de toda caste de chupistas.Assim è
que
tal dia
como hoje,dei por maditar que melhor me fora empregar o tempo
em outros
mesteres que nâo este que me apaixona e que è:
denunciar
as manhas dos manhosos e abafar a estulticia dos ladinos.
Melhor
me seria,digo,o dedicar-me a captar orvalho,pendura-lo num altar
e ficar
a sôs com ele,tâo isolado que nem os anjos tivessem ideia
do meu
passo
pola face da terra.
Mas,ei
aqui que nâo tenho azos para tal cousa fazer e por elo ma atopei
com
os que
nâo me buscavam e me manifestei aos que nunca perguntarom por
mim.
E a todos
falei assim:Nâo me importa que a raiola de sol brinque na floresta,
mas sim
me doe olhar a alvorada cangada de cadeias.Homens forom os que
tais ultrajes
fizerom,os mesmos que tanto se afanam cuidando o que se
guarda
nos cofres.Os que sentindo fame de
glòria,remexerom
na fossa cheirenta
das suas
vidas e acharom a paga da venta larpeira da pàtria
Tal dia como hoje,meus
amiguinhos,num cantinho da memòria,surgiu umha
idea tola
que me fez meditar.E tanto foi o que meditei que cheguei a conclusâo
que melhor
me seria folgar que nas cousas deste mundo teimar.
Mas ei
aqui que quando no alto do monte ouvia o lobo,a raposa treme e esconde
o rabo.Entâo
ajuizo:Nâo tem a palavra mais mistèrio do que melodia
tem o
ladrido
dum câm e là donde a calandra arrula,nunca faltou umha
alimanha
para dar
conta do recado.Dirâo muitos que estas sâo vaguidades e que
todo
o que
soa è sempre iluçâo.Porende,eu escutei um dia o
lamento da pedra e
andando
o tempo,olhei as espumas alvas clamar ao Cèu,
A umha mòmia
ouvi um dia falar:Companheiros,seres vivos da terra donde
nascim,nâo
me fazer caso,pois o que vou a dizer nâo agrada ao ouvido,mas
como nâo
sei exercer de mudo,devo comunicarvos o que pensa um sandeu:
Alguem
a pàtria dos homens vendeu e se uns poucos o de todos venderom,
entâo
eu pàtria nâo tenho.
Assim falou a mòmia
e digo eu como quem nâo disse nada que ante a
contaminaçâo
que nos assola,corrompendo-o todo,desde a linguagem
atè
o ar que respiramos,digo que o pais enteiro è um pranto infindo
do
qual o
meu laio è tâo sô um misero eco.
CAPITULO XV
E assim ia Tantotem,dolente
terra a diante,atè que se achou com um
passarinho
que tem fama de ser o mais excelente dos trinadores,o ruisenhol
e assim
lhe falou:
Dime passarinho
amigo,sabes por acaso donde se atopa a esfinge de Silvouta?
-Nâo homem
bom,eu nâo sei rem do que me perguntas,
se o soubera
bem que te indicaria o lugar,mas nada sei!
Ai reusinhol canoro,quanto
ma apena que nâo o
sepas!
Seria tâo feliz se o soubeses e mo disseras com essa tua voz celestial.
Seria
tâo ditoso se um ser assim de puro,me indicara o caminho! Ho
rousinhol
amigo,nunca
me cansarei de abençoar ao criador de todas as cousas,por botar
no mundo
a criaturas como ti,tâo pequeninas,pero tâo puras,tâo
humildes e
tâo
naturais! Que jamais se vendem nem se apoucam ante o egoismo ou a
ambiçâo
do medre e por elo nâo trocam a sua fala nem a sua voz,nem a
sua
melodia,como
fazem os meus semelhantes,que ante o aplauso ou o peso do
dinheiro
se abaixam e trocam de lingua
como se
de plumas se tratara.
-Triste
tem que ser a vida dos humanos que a tal ponto estâo corrompidos
polo egoismo.
O que me dizes,neno grande,demostra que as suas almas estâo
contaminadas
como este regato,de àguas um dia cristalinas e hoje infecto e
pestilente.
Tal poder tem de corrupçâo o sudre que verte umha sociedade
cainista,regida
polo apetite do lucro e do engorde!
