DESDE SANTIAGO DE COMPOSTELA

PARA O MUNDO

CHANKECHAM
Presenta em dominio pùblico
 
Incunàbulo impresso com tipos talhados a mâo,
mas que por motivos Alheos a vontade do autor
oferece-se
deminuido,algo em tamanho e muito en nitidez.
     
Eis aquì a musa de nome Virginia que
inspirou a obra toda de Chankecham


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Este livro foi impresso com tipos talhados a mâo, por o autor.
Os gravados e as orlas tambèm è labor de chankecham.Contem
setenta e cinco pàginas de testo e multiples gravados em
branco e negro.

Bibliotecas donde se pode consultar este livro:Ambrosiana-Perugia-Vaticana-Sao Paulo  Harvard-Cambrige-Oxforde-Tubimgen-N-de-France
Gulbenkian-Coimbra- N-de-Portugal-Leuven-Sorbonne N-de-Espanha-Compostela-K V K

Introito
 


Aquel que se sostem na ponta dos pès,nâo guarda equilibrio.
Aquel que força os seus passos,nâo chega longe.
Aquel que se revela a sim mesmo,nâo è luminoso
Aquel que se justifica em todo,nâo alcança longa fama
Aquel que alardea do que tem,nâo merece credito.
Aquel que se orgulhece dos seus feitos nâo è chefe entre os homes.
Esto aos olhos do TAO,chama-se :
As feces e detritos da virtude.
                                                              Lao  Tesèu.
Sirva este precioso poema,de apresentasâo de aquesta obra
que,apos de moito exforço e dedicaçâo,dou por concluida.
 

Neste pequeno relato,pretendo lançar um brado de alerta,acerca
dos perigos desta praga que nos assola e chama: Contaminaçâo.
Pretendo,com este trabalho,deixar constància do perigo que representa
esta epidemia para a sobrevivència dos seres humanos. Muito em especial
polas taras que genera na alma dos homes e na sua cultura.
Entendo eu que, "contaminaçâo" nâo è tam sô ambiental.
È por extensâo cultural. Na medida em que este livro contribuia a liberar
o nôsso povo e a sua cultura da mortal doença,è que o autor se sentirà
com cresces recompensado o seu exforço.
                                                                             CHANKECHAM

CAPITULO I
 
Um dia o homem da barba florida chegou a grande aldeia donde
moravam os descendentes do mìtico Breogam. Era Brigàntium,
o que ficava da antiga e nobre tribu dos Celtas de ocidente.
Em bem chegando perguntou ao primeiro que atopou:
-Dime homem,estou acaso na pàtria dos galegos,os que sâo
herdeiros da tribu de Breogam?
 
Dime homem do povo,por favor!
O homem do povo ficou sorprendido por um instante,mais logo,
repondo-se assim contestou:-Sim, eu sou cidadâo da que um dia foi
Brigàntium, hoje chamada Galiza, o pais dos Celtas de acidente.
Que è o que desejas demim? Que procuras? Fala e seràs
dignamente atendido!

O homem da barba florida falou entâo sosegado:
-Vejo que eres um dos bons e generosos, pois quem tal nâo for assim
de outra maneira me responderia. Prego-te que me indiques o caminho
que leva ao penedo do Cèu.
Dime donde fica e como atè ele chegarei!
De longe venho para falar com o Cèu e acho-me como estranho em
terra pàtria,jà que nada reconheço de meu,nem ìncola tem que de
mim garde memòria.

O homem do povo nâo dudou das suas palavras e assim lhe respondeu:
-Homem estranho de florida barba, que atè aquì chegou de algures, eu
te direi donde se atopa o penedo do Cèu. Atè ele te acompanharei,mas
nâo ao cùmio,pois que jamais homem algum o galgou,quanto mais eu
que sou um pobre homem do povo. Se tu eres capaz e consegues atingir
o cumeo,teràs a dita de falar com o Cèu,de comunicar-te com o espiritu
de todo o universo. Ti, mostraràs entâo que eres o que chega de longe,
despois de longa espera. Segue-me,pois no caminho estamos.

E forom os dous,o homem do povo e o homem da barba florida.
Caminharom longas jornadas de jantares pequenos atè que chegarom.
Entâo o homem do povo assim falou:
 
-Aqui te deixo,se chegas ao cumeo
entâo poderàs falas com o Cèu. Que tenhas sorte,homem da barba
florida e que Deus te proteja.

Dito esto o homem do povo voltou polo mesmo carreiro que viera.
Entre tanto o homem da barba florida trepava como um felino
polo penedo escarpado atè chegar ao alto. E assim, sem mais,
foi como o homem da barba florida chegou ao cume do penedo do
Cèu. Jà no alto,ajoelhando-se e com os braços extendidos,
deste jeito exclamou:

-Dime Oh Cèu da minha pàtria e de todas as patrias do mundo!
Dime. Como e donde  acharei a justiça o amor e a paz!

Dito esto,um lòstrego,fendeu as nuvens distantes e o Ceu tornou-se
preto ao par que o trovâo rugia e ao longe,mui longe,ouviu-se umha
voz que tâo sô o homem da barba florida entendia e que assim dizia:

-Caminha homem caminha, atè achar a esfinge de Silvouta. Ela te
indicarà o lugar e o vieiro que leva ao pais da felicidade,donde reina
a justiça,o amor e a paz. Ela,tâo sô ela,a esfinge,pode ajudarte,
pois que assim està escrito.Oh, homem da barba florida!!

Depois disto,voltou a luz e a calmaria e o homem das floridas barbas
desceu do penedo do Cèu e encamihou-se a procura da esfinge de
Silvouta.E mentres caminhava,cansado ja de pès e de corpo,
encontrou-se com umha pomba que,para seu pasmo assim lhe falou:

-Dime, homem da barba florida! omo te chamas,qual o teu nome
e a donde vas?

 
CAPITULO II

O homem da barba florida,admirado de que umha pomba falara
como gente,pensou para sim: Serà que as aves do Cèu falam ou è
que o Cèu me otorgouo dom de entender a linguagem das aves do Cèu.
Seja o que seja devo comportar-me como um homem,nâo me vou
pasmar nem mostrar
 
indiferença. Respondereia sua pergunta com
sinceridade e sem mostrar surpresa,nâo seja que se espante e nâo mais
 volte a falar comigo. E assim foi como respondeu:

-Eu sou Tantotem,o que todos conhecem qual tu me reconheceste,
como o homemda barba florida e vou a procura do pais da felicidade,
que segundo me falou o Cèu,tâo sô nele acharei a justiça,o amor e a paz.
Mas ei aqui que tâo sô a Esfinge de Silvouta me indicarà o caminho para
 là chegar. Sabes ti ,Oh mensageira dos Ceus.donde encontrareì a ditosa
Esfinge de Silvouta? Dime,ti que percorres o Cèu e aterra toda como
 mensageira de amor e de paz,donde a podo atopar e qual
o caminho a seguir? Dime,Oh agil avoadora!

-Nâo sei,meu bom amigo,nem tenho memòria de ouvir falar
de tal coisa. Sô me alembro, por falar algo,que mais dumha vez
escutei falar aos mais velhos do pombal,que no fim da terra,acha-se
 umha aldeia que chamam Silvouta,quiçàs seja esse o lugar,mais nâo
 tenho idea de como alà chegar,pois eu nunca saì deste palomar.

-Pra là entâo,encaminharei meus passos,vendita pomba.
Mas dime: Como sendo ti umha ave columbina,podes
entender a linguagem dos homens? Como podes falar o meu
idioma? como entendes a minha fala? Admirado me tens!
E a pomba respondeu: -Nâo,eu nâo falo a tua lingua nem entendo
 o teu idioma.Ti eres quem entende a fala das palomas,por isso
eu posso falar contigo

 
CAPITULO III

Dito esto a pomba botou a voar e logo se perdeu no imenso
Cèu azul.O homem da barba florida pensou para sim: Serà que o
Cèu me otorgou o dom de comunicar-me com todas as criaturas
da naturaleza? Vou provar com esta formiga que aos meus pès
anda bule que bule.

