O livro do Desespero contem ciquenta sonetos,todos
eles encabeçados
por umha màxima
de colheita alhea
e outras tantas estampas a todo color.
Hoje,segunda feira,dia vinte do mes de Abril.
Luns de pàscoa
florida,entre nôs assim se fala,
mandei para o
meu mal,quem mo ia dizer!
umha carta à
um jornal de tantos que tem no pais.
Chankecham,alì escrevì no nosso degradado idioma,
sìmbolo
dum povo tâo nobre como vilipendiado,
humilde fabulador,glorioso
desconhecido,
oferece a tâo
ilustre jornal todos seus livros
Aqui nôm hà titulos nem premios nem prevendas,
aqui sô
hà obras para dibulgar,palavras sobram,
entre vìrgulas
estampei este aforismo com moito tino.
Pobre poeta que tâo confiado è como pedante,
pensei logo,mentras
no buzâo com mâo trèmula
o calvàrio
do meu desespero ia servindo!
II
"Cada vez
que te sintas alcançado
por um desejo pertubador apressura-te
a dizer:
Bem te conheço.,
puro engano
eres e nada mais"
Destino bem triste tem o que de fantasias vive
alimentando-se
de iluçâons e falaces esperanças
que o atenazam
em tùpida e invisivel rede
feitiço
dum falso espelhismo de dita ansiada.
Nâo è em vâo que o louco visionàrio
treme
de angustias
e quimeras na sua mente fabricadas
pola alucinògena
droga da fàtua glòria.
Ansejo que alma e alento vai minando,
esse de querer
tocar o vêu luminoso da felicidade
que supoe atingir
o fim supremo dum grato acontecer.
III
"Se aspiras
a que jamais teus desejos
se vejam frustados,faz
simplesmente
umha cousa
bem singela: Nâo
ansies senâo
o que de ti depende."
Nâo tem principio nem fim o desejo de glòria,
ele começa
quando bem entende e quer antojo,
se trava acha
que o detenha no seu propòsito
essa è
dor de coraçâo de infeliz sonhador.
Esperar coisa que afan ardentemente anseia
è como
caminhar por àridos desertos sem luz,
vida errante
de criatura esquecida da mâo de Deus
que nâo
acha lugar donde pousar cansada cabeça.
Eres ti ansiedade tal-qual iluçâo fugitiva
que aos trechos
vas pisca que pisca pola estrada
que leva direitinho
ao pais das boas novas.
Mas,eis que coraçâo apaixonado que te segue
sô acha
trampas que alegre e sem tino espalhas
para que home
crèdulo fatal meta ao fim ache!
IV
"È infeliz
acaso o cavalo
por nâo
poder cantar?Em modo
algum.Seriao
em verdade se
nâo pudesse
correr livremente."
Pobre alma que a esperar impossiveis se aflixe!
Porquè
quem tem fortuna se hà de abaixar
a responder
absurdos que ilusâo gera e aborta?
Nâo è
destino de alma sonhadora sofrer e calar?
Oh ansiedade que a coraçâo paralisa como vìbora
que sigilosa
se arrasta pola selva da indiferença,
jà me
encubaste o germem dum desejo insaciàvel
que ao desespero
me leva como a vil despojado!
Quanto tempo me resta para sofrer frustaçâos
que a nâo
ser paciente hâo me de matar!
Agora que jà
a roda do destino gira sem freio,
sô tristeza acompanha a quem dia e noite
pretende achar
resposta a inquietudes que o sonho
alimenta com
fartura mas nâo sabe digerir!
V
"Aqueles que
nascem na riqueza
e nâo
conhecem necessidade algumha
nem a imaginar-se
chegam que pode um
dia faltar-lhes
o que lhes sobra"
Oh ti que exerces de mensageiro do Cèu,
criatura que
o comum dos mortais nâo conhece,
dime:quando
este que em ti cego confiou
hà de
ser agraciado com novas tâo desejadas?
Nâo è tempo de pretestos ou dilaçâos
arrazoar
pois quem resposta
espera a suas pretensâos
sô pode,por
moito confiado que seja,intuir
que foi da
tua mâo vilmente abandonado.