Pobre de nos,meu
amiguinho roxinol! Assim como dices è,por elo è que
ando
a procura
da esfinge,a que me hà de indicar o caminho do pais da felicidade,
donde
reina a justiça,a paz e o amor. Aqui nesta terra minha,nâo
acho senâo
a hipocresia
e a mentira,atè o ponto que somos irmans
tâo
sô por comodidade ou conveniència,jà que ninguem
crê na fraternidade
nem no
amor,nem na bondade e sim no que lhe convem.
Utilizando
a fala ou o idioma,como um arte de dominar os uns aos outros
e nâo
como um veìculo de comunicaçâo fraterno.
Nâo,os
meus concidadâos usam umha lingua alheia,que è a do poder,
para deste
jeito obter as prevendas que os amos outorgam a quem bem os serve,
A vez
que ti e todas as aves do cèu,usades o vosso canto,em forma
de linguagem.
para loar
a naturaleza,agradar os ouvidos de quem quer ouvir e comunicar-vos
os uns
com os outros.Seguirei,passarinho amigo,o meu caminho
atè
achar o que procuro-
-Vai com
Deus amiguinho!!
Tantotem seguiu
entâo o seu signo,que era caminhar e caminhou atè
chegar
a um campo donde a toupeira estava atarefada com o seu trabalho.
Em olhando
tanta lavoriosidade a flor da terra admirou-se e pensou:
Ai tem
que haver umha criatura lavoriosa e de bom natural.Vou perguntar:
Quem anda
aì? Pode -me atender um momentinho o ser que tanto se afana
em remover
a terra e bater um papo comigo,mentras colho folgos para
continuar
a minha andaina?
Dito esto a terra
mole e hùmeda polo orvalho,parou de mover-se e deixou-se
ouvir
entâo umha voz estranha que dezia:
-Eu sou a toupeira
e estou no meu lavor.Quem è essa criatura que se apouca
para falar
com umha insignificante toupa?
Eu sou Tantotem,o
homem da barba florida,o que anda a procura do pais da
felicidade
donde reina a justiça,a paz e o amor.Por isso estou a na busca
da
esfinge
de Silvouta,que me hà de indicar o lugar.Sabes ti donde està?
-Eu nâo posso saber tal cousa amigo
meu.Como pode umha toupeira saber o
que è ou donde se acha o que chamas
esfinge se nâo pode olhar a luz do dia?
Nôs as toupas,como è sabido,trocamos
os olhos polo rabo e agora sô podemos
viver no escuro.E sabes que sou muito feliz!
Se tiver olhos para què os queria?
Para olhar misèria e imundize! Acaso
nâo foi jà escrito que,"impossivel era
viver num mundo que nâo veremos transformado?"Se
isso for certo,para que
ter olhos? Para què enxergar? Nâo
serà acaso este mundo de trevas no que eu
vivo,esse lugar que ti procuras e chamas
o pais da felicidade?Donde segundo
tu mesmo dizes reina a justiça,a paz
e o amor?
Quem sabe se nâo tens razâo toupeira amiga!
Ao fim e ao cabo ti nâo sofres
como eu sofro o ter que olhar qual eu olho
com estes olhos meus,como entre
os meus semelhantes nâo se acha nem
um siquer que seja justo.Nem um tâo sô
que seja sensato. Ter que ver com màgoa
que todos se extraviarom,que
juntamente se perderom,poia jà nâo
hà quem fago o bem. Nem tam siquer
um sô.Olhar que "como um sarcòfago
è a gorja de cadaquem,que com as
suas linguas tecem dobras,posto que veneno
de vìboras hà nos seua làbios
em tal quantidade que as suas bocas estouram
de maldiçâo e amargura"
Sim toupeira amiga,ti nâo tens que
mirar o como se comportam os humanos,
"Ligeiros de pês para verter o sangue
dos seus irmâos e como sô misèria e
sofremento deixam no seu caminho. E ver que
nâo encontram vieiro de paz!
Nem temor que se lhes ponha por diante! Pois
sâo insensatos e nâo fâo outra
cousa jamais do que enganar ao seu proximo.
E observar que estâo pensando
continuamente na maneira de induzir os outrs
ao erro e que de feito quase
sempre encontram um jeito exitoso de o fazer."
Oh,amiguinha toupeira,ti tens de certo
grande sorte de nâo ter olhos para
ver tanta tristura!
-E ti eres um palerma,-atalhou-no a toupeira-por
pretender achar um mundo
melhordo que este em que as toupeiras vivemos.