-Dime formiguinha amiga: Ti entendes o que eu falo?-
 
-Claro que entendo,como nâo bou entender quando me falam como
falam as formigas! Acaso sou eu umha saùva parva ou o que?

Tantotem ficou enlevado e teimando com sigo mesmo disse:
-Esto è um miragre,haber se esta florsinha tamèm me entende.

-Dime, Margarida silvestre,ti sabes quem sou eu?-
-Sim que sei,ti eres Tantotem,o que todo mundo canhece como ,
"O homem da barba florida" Ti eres o amigo da natureza,de
todasas criaturas da terra.Como nâo te vou a reconhecer sendo
ti,qual eres,o nosso valedor,o bom e generoso amigo
de todos os seres vivos.

Tantotem admirou-se ainda mais e disse inconsciente
de que toda a naturaleza o escutara.

 -Sim de todos os seres vivos, mas de que vale
a vida sem justiça,sem amor e sem paz! Para que viver sem
felicidade. A margarida,que sem querer escutou as dolentes
 palavras
de Tantotem,estremeceu-se de dor ao perceber
 que um ser tâo poderoso como o homem era infeliz,
assim lhe perguntou:

-Que procuras,homem da barba florida! Quais as tuas cuitas?
Fala que eu na minha pequenize farei tudo quanto
puder por ajudar-te.

-Busco a esfinge de Silvouta,a que segundo o Cèu me disse,
hà de indicar-me o caminho que leva ao pais da felicidade,
donde todas as criaturas da naturaleza vivem em justiça,
em paz e na pratica do amor. Mas ei aqui que eu nâo sei donde
achar a tal esfinge. Quiças que seja por
 
esso que o Cèu me otorgou o dom de
comunicar-me com todos os seres vivos da
naturaleza,para assim,com a sua ajuda,pode-la encontrar.
Abençoado seja o Cèu,margarida,jà que por a sua bondade
posso falar contigo e com as outras criaturas vivas! Agora que
sabes qual è a minha teima dime: Sabes ti por casualidade
donde achar a esfinge de Silvouta? Dime algo que
me ajude nesta bùsqueda!
-Nâo sei amiguinho Tantotem. Quam grato me seria
poder-te ajudar! Mas eu sou umha simples margarida e nada
sei do que procuras.Quiçà a avelha,que anda de flor em flor
te poida dizer.-Grato te estou florsinha amiga.Irei correndo.
Atè outra vegada!
-Vai em boa hora amiguinho!
Pola terra adiante foi o homem da barba florida a procura dumha
avelha para lhe preguntar pola esfinge de Silvouta,mas de sùbito achou
um passarino piadeiro e assim lhe falou:


 
CAPITULO IV

-Dime ti,passarinho de alasleves,se por acaso o sabes,
donde posso atopar a esfinge de Silvouta?
E o pàssaro assim respondeu:

 -Nunca ouvì falar de tal cousa! E esso que escutei de abondo
nesta minha curta vida.Atè escutei dizer que ti eres Tantotem
e que buscas o pais da felicidade. Sim,escutei muitas cousas,mais
disso que me falas,em verdade que nunca ouvì falar.
-Pergunta ao vento, ele pode saber.

Ati pergunto passarinho amigo,porque ti percorres o Cèu pousado nas
alas do vento e olhas a terra toda e parte do nosso mar.Nalgum lugar
por donde passas tam que achar-se a esfinge de Silvouta,a que me hà
de indicar do pais donde reina a justiça o amor e a paz.
 
-Dizes bem amiguinho,em algures tem que estar,do mesmo jeito
 que um lugar donde jà estive em que conviviam todas as criaturas
em harmonia com a naturaleza.Estes meus olhos o virom e se nâo
 me traiciona a memòria,chamava-se o pais de nimgures,mas è
impossivel lembrar o lugar e o caminho que atè là conduze,pois
que o retorno està supeditado ao esquecemento. Como ves nada
 posso fazer por ti companheiro.

Em dizendo esto,saiu voando voando,
atè que se perdeu na imensidâo do Cèu.

Tantotem ficou aflito e deprimido,mas ainda assim,
continuou a sua andaina.Teimar è o meu destino,assim
pensou e achou consolo.Mas ei aqui que atopando-se com um
salta-montes deu-se-lhe por perguntar e assim lhe falou:

CAPITULOV
 

Sabes ti pequenino Saltamontes donde posso atopar a esfinge
de Silvouta?

-Nâo sei,homem de floridas barbas. Eu aqui nascì,aqui vivo e
destes campos nunca saì,por elo nâo posso saber nada a nâo
ser o que por aqui tem ou o que escuto a quem passa e do que
me inquires nunca ouvì falar.
 
Pergunta aos meus companheiros,
talvez algum escutou qualquer coisa.

-Bem dizes Saltâo amigo,mas como posso eu,ir por aì perguntando
a tanto salta-montes como tem espalhados polos nossos campos.
Nâo è possivel. Mas para que fagas memòria,direi-te que o que eu
busco è o pais da felicidade,donde reina a justiça o amor e a paz.
Esto sugere-te algo?

-Tanto que me sugere! Mais do que pensas! O que tu procuras è o
que ansejamos todos os gafanhotos. Porende,ao que eu entendo,
esse pais nâo pôde existir. Se existe è um lugar donde nâo houver
humanos. È impossivel,amigo meu,que donde homem viver haja
paz,justiça e amor. De verdade te falo que isso è impensàvel e o meu
 
conselho è que desistas do empenho. Jà bem devias saber
que o homem è por naturaleza ambicioso,egoista,hipòcrita e
mesquinho.E isto nâo casa com a justiça,daì que nunca possa
viver em paz nem na pràtica do amor. Por elo,repito è quimera
a existència de um tal pais.

Quiças tenhas razâo,porende è minha sina,por mandato do Cèu,
que procure a esfinge de Silvouta,para que me indique o caminho
e o lugar do ditoso pais. Pese a tudo,grato estou da tua sinceridade
e tem por certo que memòria infinda guardarei da tua sapìència.
Bou perguntar a esta abelha que anda a cata do nectar do Cèu.
Atè outra Saltâo amigo.
-Vai em boa-hora meu querido Tantotem!

CAPITULO VI

Ei abelha laboriosa,que percorres a terra toda e o Cèu na
bùsqueda da doce flor,dime se o sabes: Donde è que podo
encontrar a esfinge de Silvouta?

-Nâo,nâo sei donde se acha tal coisa nem me importa. Eu
sô me preocupo do meu labor,das flores e da colmeia.Tudo
o que se relacione com os
 
humanos arrèpia-me. Nâo merecem
de nôs melhor estima que a que lhe oferecemos com o ferrâo
quando os atopamos espoliando os nossos cortiços.Tu eres
um individuo desses e eu com vossoutros nâo quero nada.

-Perdoa abelhinha laboriosa,eu tamèm penso coma ti dos
meus semelhantes e pos esso è que ando a procura do pais
da felicidade,donde reina a justiça a paz e o amor. Repara
que como ti,eu tamèm fujo dos que te depredam,por esso ando
a procura da esfinge que me hà indicar o caminho. Sabes ti
acaso donde a posso encontrar? Repara que là nesse lugar
ti e mais eu poderemos morar em paz e confraternizar como
dous seres que vivem em harmonia com a natureza. Là ,minha
amiga nâo tem òdio,nem hà enveja,nem egoismo,nem
 
crueldade.Là seremos dous e nada mais...
-Logo ti eres Tantotem,de quem sempre ouvi falar bem e ao que
todos conhecem como o homem da barba florida?