È hora jà de que as mensagens sinceras voem!
Anelos tenho
de que sejam gratas e positivas
mas trevas
e silèncios sô acho neste triste dia!
Quiças amanhâ umha alvorada de sana alegria
acaricie esta
minha alma de ànsias cangada
de jeito com
que logo um canto de glòria te faça!
VI
"De què
serve a fama e o ouro
se todos os
nossos pensamentos,
desejos e actos
evidènciam o
barro de que
estamos feitos"
Esperança,essa caprichosa ficçâo da mente
anda a teimar
que hoje grata nova me espera
pois,carta
no lar com certeza ei de atopar
dando resposta
a todos os meus ardentes desejos.
Que ideia em mente sometida ao devaneio
nâo è
capaz de soster fè cega no impossivel?
Acaso quem
delira se diferença em algo do louco?
Nâo acho
dissimilhanças factiveis de ponderar!
No grato discorrer das felices lembranças
o homem acha
momentos de tenra iluçâo.
mas quem de
ànsias està possuido que pode esperar
a nâo ser esta dor maligna e penetrante
que de angustias
o peito indefenso lacera
por anelar
goze negado a quem de iluçâos vive!
VII
"Estimaràs
umha vibora polo simples
feito
de vela numha caixa de ouro?
Deixarà
acaso de inspirar-te menos terror
e menos recelo
a sua pezonha?"
De què ao homem serve,oh Deus,umha mente fertil
se a teimar
està sempre com cousas impossiveis!
Esperar polo
que nâo vem è quimera inutil,
assim como
manter esperanças que jamais insarâo.
Hà tanta aflicçâo em mim por a desejo
respostar
que mais dumha
vez penso que a delirar estou
como um drogado
por nefasto e maldito narcòtico
que o afan
de posse e desfrute consome e corroe.
È destino maligno este ou fado cego e mal feitor?
Nâo sei
nem creio que a minha torturada mente
chegue a comprender
quem è do meu tormento causa.
Sô posso atinar nesta pisca de lucidez que me resta,
que as iluçâos
nâo alimentam nem de sonhos se vive
e que pese
a nâo ser adicto a nada ànsia me devora.
VIII
"Nâo
intentes passar por sàbio.
e se certas
gentes te consideram
como tal,desconfia,nâo
delas
mas sim de
ti mesmo."
Serà possivel que alma atormentada jamais desista
de alimentar
quimeras que tâo sô em sonhos vivem?
Triste do que
arrastando vai pola terra sem fortuna
um corpo impuro
donde sô aninham torpes ilusâos!
Arremeter contra o mensageiro nunca foi sensato
pese a que
mente aflita sempre de sentido careceu
mas,momentos
tem em que o pensar torto induce
a esperar celo
em quem sô indiferença amostra.
Que te eu fiz,Oh servidor de cobiçadas novas?
Porquè
a todos atendes presto e amim esqueces?
Sou eu um ente
nefasto ao teu afan cumplidor?
Nâo, tu nâo es mais culpado do meu infortùnio
do que eu sou
de aparecer aos olhos dos hipòcritas
como um redìculo
semeiador de falsas esperanças.
IX
"Nâo
esquesas que sâo os ricos,
os reis e os
tiranos os que dâo
os personagens
as tragedias.Os humildes
sô aparecem
nos coros e nas danças."
Porquè me ei de procurar de cousas
que ao meu
alcanço nâo està possivel soluçâo!
Se mais um
sou entre tantos sofredores de oficio
para què
aumentar com pueriles esperanças a dor?
Nâo hà nem um sô mortal neste traidor mundo
que por desejos
nâo tenha obsurdamente sofrido
maxime aquel
que de humana fèmea nasceu
sem fortuna,sem
arrimo,nem poder,nem valedor.
Hoje espero sosegadamente umha grata noticia,
alma minha
preparada està para ansiada alegria,
se acaso as
novas nâo forem gratas resignarme-ei.
Contento da vida como è norma do ser liberado
começarei
a planejar outra inusual proposta
ainda que certeira
me leve a parelha frustaçâo!