Donde acharàs maior
felicidade do que neste pais meu. Si fechas
os olhos a toda a podredume
que te arrodea,podes alcançar a mais
outa felicidade,como nôs as toupeiras
atingimos. Repara tambèm nos teus
concidadâos.Eles nâo trocarom os olhos
polo rabo,como nôs,mais sustituirom
a fala rustica dos seus antergos pola
delicada voz dos que vivem de rentas.
-Eles nâo sâo pailans como ti,pero
sâo finos e felizes quanto eu sou e nâo
como eres ti,um infeliz,que por cultivar
o idioma dos antigos perdes-te pola
boca.Se pôs em dùvida o que
digo,pergunta-lhes,escùlcaos e veràs o que è
a verdade. Este è o melhor mundo possivel.
Agora vai em boa-hora
e deija-me com o meu lavor.
CAPITULO XVII
Dito esto,a toupeira
continuou a sua lavoura e deixou a Tantotem
com as
suas teimas.Este continuou o seu caminho pola terra anda que
anda com
suas porfias,atè que umha laverca andadeira atravessou-se-lhe
no caminho
e assim lhe falou:
-Ti eres Tantotem
o homem das barbas floridas,porquè estas tâo apenado?
Dime homem,eu
sou umha laverca e sei de moitas cousas,fala ho!
E Tantotem admirado
do aspecto da laverca e de sua disposiçâo,assim lhe
falou:Dizes
bem laverquinha.Eu sou esse mesmo e ando a procura da esfinge
de Silvouta,a
que me hà de indicar donde està o pais da felicidade.
Sabes
ti como a podo achar?
-Nâo queridinho,eu
sô sei das cousas deste mundo,nâo do outro.E polo que
me falas,ti
buscas um lugar que nâo pode achar-se neste mundo nosso
senâo
eu bem o saberia!
È deste mundo,que
assim me o disse o Cèu. Disse-me que procurasse a
esfinge,que
ela me indicaria o caminho do pais da felicidade,donde reina
a justiça,o
amor e a paz.
-Pois
insisto que nâo è deste mundo e admirado me tens com a
tua serraçâo.
Mais viver
para ver e mais maravilhada estarei se contas o porquè dessa
teimosia.
Conto oh! E porque
nâo! No pais da felicidade reina a justiça,a paz e o
amor
e aquì,nesta
minha terra nâo acho senâo a injustiça. De tal
jeito que aos
poderosos
lhes è permitido fazer todo quanto for do seu agrado por perverso
que seja
impunemente,sendo-lhe todo factivel,desde a traiçâo ao
assassinato
e a tortura,ainda que seja de menores inocentes,com tal de
que se
consiga o exito ou o triunfo.E todo com o aplauso do povo,como
para confirmar
o que jà foi escrito:
"El deu
vista aos cegos,ouvido aos
surdos,fez
andar aos paralìticos,curou aos leprosos e ressucistou aos
mortos,mais
aos estùpidos,a esses,nâo os pudo curar" E agora tantos
sâo
que enchem o mundo,Tantos que nâo acho lugar nesta terra
para mim.
Entendes agora?
-Clarisimo! Como
nâo vou a entender! Ti fuges dos teus porque no
mundo
jà nâo tem mais justiça e fai-se para ti a vida
nele impossivel.
Porende
esso nâo è novo para mim,isso è tâo velho
como o mundo.Ti falas
assim
poque nâo eres umha laverca como eu sou,se foras como eu jà
outra
seria
a tua opiniâo. Repara sô na minha vida.Que è a
minha existència e
o que
posso esperar deste mundo,donde todo està debaixo da pezunha
do
homem,os
teus semelhantes!
-Que posso
aguardar a nâo ser o mal? E nâo entanto estou mui a gosto
aquì,nesta
terra e isso porque eu nâo tenho fè nem creio na justiça,nem
me preocupa
se tenho pàtria ou nâo. Eu sô me preocupo de fugir
da boca
das feras,de
nâo ser atrapada pola fùria do lume,de escapar ao fio da
espada
e de nâo pegar doença que comigo acabe.
-Isso
è o que me preocupa e nâo a liberdade da pàtria.
Câ ,nâo saberei eu
bem que
a liberdade dos humanos,com ou sem justiça,nâo è
outra cousa
que libertinagem.È
mais,donde sô hà liberdade,nâo tem justiça.
Repara
na selva.Ai
è a liberdade. A de o forte devorar ao
devil
impunemente e aos poderosos ou astutos,
dar-se
a viver de pança cheia a custa dos fracos e torpes.