-Sim eu sou Tantotem e atì apelo para que me indiques donde
achar a esfinge de Silvouta.

-Homem bom,neno grande,volto a dizer-te e agora com màgoa
que nâo o sei. O que sim eu sei è que de existir esse pais do que
falas,nele nâo tenhem lugar os humanos. Bem sabido è que
donde os tais sujeitos poem o pê,jamais floresceu a justiça,
brotou o amor ou se logrou a paz. Jamais dos jamaises!

Em tal dizendo a abelha saiu voando a procura de outras
flores. Tantotem olhou como flutuava no ar e pensou.
-Nâo devo esmorecer,no caminho estou e caminharei!

CAPITULO VII

Moito andou Tantotem daquela feita,tanto que nâo resistiu
ao cansaço e deu com o corpo no châo,donde as humildes
ervas vegetam a ras da terra. Tantotem durmiu e durmiu,
atè que umha delicada voz o inqueriu assim:
 
-Que te aflige,homem de barba florida! Libèlula sou,entre
os seres vivos talvez o mais insignificante,porende nâo o mais
insensivel as cuitas das outras criaturas. Sou um cavalinho
injustamente alcunhado do "Demo"que participa da dor dos
que sofrem. Dime o que te aflige,que se eu posso remediar o
teu sofremento farei tudo por te ajudar.

-Eu souTantotem,o mais infeliz dos homens e ando na
bùsqueda da esfinge de Silvouta,para que me indique o caminho
do pais da felicidade. Mas nâo atopo entre todos os seres vivos,
nem um sô que me indique donde està. Serà que ti o saves,
cavalinho?

-Eu nâo sei amiguinho,o que sim sei è que num lugar como esse
nâo pode entrar jamais homem algum,pois que donde a justiça
è a norma
 
cotidiana de vida,a paz o jeito de existir e o amor a
praxis de convivència,nâo è possivel que um tipòrio tal poida
entrar.Os teus semelhantes sâo incapaces de praticar estas
tres virtudes. Assim eu o creio. Pena que tu sejas um desses!
Ti pareces um bom sujeito,diferente a todos quantos conhecì
atè hoje,prova do que digo è que ti podes falar comigo que sou
umha libèlula,mas nem assim te è permitido entrar no dito pais.

Porquè cavalinho amigo? Acaso somos todos os humanos
indignos? Por que uns sejam malvados,ainda sendo maioria,
hâo de padecer os outros,umha minoria,as consequèncias?
Dime jà libèlula amiga,què culpa tenhem os poucos homens
bons que polo mundo ainda vâo,das iniquidades que cometem
a cotio os malignos?

-Quiçà seja,meu queridinho, por que o destino quando poe
os pês na terra,nâo diferença a formiga da erva e aos dous
aplasta no seu inexoràvel caminhar. Tu pertences a umha
espècie capaz de criar cousas sem vida,das quais vos servides
quando vos sâo ùtiles,mas logo ao perder aplicaçâo,delas vos
despojades sem missericòrdia nem consideraçâo. Repara que
ti mas eu e todas as criaturas vivas,fomos geradas polo
imutàvel artìfice do universo e que por elo os seus designios
sâo-nos desconhecidos.Os seus actos obedecem a sua vontade
ou capricho e nôs somos nada no meio do imenso infinito.
Que tem de estranho entâo que as veces paguem justos por
pacadores,sendo os bons arrastados pola mesma correnteza
que os malvados e aos
 
parvos ou inocentes espatifa o mesmo
que aos impios? È triste mas assim è a lei natural.
Por certo que agora ao falar de parvos,lembro-me que dumha
feita,passou por este lugar ,tal dia como hoje,um home ao que
os seus semelhantes acossavam e dele se mofavam,porque
tendo idade e corpo de home,diziam que era como um neno,
como umha criança e por esso nâo podia ser admitido entre
a gente. Diziam entre eles que o tal sujeito tinha ideas virginais
e feitos pueriles e que com um meco assim nada se podia fazer.
Tinha-no por um bobo e aos berros o apregoavam os que o
enxotavam. E a pobre criatura nâo tinha outra defensa que a
de fugir dum lado para outro,verrando como um desvairado
para que o deijaram em paz,que o que ele andava a buscar
era o mundo da inocència. Gritava dolente que sô queria ir
para o pais dos puros de coraçâo e bradejava como umha
ave ferida. Daquele pobre home jamais tive noticia, Ao
melhor achou o pais da inocència e là està feliz e contento
e nâo deseja voltar jamais a este mìsero mundo,que tu,
segundo o que me dizes tamèm desejas abandonar.
Amiguinho meu,quem sabe se transformando-te num
neno grande,ou num homem parvo,desses que os
teus  semelhantes tratam como a palhasos ou
patetas,nâo atopas esse  mundo de
felicidade que tâo afanosamente procuras.
Nâo pode ser esta umha idea afortunada?
Pensa nisto.Oh homem da barba florida!

 
CAPITULO VIII
O homem das floridas barbas,pensou e voltou a pensar,
atè que decidiu converter-se num neno grande ou homem
parvo,que dà no mesmo. Assim è que passou a viver como
umha criança e a caminhar como um polichinela,mentres
procurava o pais da felicidade. E falava a toa desta sorte:

-Aquele que enxergue para o Cèu que feche os olhos. O
que olha para a terra que entupa o coraçâo. A patria dos
humanos nâo finda neste mundo e quem o dude que alce a
 mâo. Eu ergo o punho para esconjurar os dèspotas da
terra em que fui nado.
-Digo aos verros que a pàtria dos homens livres nâo tem
fronteiras nem valos. Que è como um campo averto ao
sopro da vida. Digo com a olhada perdida no horizonte,
aos vigiadores que alviscarom a escada do Cèu,que os
que discutem là no topo e decidem o destino das tribus
sâo os deuses esquecidos.
Falo-vos eu,companheiros,que ante Eles,nada valem as
nossas preces,apesares de que a palavra brote da boca
como um chorro de àgua a surgir da fonte do Bardo.
 
Ou tamèm,de que todo lamento seja voz,assim como è
verbo a fala do que nunca foi oràculo nem profeta mas
è dizedor.
-Escutade,Oh amigos! o brado do que sofre e clama no
deserto. Auscultar,vos peço,o bruar do vento,o estrondo
do mar e o hàlito da terra. Atendede,encostando o ouvido
no châo e perceveredes o mugir dum coraçâo dolorido
que lateja a ritmo dumha perpètua agonia. Espreitade
atentos,è o meu rogo,atè que as trevas sejam varridas
por umha alvorada de amor e de paz.

Assim ia bramando o coitado de Tantotem,jà convertido
por vontade pròpia,em neno grande ou homem parvo.
E com tal lèria andando,ei aqui que se atopou com umha
râ que lhe espetou na alma com o seu estridente croar,
esta primeira e dolorosa pontada:

 
CAPITULO IX
Cala homem parvo,cala,que jà ninguem deixa a umha
pobre râ croar em paz. Serà que nâo tedes o bastante,
os humanos,com a infâmia que cometèstedes com nôs,
os moradores da grande lagoa,quando a dessecàstedes
e nâo comformes,a pouca àgua que ficou a contaminades
à toa? Serà que nâo è suficiente a desfeita cometida,que
ainda ti,home de floridas barbas,andas a contaminar o
ambiente com o ruido que fazes esbandalhando como
um idiota?