X
"Nâo
tens porquè liberar a terra
de mostuos
poque nâo eres um
Deus,porende,podes
liberar-te desses
monstruos formidàveis
que levas em ti."
A que venhem esses lais que nada resolvem?
Acaso conflitos
de alma por ansejo possuida
se solucionam
suspirando a luz do luar?
ou serà
que chorando como neno sumem sem mais!
Eu como tantos sou um esfameado de paz
que mente atribulada
por inquietudes tem
e penar parece
ser meu inexoravel destino
mentras resposta
nâo ache apaixonado empenho.
Nâo culpo ao probo funcionàrio que alegre reparte
sobres de alvo
color a quem deles nâo precisa.
Nem serei juiz
e verdugo de quem me atormenta..
Serei esso sim,umha alma revelde e contestatària
com o modelo
de viver que me quer impor umha
sociedade que
jamais elimentei com os meus sonhos!
XI
"Se näo
depende de ti escolher
o papel que
tens que representar
no teatro
da vida,sim depende
o representalo
com dignidade"
Se agora mesmo chegases,Oh bendito mensageiro!
juro que jamais
mortal como eu feliz achases
pois que alegria
e gozo tâo festivamente celebrado
sô è
possivel em resposta a iluçâos jà perdidas.
Levo tempo nâo contado a esperar a tua mensagem,
sofrì
nâo sei quanto nem como è possivel de suportar
mas, se agora
mesmo apareceras,Oh nobre funcionàrio!
todas as cuitas
daria por bem sofridas e pagadas.
Mas ei aqui que do teu passo por esta nâo hà
rasto
nem sombra
da tua presença lembro de ter visto,
console-me
o crer que se nâo vens,nâo es culpado.
Nâo,erauto de iluçâos que um dia insensato
semeei!
culpàvel
è ousadia por ter-me do obsurdo confiado,
como se for
possivel trocar sonhos em realidades.
XII
"Que fiz hoje?
Esquecì algo que devia?
Descuidei algumha
lisonja que lhe ouve-se
agradado?Escapou-me
qualquer
verdade
que o pudo desagradar?
Com fume tem quem paga abnegaçâo constante.
Ai de aquel
que como eu a esperar està quimeras
pois iluçâo
è pretender que voz fraca se escute
longe se nâo
leva por companha da glòria o lume.
Mente quem nâo atina a discernir oscuros intereses,
nâo passa
de ser oca caveira e sem miolos,
tal parece
ser esta cachola que a pretender ousou
que sua voz
ao povo em formato de imprenta chegara.
Se tâo grande foi ousadia ninguem se estranhe
que sofremento
me embargue tâo fero e voraz
facendo-me
as veces de febre dilirar e tremer.
Suor frio e quente a vez fende minha testa
mentras os
dentes repenicam a salmodiar feitos
como este tâo
comum de dar a calada por resposta.
XIII
"Levanta os
olhos ô Cèu e diz ao teu
Deus:servete
de mim como melhor
te agrade pois
nada ei de recusar
do que te servires
enviar-rme"
Se tem um ser que as angustias humanas conta
nâo o
sei nem creio que tenha quem o saiba,
sei,esso sim,quantas
sâo as bolas de pâo àcido
que umha desventura
obsurda me poe por dieta.
Grande pecado foi o pretender beijar a glòria
roçando
com estes meus làbios o seu velo sedutor.
Se minha fora
a potestade de ter nascido mudo
juro que ante
a ànsia que me roe tal demandasse.
Mas ei que o homem nasce sem o seu consentimento
e desejos brotam
em alma sem aviso nem licença
tal como surgem
entre rochas as bulideiras fontes.
Assim sem arte nem parte vou com esta dor as costas
debulhando
sonhos que consciente jamais entendeu
e sofrendo
ansejos que iluçâo no peito espetou.
XIV
"E assim a
tua pobre inteligència,
deste jeito
anajenada,nâo passarà
de ser um objeto
mais,pero
que inutil,
torpe e feio."
Nâo hà esperança para quem condenado foi
antes de pecar.