-Acaso
nâo saberà esta laverca,que a perfidia e a força,forom
os nervos
que conformarom
o mundo.Que a razâo para os humanos è loucura,a
liberdade
desordem,a igualdade anarquia,o humanismo quimera e o
apelar
aos direitos naturais rebeliâo? Nâo saberei eu que a justiça
dos
homens
è um refinado arte de espoliar e avassalar as maiorias em
proveito
das minorias privilegiadas e que as leis sâo um meio de
converter
este crime numha regra de santa conduta?
-Diras-e
a mim,que tenho por glòria o dia que posso folgar com papo
cheio!
Diras-me a mim homem!
Admirado me tens,laverca
amiga,com teus razoamentos subtis e
irrefutaveis
para mim,pola preciçâo com que os expos!
Nâo
posso senâo ficar pasmado da tua pericia pera ajuizar o
mundo
e o comportamento dos humanos. De verdade que em todo
quanto
dizes estou de acordo e essa è a razâo que me impele a buscar
o ditoso
pais da felicidade.Reino ou repùblica donde impera a eterna
justiça,em
estado de igualdade e liberdade. Nesse pais,laverquinha
amiga,acharei
a paz e a felicidade!
-Pode que assim
seja,nâo o discuto,Tantotem amigo,mas insisto
em que
se eu nâo conheço esse lugar aqui na terra,è porque
o tal
sitio
està no alèm!!
CAPITULO XVIII
Em tal dizendo,largou
a correr,como è natural numha laverca
e sumiu
entre umha moita de codesos. Tantotem,entâo seguiu o seu
caminho
anda que te anda,atè que atopou com umha raposa,tâo ligeira
de pês
como de ideas e com ala entabulou esta conversa e deste jeito:
Dime raposinha amiga,sabes
por acaso donde posso atopar a esfinge
que hà
tanto tempo busco e se chama a de Silvouta?
-Nâo sei,homem
de longa barba.Nâo sei donde se encontra tal coisa,
nem sei
o que isso possa ser!
O que è indicao
o nome,alem disso eu tamèm nâo sei nada. Sô sei
que
por mandato
do Cèu ela me hà de indicar o caminho que leva ao pais
da felicidade.
-Ui,neno grande!
O pais da felicidade è este donde estamos. Ao menos
no meu
entender,pois nâo creio que exista no mundo um lugar mais
feliz
do que este.
Ti bromeas amiguinha!
Ti estas de chalaça,por algo eres umha zorra
e estas-te
a mofar de mim.
-Nâo,eu
nâo me burlo de ti nem de nimguem. Eu digo o que ouviste
por que,de
todos os lugares que andei,jamais vi um pais tâo satisfeito
como este
no que moramos,ti como humano,eu como vicho. Se tu nâo
o entendes
assim,serà por que tens olhos para nâo olhar e ouvidos
para nâo
ouvir. Senâo,como nâo te sentirias ti feliz entre os teus,
que bem
se vê sâo os seres mais ditosos da criaçâo.
Olha atentamente
e repara
como os teus semelhantes desfrutam elevando a categoria de
bem
feitores da que chamas pàtria,aos maires pederastas do povo.
Aos que
ti detestas! Vai por Deus!
Como vas
a ser feliz se nâo te adaptas aos usos dos teus concidadâos
e assim
viver sumptuosamente num
estado
de consumismo,donde o grande idolo,
tamem
chamado o Bezerro de ouro,è capaz de embaucar
a todo
um povo que jà foi viril,mais que agora goza com o travestismo
dumha
fala alhea,deixando para os pandorcas como ti,aquel
"ronco
sôm"dos vossos ancestros.
Como pretendes
ser ditoso ti que te revoltas contra da "castraçâo e
doma"a
que està sometido o teu povo. Ti que combates com sanha
mas sem
glòria,a sodomizaçâo que tanto prazer dà
aos castratis de
melosa
voz!,Ti que nâo ejerces de lambe-ànus do dominador,nem
te
abaixas
como um bufâo!
Està
claro,hominho,que se nâo te sometes,nunca seràs feliz
nesta terra,
mas se
fazes como os listos e sabidos dos teus paisanos. Se como eles
te deixas
seducir polo canto melieiro dumha fala finòria e marota,
podes
ter por certo que logo seràs o homem mais feliz do mundo.