Deste jeito falou a râ e o bondadoso Tantotem ficou
admirado de que umha arrâ se achara molesta pola sua
alocuçâo e rogou-lhe que o desculpara,prometendo nâo
abrir a boca mentres estivera ao seu lado. Mas a râ
tamèm se pasmou de que um humano lhe pedira
desculpas.Presa de emoçâo,rogoulhe encarecidamente
que nâo o tomara a mal,que nâo era sua intençâo ofender
a um inocente e sim o queijar-se do espòlio dos homens
malvados.

E assim foi como Tantotem e mais a râ travarom grande
amizade e parolarom atè cansar. E dezia a râ paroleira:
 
-Dorada època aquela em que os reies e os prìncipes
lavravam os seus campos e podavam as suas vides e
depois,no outono,com franciscana humildade,a pê descalço
pisavam os racimos de uva nas velhas tinalhas de ràncio
carvalho,sempre rodeados de amigos e vecinhos,nâo
vasalhos,em ambiente de festa e olor a mosto e depois do
folgòrio,sair ao campo a respirar o ar puro como as folerpas
da neve e nadar nas charcas refrescantes e perfumadas como
a flor do jasmim.

-Ditosa aquela idade dourada,em que nâo havia mais guerras
que as do amor,nem outros campos de batalha que os leitos
dos enamorados e nâo tinha outra codìcia que a de aumentar
a conta das boas acçâos. Em que a fraternidade era o pâo
nosso de cada dia e a palavra inveja ainda nâo
 
fora inventada,sendo que todos os homens viviam em contacto
com a natureza espalhados polo campo e todos laboravam
as suas terras com mimo e sosego.

-Feliz aquela era em que as àguas buliam cristalinas e puras e
os humanos ainda eram seres limpos e previsores,nâo como hoje
 e agora que a demais de sujos,sâo esquilmadores temeràrios da
natureza contaminando o seu entorno para nosso mal e sua
desgraça.

-Sim homem bom,para sua perdiçâo,pois que a larga a terra
tornarà-se inabitàvel para todos os seres vivos,como agora o
è para nôs as criaturas da lagoa. Ê por isso que eu jà nâo
parlengo como noutros tempos! Eu sô me laio por nôs e por
todos os seres da criaçâo,entre eles essa espècie a que se
chama humana!

-Bem dizes rânsinha amiga e bem que razoas da incùria dos
meus semelhantes-Respondeu Tantotem-e ponho por
testemunhas as estrelas do Cêu,que um dia, nâo mui distante,
caro o hâo de pagar.
Meu fasso o teu lamento e aos Cêus o remito denunciando o
desleixo com que os humanos tratam aos outros seres vivos
da naturaleza,nâo respeitando nada nem a ninguem.
Certo è râ paroleira,que os homens hâo de pagar bem caro
esta desfeita que cometem com a naturaleza, Por esso è que
eu fujo deste podrido mundo e ando a procura do pais da
felicidade,donde reina a justiça o amor e a paz. E segundo
o Cèu ma indicou,minha amiga,è a esfinge de Silvouta a que
me hà de indicar o caminho para là chegar.
 
Mais ei aqui que nâo sei donde atopar a esfinge. Se ti o sabes
diz-me-o,râ amiga e obrigado te serei atè o fim da vida.

-Oh meu amiguinho Tantotem! Alma de neno grande,se eu
o soubesse como nâo te ia dizer? Mas eu nâo o sei e para o
teu mal,creio que nengum ser vivo da terra o sabe. È por isto
que me bou em boa-hora,antes de que me assolague o pranto.
Eu sou mui sentimental sabes! Adeus...Atè outra!!

E assim se despidiu a râ de Tantotem,entre falas lastimeiras
e tristonhas,como duas criaturas que de hà tempo comungam
com o mesmo ideal de amor a naturaleza...
Mentres,num cantinho dum valo derruido,comentava um
lagarto com a sua companheira a lagarta,dizendo:

CAPITULO X

-Lagartinha,olha que homem de longa barba. Repara
como sâo deformes os humanos,dâo risa,fixa-te bem,
eles crescem para riba,nâo como nôs,que crescemos
para adiante. E o mais ridìculo è que pensam que sâo
inteligentes e assim è como lhes luze o pelo mais a barba.
Olha bem e repara como parecem fantasmas andantes.
 
Sâo bìpedes,criaturas inferiores e maglinas.
Temos que ter muito cuidado com estes pernaltas
implumes.Chegam a matar e destruir sô por prazer.

-Ai,lagartinho meu,dizia a lagarta: Serà que este bìpede
ou pernalta,de floridas barbas è um desses energùmenos
que andam polo mundo a fazer o mal a todos os seres
vivos da creaçâo? Repara,meu queridinho,que è sempre
perigoso tentar ao "Demo" Maximo quando se apresenta
com aspecto de homem. Lagartinho,fujamos de aqui antes
de que nos dane!

-Nâo,minha lagartinha querida,este exemplar nâo è como
os outros,este è Tantotem,o home da barba florida,o neno
grande. Eu o escutei quando falava com a râ
 
paroleira e lhe dizia que fugia dos seus semelhantes,os
humanos,por que eram funestos. Olha sô,vou chamar por ele.
Ei,amigo,homem das floridas barbas,o que atende polo nome
de Tantotem,a donde vas e por que passas de largo sem
reparar em criaturas tâo pequeninhas como nôs somos.
Nôs somos o que olhas. Uns lagartos miudos,em tamanho
natural,como se fôssemos crocodilos enanos.Acaso nâo
somos criaturas da naturaleza merecentes da tu atençâo?

Tantotem,pasmado de ver a um lagarto em tais termos
expressar-se,desta sorte lhe contestou:
-Vou a procura da esfinge de Silvouta ,para que me indique
o caminho que me hà de levar ao pais da felicidade,donde
reina a justiça,a paz e o amor. Se nâo reparei em vosses
foi poque estava distraido com a minha amiguinha a râ da
lagoa.Perdoade-me amiguinhos lagartos,tende por certo
que nâo estava no meu ànimo tal afrenta.

-Eu e mais a minha lagarta perdoamos-te,mas ti tens que
escusar-me a mim por tratar-te de parvo,pois queridinho,
sô um parvo pode andar a busca do pais da felicidade.
Todas as criaturas da terra sabemos de sobra,que donde
pisa pê de home,esse depedrador sem entranhas,ao que
nôs chamamos "bipede implume"è impossivel achar a
felicidade.
Ai, è verdade,confirmou a lagartinha,interrompendo ao
seu companheiro. E nâo digamos dos cachorros de home!
Esses sâo crueis e perversos.
 
Lembras-te meu lagarto,
daqueles dous,que ainda ontem quase nos espatifam a
pedradas? Sâo viles esses cachorros humanos! Como se
nasceram com o estigma da maldade! Mas eu bem sei
polo que è. È a corrupta sociedade na que se criam a
que os perverte. Nâo è de estranhar entâo que quando
sâo maiores,lhes seja impossivel praticar o bem,pensar
isso è tolice e por elo è que pareces parvo,por andar a
procura do que nâo existe no mundo dos humanos...

-Bem dizedes lagartinhos. Eu sou o parvo mais parvo dos
parvos.Tal è assim que atè as ervinhas do monte andam
a mormurar de mim e dizem mormurando: "Ai do que vai
polo mundo sonhando!" Sim meus amigos,tâo parvo sou
que ando a sonhar com esse ditoso pais da felicidade.
Tamèm eu,como vossoutros,detesto e aborreço o
comportamento dos humanos,atè o ponto de que a sua
companhia fai-se-me detestàvel. Sabede que,ainda sendo
parvo,bem sei olhar como os humanos,empregam a
inteligència para depredar a todo ser ou o someter ao
seu capricho. Jamais para ajudar ao proximo. Diria-se
que sô sâo felices quando tenhem a toda criatura sometida
ou escravizada. Esto vos digo,meus queridinhos pra que
comprendades a minha teima em buscar a esfinge e o por
què da minha conduta. Eu por ser parvo,posso entender-me
com todas as criaturas da naturaleza. A todos comprendo e
me comprendem,excepto aos meus semelhantes,por ser-me
 
impossivel ajuiçar os actos dos que se comportam como
alimanhas superiores,dado que a minha mente nâo atinge
tâo elevado grau de inteligència.
-E agora que de tais cousas sodes sabedores,vades-me
ajudar na bùsqueda da esfinge de Silvouta? Seredes meus
guias nesta peregrinaçâo? Contar posso com vossoutros
para achar o pais da felicidade?