Este è
o caso de aquel que como eu anda sonhando
com ver um
dia sua obra espalhada entre o povo.
porque divulgada
foi por quem tinha bontade e poder.
Nâo è possivel ao forjador de mundos de ensonho,
tal meta alcançar
se nâo someter o seu alvedrio
ao interès
do que manda e se fai docilmente obedecer,
outer nascido
no pais das felices iluçâos.
Acà na terra que meus pês pissam e a diàrio
pateam,
è impossivel
ser revelde e manso ao mesmo tempo.
Ou se abaixa
um servilmente sem paliativos ou ceremònias,
ou se segue altivo a desafiar ao poder cegador,
atè
que deslumbrado com tanto brilho ante sì,
sô lhe
resta ao infeliz cominhar para a perdiçâo.
XV
"Deixei de
aplaudir algum dos
seus defectos,de
alabar algumhas
das suas parvadas
ou de dar o meu
assentimento
as suas estupideces?"
Mìsero eres,oh portador de ansiadas novas!
Quanto tempo
hà que este que tu sempre esqueces
espera umha
simples missiva chamada carta
que remate
com esse seu desejo sempre frustado!
Suor frio empana minha terca testa,
porque ànsia
febril de olhar seu empenho
tornar-se positivo,trastornam
alma dolorida
e corpo,num
ser em perpètuo desespero.
Jamais de mim sairà palavra que te ofenda,
mensageiro
que tu eres de qualquer recado,
ainda que te
olvides deste que sempre te recorda!
Nunca te destoarei,oh pròdigo e humilde carteiro!
Pois ti,te
encargas inocente,de opròbio saciar-te
deixando-me
assim a esperar o que nunca chega.
XVI
"Nâo
è suficiente soster-se a plena
luz,quando
as miradas estâo fixas
em nôs,è
preciso resistir quando se
està
sô,atè nas trevas da noite."
Porquè tes ti oh coraçâo meu,de sofrer vaidades!
Acaso nâo
eres parte dum todo que è o meu ser?
Criatura infeliz
esta que nâo acha paz de seu
porque desejo
o possue de transcender o efèmero.
Sosego vìscera que da vida humana es motor!
Nâo pules
de falsa alegria esperando gratas novas
nem te aletargues
porque o teu latejar è ignorado!
Essas sâo
teimas que ao todo compete soster.
Eu sou o culpàvel de ousar atingir impossiveis
e se tal empenho
desborda a minha capacidade,
doer-me è
justo premio a tâo malogrado anelo.
Mas seja todo o meu ser,corpo e alma,
o que sofra
castigo tâo inutil outorgado,
e nâo
ti,coraçâo,do meu viver suporte e amparo.
XVII
"Tendo-me criado
a divinidade
em mim està
e comigo a levarei
seja a donde
seja e
no estado em
que for"
As vaces penso que è preferivel morte a vida
na que tudo
quanto um deseja lhe è vedado.
Humano è
aspirar ao que trascende e perdura
e nâo
o conseguir tâo doloroso como frustante
Mas,ei que quem de iluçâos e fertil produtor,
nâo desiste
de ir pola vida semeando esperanças
ainda que seja
em terra que se a florescer chega
jamais pode
reclamar por direito em propiedade.
Nâo,o que lavra em campos de comum domìnio
sô pode
ter a dita de ver como o povo recolhe
o fruto para
seu bem e fartura sem o disipar.
Triste tem que ser a vida,do que planta com afan
em terra sua,semente
frondosa e de grato sabor.
mas que se
perde porque a ninguem dà proveito.
XVIII
"Hà
que resistir a glòria como
a calùnia,a
misèria,a lisonja.
Numha palavra,tem
que sair um
sempre victorioso,atè
em sonhos."
Um suor frio recorre meu corpo e alma faz tremer,
tal qual adicto
a droga que o possue e consome,
assim è
o viver de aquel que o destino condenou
a soster-se
das esperanças que iluçâo engendra.
Este mìsero que incosciente à dita ousou aspirar.
remetendo seu
sentir a jornal de parecer propicio,
hoje sofre
como todos os que ousadia alentou
a voar por
esferas alheas ao seu cotidiado viver.