Bem dizia eu que
estavas a burlarte de mim,pois se bem dices grades
verdades,tamèm
demostras com tuas argùcias que eres umha zorra
a que
nâo posso fazer caso. Podes crer que antes prefiro a morte,a
converter-me
num farrapo de gente como a que tu me insinuas co a
tua làbia.
-Se nâo me
faz caso è cousa tua,mas,aseguro-te que sempre seràs
um infeliz,condenado
a viver procurando o que nâo existe. E ainda
te direi
mais: Se o tal pais da felicidade existir,nâo è possivel
que
possa
entrar nele homem algum,pois nâo tem nem um digno
e moito
menos os patetas como ti!
CAPITULO XIX
Depois
do dito,a raposa desapareceu por entre umha moita
de silvas
tâo grande,que coroava um alto penedo,mostrando
com sua
agreste beleza a visocidade da terra,mas ei aquì
que o
acaso fez que Tantotem reparase numha criatura que
em forma
de borboleta pousava num cacho de amoras.
Era umha
esfinge,mariposa que frequenta ao lusco-fusco
as matas
e chouzas que invadem a nossa terra.
Alì estava
no cùmio do grande penedo,com seu aspecto tètrico,
ostentando
no dorso o signo da morte que è a caveira.
Olhando
esto,Tantotem estremeceu de medo e tiritando como
umha vara
verde assim lhe preguntou: Eres ti por acaso a
esfinge
de Silvouta?
-Sìm,eu sou
a esfinge de Silvouta,tambèm conhecida polo nome
cientìfico
de "esfinge da caveira" Agora dime:Quem te envia?
O que
desejas de mim? Fala homem de floridas barbas! Diz
logo o
que tenhas que dizer! Eu nâo posso perder o tempo!
O Cèu
è quem me manda ante ti,para que me indiques donde
se acha
o pais da felicidade,donde reina a justiça,o amor e a
paz. Segundo
me foi dito ,ti eres quèm me hà de indicar o
caminho
ou a maneira de atè là chagar. Dime entâo esfinge
misteriosa!
-Nâo è
preciso dizer,jà que bem a vista està neste meu lombo
o seu
sìmbolo.Porende,como vens de parte de quem tem o
poder,direite
o que anseias em poucas palavras: O pais da
felicidade
encontra-se no alèm,no lugar sem retorno.
Tambèm
te direi que para chegar a essa paragem,tem
mil caminhos
mais um.Os mil primeiros sâo incertos ,
mas o
ultimo sim que è certo. E sô esperar e nada mais!
CAPITULO XX
Sivelina foi
a resposta,que a maneira dum trepidante zumbido,
deu a
esfinge a Tantotem. E em tal dizendo,saiu voando como se
de umha
criatura de outro mundo se tratara e sumiu entre essa
nèvoa
vaporosa que envolve com o seu manto a alma entristecida
de todo
um povo e sua bendita terra.
Tantotem ficou tâo
pasmado que por bastante tempo nâo soube
o que
dizer,nem o que pensar,nem que caminho seguir. Sô quando
o vento
Mareiro com o seu sopro vivificante lhe refrescou a
memòria
com umha tenra caricia è que voltou ao mundo da
realidade,desenlevando-se
do extase em que se achava.
Jà
sosegado,continuou a sua peregrinagem e mentras
caminhava
obsorto com os seus pensamentos,sem o
pretender,por
acaso,assim de sùbito,atopou-se com um
ser humano,com
um semelhante a si. Em vendo-o,
maravilhou-se
tanto,que nâo acrditava no que olhava.
Tâo
longe estava a sua mente da realidade,que nâo
imaginava
que pudera existir homem algum
sobre
a face da terra.
Porem,o
tal humano tinha aspecto de homem bom e
pacifico
e nâo de energùmeno,assim que Tantotem,calmo jà
desta
sorte lhe falou. Dime homem! Quem eres,que lugar è este?
Por amor
de Deus ,dime donde estou? Hà tanto tempo que erro
sozinho,pola
terra adiante,sem contacto com gente algumha,
que jà
nâo sei nem quem sou nem donde me acho!
-Sim que te direi
companheiro.Ti eres Tantotem,o que todo
mundo
conhece como o homem das barbas floridas e eu sou um
teu Samarua
e esta è a agra da Esperança. Aquì podes sobreviver
tranquilo,arrodeado
de Samaruas que estâo na tarefa de construir
esse pais
de felicidade que tanto procuraste inutilmente...
FIM