-Nâo digas mais, Tantotem amigo,que as tuas palavras
enchem-nos de tristura. Nôs somos teus amigos e faremos
tudo quanto esteja ao nosso alcance para ajudar-te,
perguntando a todos os lagartos da terra pola esfinge de
Silvouta. Se tiver-mos conhecimento dela està tranquilo
que nôs te avisaremos. Vai em paz amigo Tantotem.
Que Deus te guie!!

CAPITULO XI

Foi andando,o homem da baba florida,pola terra
adiante e nesto atopou-se com umha andurinha e
lhe perguntou como aos outros seres si sabia donde
estava a esfinge de Silvouta.
-Dime,andurinha voadora,se jà ouviste falar desse
pais misterioso,que eu procuro e nâo sou capaz de achar?
 
Dime,amiguinha,se com a tua ajuda ou de
outro ser alado,posso atopar esse pais com que
ando a sonhar?

E a andurinha,sensivel as palavras de Tantotem,
respondeu com melancòlico acento,assim de sincero
e deste jeito:-Eu moro,desde sempre,entre os humanos
e a eles dediquei todo o meu afecto,mais com tristeza e
dor confesso que eu e todos os da minha espècie,estamos,
por sua culpa,condenados a extinçâo. A desaparecer da
face da terra,por que està sendo contaminada polos
homùnculos que a dominam e nela nengum passarinho
poderà sobreviver. Digo esto por que esse pais que ti
buscas tambèm eu ando a procurar.Se o atopar jà te
comunicarei.
 
Se ti fores o afortunado nâo te esqueças de mim.

Pobre andurinha,a das alas ligeiras,que tamèm sofre
a incùria dos humanos,dos pèrfidos seres superiores,
que nâo a deixam aninhar em parte algumha!
-Eu acharei o pais da felicidade e comigo te levarei pra
que poidas viver alegre e contenta entre todos os seres
da criaçâo. È a minha promesa,andurinha bem querida.

-Obrigada te serei para todo o sempre,homem da barba
florida. Em mim teràs por todo o tempo da vida a umha
amiga fidel e companheira,parceira tua e de todos os
puros que vivem confor-me a natura.
De sùbito a andurinha lembrou que por donde o sol se
pôe,talvez achara o vento "Mareiro"o qual lhe poderia
informar,jà que o vento todo o palpa e olha.
-Lembro,amiguinho,que là donde o sol se esconde tem um
mar imenso.Nele podes encontrar o vento "Mareiro"que
de certo,se puder te ajudarà na busqueda do que tanto
anelas. Anda sempre cara donde o sol se pôe e acharàs
umha praia donde as ondinhas venhem a procurar a paz.
Alì è possivel que atopes resposta ao que buscas.

Em dizendo esto,a andurinha sumiu no Cèu azul atè
perder-se aos olhos do homem. Em tanto o da barba
florida encaminhou os seus passos para donde o sol
afunda e dorme o sono da noite dos humanos,andando
 longas jornadas atè que chagou a umha imensa plaia,
donde as espumas do mar tem um findar feliz.

 
CAPITULO XII

Antes de chegar ao mar,parou-se a falar com o
carvalho da revolta,o que dizem em coplas que tem
a folha revirada porque lha revirou o vento umha manhâ
de geada. Mas ei aqui que ao parecer nâo foi assim,senâo
moi outra a història,segundo o que lhe disse a Tantotem o
ditoso àrvore.

-Eu sou o carvalho da revolta,è verdade,o que tem a folha
revirada,como dizem em trovas os teus semelhantes,mas
nâo polo que eles relatam e sim pola sua incùria. Os teus
semelhantes embrutecidos pola cobiça,apestam o ar e
contaminam a terra que nos sustenta e dà vida.
Os que sâo da tua espècie,corrompem as àguas que tanto
necessitamos e agora cae por nôs umha mortal chuvia
àcida que apodrece o nosso cerne e mùstia as folhas
e as retorce como folerpas. Bem podes ti olhar como è
verdade o que digo e falso o que andam a tagarelar
por aì.Se fosse a geada,logo brotariam outras folhas
mais fermosas.Porem nâo e assim,è o veneno da
atmosfera o que nos vai matando aos poucos e tudo por
 
culpa dos humanos,esses depredadores
irresponsàveis que nâo atinam com o mal que
 fazem para si e para nôs.
Esta è a negra verdade,homem de barba florida,a crua
verdade.A de que todos sofremos por culpa dos teus afins.

Dizendo esto,o velho carvalho,caeu em prantos e triste
ficou Tantotem,sendo entâo maior oseu convencimento
de que os homens nâo eram dignos de conviver com os
demais seres da naturaleza e continuo o seu caminho
atè o mar. Jà na praia,o primeiro que fez foi descansar,
tombando-se na mole areia e assim ficou por moito
tempo,atè que as ondas bulideiras o despertarom
com suas mornas carìcias e ledas palabras que a
jeito de mormùrio assim lhe deziam:

 
CAPITULO XIII

Neno grande,ao que tamèm chamam Tantotem,aquel que procuras vem atràs
de nôs.Ele è o que nos empurra,nôs somos o froito do seu ìmpetu e aqui estamos
aos teus pès.Fala homem bom.Diz o que desejas saber do pai das ondinhas do mar?
Que è o que te assanha.O que reina nas àguas e com o seu alento dà frescor a terra
e ao ar pureza,se puder hà de ajudar-te.Diz-nos a nôs,as ondinhas do mar oceano.

Tantotem comocionou-se com tanto agarimo e por uns instantes sentiu a carìcia
do amor e da felicidade,mas foi por um interim,jà que logo viu com seus olhos o
triste fim das que tâo docemente falavam,que era morrer sorrindo aos seus pès.
Entâo voltando a realidade da vida e dirigindo a sua fala ao vento Mareiro
desta guisa se expressou:

Ho vento do mar Mareiro,ati apelo para que me assistas na bùsqueda da felicidade.
Eu te imploro para que despejes as negras nuvens que me empanam o vieiro e me
 
confundem,nesta longa caminhada a procura da esfinge de Silvouta.
Ajuda a este pobre mortal,que fuge dos seus porque este povo tem ouvidos mas nâo
ouve e olhos que nâo vêem. Porque os seus concidadans,tenhem endurecido o coraçâo
e fizeron-se àsperos de orelha e fechados de miras,nâo fora que enxergaram seus feitos
perversos ou escutaram a sua fala corrompida e entâo comprenderam de coraçâo
estas palvras e disistiram de tanta imundize.
Ajuda,Oh ventinho bem feitor,a este que clama numha terra donde nâo tem um sô
sensato ou justo que atenda a sua palavra.A voz que clama sem ira mas com pena,
pois que se dôi de contemplar um povo possuido dum espiritu aparvado,com
 
entendedeiras que nâo se enteram das suas misèrias,
jà que sâo orelhudos para tâo sô escutar gabanças.

Ajuda a este triste,que em tamanha pocilga se acha,rodeado de esterco por todas
as bandas,a causa da incùria dos que sem o mais mìnimo de vergonha,tenhem por
a maior honra o subornar ao primeiro adulador de turno ou a qualquer poeta de
varato,aos que mercam as suas alabanças,para escutar sem rubor mas com prazer
o que nâo è outra cousa que a voz da cretinice e a opiniom dos corruptos.