Agora,como sonàmbulo que ficçâo misteriosa
atrae,
vai indo aos
tombos por essa estrada sem retorno
que com ansiedade
e desejo ao adito atenaza.
Sem cura factivel nem elixir que o poida calmar,
è seu
destino sofrer atè que a morte o libere ou o sonho,
nas mesmas
redes que ele teceu,o arraste a novo desespero.
XIX
"Pero queda-te
o prazer de pensar
que obedeces
ao teu destino e que
a teu jeito
cumples com os deveres
dum homem justo
e bom."
Alma solitària que pola vida indo vai,
sem mais bagagem
que os seus humildes sonhos,
fezes dumha
mente calurenta que os defecou
e nâo
topa terra propicia para com eles adubar.
Este è signo de todo aquel que galgar pretende
ao cùmeo
quando nâo tem mais energia de seu
que a que mana
dumha voz viril em pais castrado.
como este por
tantos bos e generosos reconhecido.
Nâo me chamo a engano com verbas amanhadas,
nâo,eu
sou esse condenado a parir brados
que o povo
detesta porque ferem seus ouvidos.
Sim,umhas gentes acostumadas a escutar gabanças
dos que ao
poder aspiram atraves do voto ùtil,
nâo podem
ouvir falar do que nunca triunfou.
XX
"Ao Sol nâo
hà que rogarlhe para
que nos dè
a cada um,um pouco de
calor e de
luz.Deste jeito dà tudo
quanto poidas,sem
que to pidam"
Se tenho que sofrer polo feito de que minha voz
jamais se hà
escutar entre o povo indiferente.
nâo è
nada novo neste mundo e menos nesta terra.
Aqui jazem
moitos que como eu clamarom no deserto.
Mas este facto nâo è òbice para quem alimenta
no seu coraçâo
fecundo,ideas paridas de sonhos,
se apouque
e logo desista de desbravar pacelas
que com urgència
necesitan de arado e semente.
Umha rega a tempo e umha sacha purificadora,
podem realizar
o milagre de que aridos campos
devenham num
belo florescer e grato frutificar .
Nâo fora esta esperança,tantas veces frustada,
e o poeta,esse
mìsero portador de doces ilusâos,
nâo teria
motivo para persistir na sua inutil vida.
XXI
"E que pensas
acaso que a
natureza te
dotou de raciocinio tâo
sô para
fazer-te desgrasado e mais
infeliz que
os mesmos animales?"
Doe confesar que um acredita em sonhos puèriles,
mas,sinceridade
se impoe a home de nobre vocasâo,
por tal.confeso
que feliz fuì quando dormindo
umha voz me
pressagiava:gratas novas vas a ter!
Pobre sonhador impenitente e contumaz!
O dia passou
e como sempre aqui estou a esperar,
essa resposta
que me tenta e provoca um desejo
que para meu
mal me leva a delirio e desespero.
Porende,nâo hà de tardar ilusâo em aparecer
recordande-me
com doces e melosas palavras,
que è
culpa dos correios que sempre mal funcionam.
Glòria a ti,oh instituçâo perversa e
desleixada!
Nâo fora
a tua negligència e quantos se veriam,
despidos de
honra,suas vergonhas mostrando!
XXII
"E ainda que
o teu ingènio perdure
porque dele
brotarom algumhas flores.
na realidade
o teu Eu morto està,pois
as suas raizes
queimou-nas a vaidade."
Nengum home è tâo feliz como o que espera
gratas respostas
a desejos mil veces sonhados.
Doce è
seu dormir e gostosa a sua lavoura
se nada trunca
o seu embeleço atè noticias ter.
Mas, ei aqui que quando as novas nâo chegam,
pois largas
lhe vai dando quem tem que responder,
amargo sabor
enche boca e peito opime ao que em
fantasias inverteu
o tesouro das suas esperanças.
Este mìsero que agora se laia foi um dia ditoso,
sonhando que
quem ao povo algo tem que transmitir,
polos jornais
o podia fazer,a custo da sua valia.