Desses que deambulam entre a bosta como "macacos vestidos de pùrpura ou como
asnos disfarzados com a pele do leâo"Ajuda-me,Oh ventinho amigo,com o teu sopro
vivificante,limpando esta atmosfera pestilente que todo o infecta e corrompe.
Ajuda-me,com teu alento purificador,a encontrar o caminho que me leve atè a
esfinge de Silvouta,a que me hà de indicar o lugar donde està o pais da felicidade.

Dito esto,aos seus pès,estourou gozosa de vida,umha ondina do mar oceano,com a
face cheia de espumas,como se quiser ocultar a infinda tristura que lhe causaram
as palavras de Tantotem e disse:

-Homem parvo ou neno grande,o rei dos mares,o poderoso vento Mareiro manda-
me dizer-te que sendo ti umha criatura que pertence ao mundo dos seres vivos nâo
pode valerte,jà que o vento è um elemento e por elo nâo pode dirigir-se a ti sem
destruirte.Roga-me que te explique que ele è doutra sustància e que eu sou quem
 
te indicarà o lugar que procuras.Mas olha no que finda o meu vâo intento
de vida,em morrer docemente aos teus pès.Volta outro dia e gozaràs comigo
da flor da vida.-

Assim falou a ondina e logo desfez-se em espumas.Tantotem ficou como enlevado,
sem nada entender,nem do que olhava nem do que ouvia.Todo parecia um sonho
e à ensonhaçâo convidava a hora do sol-pôr.

O vento Mareiro nada podia fazer por Tantotem,em nada o podia ajudar,posto
que ele era um ser vivo e o vento era outra cousa,todo energia,invisivel e impalpàvel.
Acharei a esfinge sem a sua ajuda,pensou.E mentras caminhava entre chousas e
searas desta sorte se laiava:

CAPITULO XIV

Patria eu nâo tenho como outros tenhem de seu. Tenho madrasta que
repùdia a quem nâo pertence a grei dos que de tanto se apoucar,converteu-se
num povo de imbèciles adoradores de toda caste de chupistas.Assim è que
tal dia como hoje,dei por maditar que melhor me fora empregar o tempo
em outros mesteres que nâo este que me apaixona e que è:
 
denunciar as manhas dos manhosos e abafar a estulticia dos ladinos.
Melhor me seria,digo,o dedicar-me a captar orvalho,pendura-lo num altar
e ficar a sôs com ele,tâo isolado que nem os anjos tivessem ideia do meu
passo pola face da terra.
Mas,ei aqui que nâo tenho azos para tal cousa fazer e por elo ma atopei com
os que nâo me buscavam e me manifestei aos que nunca perguntarom por mim.
E a todos falei assim:Nâo me importa que a raiola de sol brinque na floresta,
mas sim me doe olhar a alvorada cangada de cadeias.Homens forom os que
tais ultrajes fizerom,os mesmos que tanto se afanam cuidando o que se
guarda nos cofres.Os que sentindo fame de
 
glòria,remexerom na fossa cheirenta
das suas vidas e acharom a paga da venta larpeira da pàtria

Tal dia como hoje,meus amiguinhos,num cantinho da memòria,surgiu umha
idea tola que me fez meditar.E tanto foi o que meditei que cheguei a conclusâo
que melhor me seria folgar que nas cousas deste mundo teimar.
Mas ei aqui que quando no alto do monte ouvia o lobo,a raposa treme e esconde
o rabo.Entâo ajuizo:Nâo tem a palavra mais mistèrio do que melodia tem o
ladrido dum câm e là donde a calandra arrula,nunca faltou umha alimanha
para dar conta do recado.Dirâo muitos que estas sâo vaguidades e que todo
o que soa è sempre iluçâo.Porende,eu escutei um dia o lamento da pedra e
andando o tempo,olhei as espumas alvas clamar ao Cèu,

A umha mòmia ouvi um dia falar:Companheiros,seres vivos da terra donde
nascim,nâo me fazer caso,pois o que vou a dizer nâo agrada ao ouvido,mas
como nâo sei exercer de mudo,devo comunicarvos o que pensa um sandeu:
Alguem a pàtria dos homens vendeu e se uns poucos o de todos venderom,
entâo eu pàtria nâo tenho.

Assim falou a mòmia e digo eu como quem nâo disse nada que ante a
contaminaçâo que nos assola,corrompendo-o todo,desde a linguagem
atè o ar que respiramos,digo que o pais enteiro è um pranto infindo do
qual o meu laio è tâo sô um misero eco.

 
CAPITULO XV

E assim ia Tantotem,dolente terra a diante,atè que se achou com um
passarinho que tem fama de ser o mais excelente dos trinadores,o ruisenhol
e assim lhe falou:
Dime passarinho amigo,sabes por acaso donde se atopa a esfinge de Silvouta?

-Nâo homem bom,eu nâo sei rem do que me perguntas,
se o soubera bem que te indicaria o lugar,mas nada sei!

Ai reusinhol canoro,quanto ma apena que nâo o
sepas! Seria tâo feliz se o soubeses e mo disseras com essa tua voz celestial.
Seria tâo ditoso se um ser assim de puro,me indicara o caminho! Ho rousinhol
amigo,nunca me cansarei de abençoar ao criador de todas as cousas,por botar
no mundo a criaturas como ti,tâo pequeninas,pero tâo puras,tâo humildes e
tâo naturais! Que jamais se vendem nem se apoucam ante o egoismo ou a
ambiçâo do medre e por elo nâo trocam a sua fala nem a sua voz,nem a sua
melodia,como fazem os meus semelhantes,que ante o aplauso ou o peso do
dinheiro se abaixam e trocam de lingua
 
como se de plumas se tratara.
-Triste tem que ser a vida dos humanos que a tal ponto estâo corrompidos
polo egoismo. O que me dizes,neno grande,demostra que as suas almas estâo
contaminadas como este regato,de àguas um dia cristalinas e hoje infecto e
 pestilente. Tal poder tem de corrupçâo o sudre que verte umha sociedade
cainista,regida polo apetite do lucro e do engorde!

Pobre de nos,meu amiguinho roxinol! Assim como dices è,por elo è que ando
a procura da esfinge,a que me hà de indicar o caminho do pais da felicidade,
donde reina a justiça,a paz e o amor. Aqui nesta terra minha,nâo acho senâo
a hipocresia e a mentira,atè o ponto que somos irmans
 
tâo sô por comodidade ou conveniència,jà que ninguem crê na fraternidade
nem no amor,nem na bondade e sim no que lhe convem.
Utilizando a fala ou o idioma,como um arte de dominar os uns aos outros
e nâo como um veìculo de comunicaçâo fraterno.
Nâo,os meus concidadâos usam umha lingua alheia,que è a do poder,
para deste jeito obter as prevendas que os amos outorgam a quem bem os serve,
A vez que ti e todas as aves do cèu,usades o vosso canto,em forma de linguagem.
para loar a naturaleza,agradar os ouvidos de quem quer ouvir e comunicar-vos
os uns com os outros.Seguirei,passarinho amigo,o meu caminho
atè achar o que procuro-
-Vai com Deus amiguinho!!

CAPITULO XVI

Tantotem seguiu entâo o seu signo,que era caminhar e caminhou atè
chegar a um campo donde a toupeira estava atarefada com o seu trabalho.
Em olhando tanta lavoriosidade a flor da terra admirou-se e pensou:
Ai tem que haver umha criatura lavoriosa e de bom natural.Vou perguntar:
 
Quem anda aì? Pode -me atender um momentinho o ser que tanto se afana
em remover a terra e bater um papo comigo,mentras colho folgos para
continuar a minha andaina?

Dito esto a terra mole e hùmeda polo orvalho,parou de mover-se e deixou-se
ouvir entâo umha voz estranha que dezia:

-Eu sou a toupeira e estou no meu lavor.Quem è essa criatura que se apouca
para falar com umha insignificante toupa?

Eu sou Tantotem,o homem da barba florida,o que anda a procura do pais da
felicidade donde reina a justiça,a paz e o amor.Por isso estou a na busca da
esfinge de Silvouta,que me hà de indicar o lugar.Sabes ti donde està?
 
-Eu nâo posso saber tal cousa amigo meu.Como pode umha toupeira saber o
que è ou donde se acha o que chamas esfinge se nâo pode olhar a luz do dia?
Nôs as toupas,como è sabido,trocamos os olhos polo rabo e agora sô podemos
viver no escuro.E sabes que sou muito feliz! Se tiver olhos para què os queria?
Para olhar misèria e imundize! Acaso nâo foi jà escrito que,"impossivel era
viver num mundo que nâo veremos transformado?"Se isso for certo,para que
ter olhos? Para què enxergar? Nâo serà acaso este mundo de trevas no que eu
 vivo,esse lugar que ti procuras e chamas o pais da felicidade?Donde segundo
tu mesmo dizes reina a justiça,a paz e o amor?

Quem sabe se nâo tens razâo toupeira amiga! Ao fim e ao cabo ti nâo sofres
como eu sofro o ter que olhar qual eu olho com estes olhos meus,como entre
os meus semelhantes nâo se acha nem um siquer que seja justo.Nem um tâo sô
que seja sensato. Ter que ver com màgoa que todos se extraviarom,que
juntamente se perderom,poia jà nâo hà quem fago o bem. Nem tam siquer
um sô.Olhar que "como um sarcòfago è a gorja de cadaquem,que com as
suas linguas tecem dobras,posto que veneno de vìboras hà nos seua làbios
em tal quantidade que as suas bocas estouram de maldiçâo e amargura"
Sim toupeira amiga,ti nâo tens que mirar o como se comportam os humanos,
 
"Ligeiros de pês para verter o sangue dos seus irmâos e como sô misèria e
sofremento deixam no seu caminho. E ver que nâo encontram vieiro de paz!
Nem temor que se lhes ponha por diante! Pois sâo insensatos e nâo fâo outra
cousa jamais do que enganar ao seu proximo. E observar que estâo pensando
continuamente na maneira de induzir os outrs ao erro e que de feito quase
sempre encontram um jeito exitoso de o fazer."
Oh,amiguinha toupeira,ti tens de certo  grande sorte de nâo ter olhos para
ver tanta tristura!
-E ti eres um palerma,-atalhou-no a toupeira-por pretender achar um mundo
melhordo que este em que as toupeiras vivemos. Donde acharàs maior
felicidade do que neste pais meu. Si fechas os olhos a toda a podredume
que te arrodea,podes alcançar a mais outa felicidade,como nôs as toupeiras
atingimos. Repara tambèm nos teus concidadâos.Eles nâo trocarom os olhos
polo rabo,como nôs,mais sustituirom  a fala rustica dos seus antergos pola
delicada voz dos que vivem de rentas.
-Eles nâo sâo pailans como ti,pero sâo finos e felizes quanto eu sou e nâo
como eres ti,um infeliz,que por cultivar o idioma dos antigos perdes-te pola
boca.Se pôs em dùvida o que digo,pergunta-lhes,escùlcaos e veràs o que è
a verdade. Este è o melhor mundo possivel. Agora vai em boa-hora
e deija-me com o meu lavor.

 
CAPITULO XVII

Dito esto,a toupeira continuou a sua lavoura e deixou a Tantotem
com as suas teimas.Este continuou o seu caminho pola terra anda que
anda com suas porfias,atè que umha laverca andadeira atravessou-se-lhe
no caminho e assim lhe falou:

-Ti eres Tantotem o homem das barbas floridas,porquè estas tâo apenado?
Dime homem,eu sou umha laverca e sei de moitas cousas,fala ho!

E Tantotem admirado do aspecto da laverca e de sua disposiçâo,assim lhe
falou:Dizes bem laverquinha.Eu sou esse mesmo e ando a procura da esfinge
de Silvouta,a que me hà de indicar donde està o pais da felicidade.
Sabes ti como a podo achar?

-Nâo queridinho,eu sô sei das cousas deste mundo,nâo do outro.E polo que
me falas,ti buscas um lugar que nâo pode achar-se neste mundo nosso
senâo eu bem o saberia!

È deste mundo,que assim me o disse o Cèu. Disse-me que procurasse a
esfinge,que ela me indicaria o caminho do pais da felicidade,donde reina
a justiça,o amor e a paz.
   
-Pois insisto que nâo è deste mundo e admirado me tens com a tua serraçâo.
Mais viver para ver e mais maravilhada estarei se contas o porquè dessa
teimosia.

Conto oh! E porque nâo! No pais da felicidade reina a justiça,a paz e o amor
e aquì,nesta minha terra nâo acho senâo a injustiça. De tal jeito que aos
poderosos lhes è permitido fazer todo quanto for do seu agrado por perverso
que seja impunemente,sendo-lhe todo factivel,desde a traiçâo ao
assassinato e a tortura,ainda que seja de menores inocentes,com tal de
que se consiga o exito ou o triunfo.E todo com o aplauso do povo,como
para confirmar o que jà foi escrito:
 
"El deu vista aos cegos,ouvido aos
surdos,fez andar aos paralìticos,curou aos leprosos e ressucistou aos
mortos,mais aos estùpidos,a esses,nâo os pudo curar" E agora tantos
sâo que enchem o mundo,Tantos que nâo acho lugar nesta terra
para mim. Entendes agora?

-Clarisimo! Como nâo vou a entender! Ti fuges dos teus porque no
mundo jà nâo tem mais justiça e fai-se para ti a vida nele impossivel.
Porende esso nâo è novo para mim,isso è tâo velho como o mundo.Ti falas
assim poque nâo eres umha laverca como eu sou,se foras como eu jà outra
seria a tua opiniâo. Repara sô na minha vida.Que è a minha existència e
o que posso esperar deste mundo,donde todo està debaixo da pezunha do
homem,os teus semelhantes!
-Que posso aguardar a nâo ser o mal? E nâo entanto estou mui a gosto
aquì,nesta terra e isso porque eu nâo tenho fè nem creio na justiça,nem
me preocupa se tenho pàtria ou nâo. Eu sô me preocupo de fugir da boca
das feras,de nâo ser atrapada pola fùria do lume,de escapar ao fio da
espada e de nâo pegar doença que comigo acabe.
-Isso è o que me preocupa e nâo a liberdade da pàtria. Câ ,nâo saberei eu
bem que a liberdade dos humanos,com ou sem justiça,nâo è outra cousa
que libertinagem.È mais,donde sô hà liberdade,nâo tem justiça. Repara
na selva.Ai è a liberdade. A de o forte devorar ao
 
devil impunemente e aos poderosos ou astutos,
dar-se a viver de pança cheia a custa dos fracos e torpes.
-Acaso nâo saberà esta laverca,que a perfidia e a força,forom os nervos
que conformarom o mundo.Que a razâo para os humanos è loucura,a
liberdade desordem,a igualdade anarquia,o humanismo quimera e o
apelar aos direitos naturais rebeliâo? Nâo saberei eu que a justiça dos
homens è um refinado arte de espoliar e avassalar as maiorias em
proveito das minorias privilegiadas e que as leis sâo um meio de
converter este crime numha regra de santa conduta?
-Diras-e a mim,que tenho por glòria o dia que posso folgar com papo
cheio! Diras-me a mim homem!

Admirado me tens,laverca amiga,com teus razoamentos subtis e
irrefutaveis para mim,pola preciçâo com que os expos!
Nâo posso senâo ficar pasmado da tua pericia pera ajuizar o
mundo e o comportamento dos humanos. De verdade que em todo
quanto dizes estou de acordo e essa è a razâo que me impele a buscar
o ditoso pais da felicidade.Reino ou repùblica donde impera a eterna
 justiça,em estado de igualdade e liberdade. Nesse pais,laverquinha
amiga,acharei a paz e a felicidade!

-Pode que assim seja,nâo o discuto,Tantotem amigo,mas insisto
em que se eu nâo conheço esse lugar aqui na terra,è porque o tal
sitio està no alèm!!

 
CAPITULO XVIII

Em tal dizendo,largou a correr,como è natural numha laverca
e sumiu entre umha moita de codesos. Tantotem,entâo seguiu o seu
caminho anda que te anda,atè que atopou com umha raposa,tâo ligeira
de pês como de ideas e com ala entabulou esta conversa e deste jeito:

Dime raposinha amiga,sabes por acaso donde posso atopar a esfinge
que hà tanto tempo busco e se chama a de Silvouta?

-Nâo sei,homem de longa barba.Nâo sei donde se encontra tal coisa,
nem sei o que isso possa ser!

O que è indicao o nome,alem disso eu tamèm nâo sei nada. Sô sei que
por mandato do Cèu ela me hà de indicar o caminho que leva ao pais
da felicidade.

-Ui,neno grande! O pais da felicidade è este donde estamos. Ao menos
no meu entender,pois nâo creio que exista no mundo um lugar mais
feliz do que este.

Ti bromeas amiguinha! Ti estas de chalaça,por algo eres umha zorra
e estas-te a mofar de mim.
 
-Nâo,eu nâo me burlo de ti nem de nimguem. Eu digo o que ouviste
por que,de todos os lugares que andei,jamais vi um pais tâo satisfeito
como este no que moramos,ti como humano,eu como vicho. Se tu nâo
o entendes assim,serà por que tens olhos para nâo olhar e ouvidos
para nâo ouvir. Senâo,como nâo te sentirias ti feliz entre os teus,
que bem se vê sâo os seres mais ditosos da criaçâo. Olha atentamente
e repara como os teus semelhantes desfrutam elevando a categoria de
 bem feitores da que chamas pàtria,aos maires pederastas do povo.
Aos que ti detestas! Vai por Deus!
Como vas a ser feliz se nâo te adaptas aos usos dos teus concidadâos
e assim viver sumptuosamente num
 
estado de consumismo,donde o grande idolo,
tamem chamado o Bezerro de ouro,è capaz de embaucar
a todo um povo que jà foi viril,mais que agora goza com o travestismo
dumha fala alhea,deixando para os pandorcas como ti,aquel
"ronco sôm"dos vossos ancestros.
Como pretendes ser ditoso ti que te revoltas contra da "castraçâo e
doma"a que està sometido o teu povo. Ti que combates com sanha
mas sem glòria,a sodomizaçâo que tanto prazer dà aos castratis de
melosa voz!,Ti que nâo ejerces de lambe-ànus do dominador,nem te
abaixas como um bufâo!
Està claro,hominho,que se nâo te sometes,nunca seràs feliz nesta terra,
mas se fazes como os listos e sabidos dos teus paisanos. Se como eles
te deixas seducir polo canto melieiro dumha fala finòria e marota,
podes ter por certo que logo seràs o homem mais feliz do mundo.

Bem dizia eu que estavas a burlarte de mim,pois se bem dices grades
verdades,tamèm demostras com tuas argùcias que eres umha zorra
a que nâo posso fazer caso. Podes crer que antes prefiro a morte,a
converter-me num farrapo de gente como a que tu me insinuas co a
tua làbia.

-Se nâo me faz caso è cousa tua,mas,aseguro-te que sempre seràs
um infeliz,condenado a viver procurando o que nâo existe. E ainda
te direi mais: Se o tal pais da felicidade existir,nâo è possivel que
possa entrar nele homem algum,pois nâo tem nem um digno
e moito menos os patetas como ti!

 
CAPITULO  XIX
Depois do dito,a raposa desapareceu por entre umha moita
de silvas tâo grande,que coroava um alto penedo,mostrando
com sua agreste beleza a visocidade da terra,mas ei aquì
que o acaso fez que Tantotem reparase numha criatura que
em forma de borboleta pousava num cacho de amoras.
Era umha esfinge,mariposa que frequenta ao lusco-fusco
as matas e chouzas que invadem a nossa terra.

Alì estava no cùmio do grande penedo,com seu aspecto tètrico,
ostentando no dorso o signo da morte que è a caveira.
Olhando esto,Tantotem estremeceu de medo e tiritando como
umha vara verde assim lhe preguntou: Eres ti por acaso a
esfinge de Silvouta?

-Sìm,eu sou a esfinge de Silvouta,tambèm conhecida polo nome
cientìfico de "esfinge da caveira" Agora dime:Quem te envia?
O que desejas de mim? Fala homem de floridas barbas! Diz
logo o que tenhas que dizer! Eu nâo posso perder o tempo!
 
O Cèu è quem me manda ante ti,para que me indiques donde
se acha o pais da felicidade,donde reina a justiça,o amor e a
paz. Segundo me foi dito ,ti eres quèm me hà de indicar o
caminho ou a maneira de atè là chagar. Dime entâo esfinge
misteriosa!

-Nâo è preciso dizer,jà que bem a vista està neste meu lombo
o seu sìmbolo.Porende,como vens de parte de quem tem o
poder,direite o que anseias em poucas palavras: O pais da
felicidade encontra-se no alèm,no lugar sem retorno.
Tambèm te direi que para chegar a essa paragem,tem
mil caminhos mais um.Os mil primeiros sâo incertos ,
mas o ultimo sim que è certo. E sô esperar e nada mais!

 
CAPITULO XX

 Sivelina foi a resposta,que a maneira dum trepidante zumbido,
deu a esfinge a Tantotem. E em tal dizendo,saiu voando como se
de umha criatura de outro mundo se tratara e sumiu entre essa
nèvoa vaporosa que envolve com o seu manto a alma entristecida
de todo um povo e sua bendita terra.

Tantotem ficou tâo pasmado que por bastante tempo nâo soube
o que dizer,nem o que pensar,nem que caminho seguir. Sô quando
o vento Mareiro com o seu sopro vivificante lhe refrescou a
memòria com umha tenra caricia è que voltou ao mundo da
 realidade,desenlevando-se do extase em que se achava.
Jà sosegado,continuou a sua peregrinagem e mentras
caminhava obsorto com os seus pensamentos,sem o
pretender,por acaso,assim de sùbito,atopou-se com um
ser humano,com um semelhante a si. Em vendo-o,
maravilhou-se tanto,que nâo acrditava no que olhava.
Tâo longe estava a sua mente da realidade,que nâo
imaginava que pudera existir homem algum
sobre a face da terra.
 
Porem,o tal humano tinha aspecto de homem bom e
pacifico e nâo de energùmeno,assim que Tantotem,calmo jà
desta sorte lhe falou. Dime homem! Quem eres,que lugar è este?
Por amor de Deus ,dime donde estou? Hà tanto tempo que erro
sozinho,pola terra adiante,sem contacto com gente algumha,
que jà nâo sei nem quem sou nem donde me acho!

-Sim que te direi companheiro.Ti eres Tantotem,o que todo
mundo conhece como o homem das barbas floridas e eu sou um
teu Samarua e esta è a agra da Esperança. Aquì podes sobreviver
tranquilo,arrodeado de Samaruas que estâo na tarefa de construir
esse pais de felicidade que tanto procuraste inutilmente...
FIM

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