Ai de mim,que nescia,estùpida e groseira vaidade!
Os jornais,como
tantas fâbricas de sonhos no mundo,
sô aspiram
a encher o peto de dinheiro e nada mais.
XXIII
"demostra-me
que nâo temes a
pobreza,ao
ostracismo ou a morte.
Sem esto,a
pesar dos fermosos livros
que poidas
escrever,eres um infeliz."
De feito nâo tenhem limite as esperanças humanas,
nâo fosse
assim e quem foi tantas veces iludido
devia,por lògica,ser
um incrèdulo de profissâo,
mas,ilusâo
do que de sonhos vive sempre retonha.
Hà tanto tempo que gratas novas estou a esperar
que sinto vergonha
de confesar que nâo desistì!
E isso porque
ô converter-se o sentimento em droga
nâo è
possivel renunciar a sua posse e desfrute.
Sim,eu sou possuidor dum certo estupefaciente
que por mais
que um consome jamais desejo sàcia,
pois o poder
de adiçâo e tâo forte como o seu jugo.
E nunca home que em tais redes apresado foi,
pudo airoso
liberar-se sem traumas ou servidumes
que ao desespero
o levam direitinho sem remiçâo.
XXIV
"Prefiriria
que me demostrases
que sabes dominar
as tuas paixâos,
moderar os
teus desejos e sujeitar
à verdade
todas as tuas opiniâos"
Se agora mesmo um desses funcionàrios dos correios
aparece-se
dizendo-me:eis aqui umha missiva!
Eu jà
curado de espanto e de frustaçâos empachado,
a reciviria
como se recolhe dum pàssaro a cagada.
Filho um è da terra donde ele e os seus nascerom,
criaturas que
coabitam com os humanos sâo as aves,
que num voo
vital defequem por necesidade ou acaso
na cabeça
do poeta è qual premio nâo procurado!
Mas,ei aqui que esta minha alma desilusionada,
nâo aceita
prebenda algumha ainda que caia do Cèu,
apesar de ser
o donante um alado mensageiro!
Pois este que pode parecer aos olhos estranhos,
como um ser
cheio de sobervia e mal educado,
sô è
um nescio que està a esperar o que nâo vem!
XXV
"Que cego e
injusto eres! em ti
està
nâo depender mais que de ti
mesmo.E em
troques esforças-te
em desejar
cousas que te sâo alheas."
Ao fim e ao cabo nâo hà um sèculo que
mandei recado
dando conta
de umha obra que bem se podia publicar
maximo quando
tantas alegres e variadas ofertas
aparecem no
mercado vilmente chamado cultural.
Nada eu exigia a troco de possivel popular ediçâo
de livros jà
por mim impressos e por expertos tidos
como autenticos
volumes de impossivel adquisiçâo,
jà que,sô
em bibliotecas famosas se podem achar.
Inutil empenho de quem a dignificar-se aspira,
se na sua bagagem
nâo porta cèdulas que acreditem
opulència,brilho
de àulico bajular e vil submissâo.
Mas,ei aqui que se nesta minha estartelada carroça
sô viajam
sàtiras e denùncias as trapaças do poder,
nâo è
estranho que as respostas tardem milènios.
XXVI
"Se queres
enobrecer ao teu
povo date a
ele ti mesmo depois de
transformar-te
num modelo de perfeita
bondade,generosidade
e justiça."
Poque me dâo nojo certas atitudes humanas,
è porque
sou cada dia mais rebelde e terco,
nâo vivera
eu num pais de hipòcritas impenitentes
e outro seria
o fluir sereno e manso do meu existir.
Mas este è o mundo no que destino me defecou.
Umha pocilga
infecta de enanos bajuladores,
na que home
algum que dignidade porte de seu
è capaz
de suportar sem que sua alma se violente.
Eis porquè,este misero aprendiz de home sincero,
se acha ao
borde do desespero que produze ànsia
de esperar
novas que noutros termos nâo teriam
transcèndencia.
Sô na
imundice em que me acho por direito pròpio,
pois culpado
sou de ser impertinente e atrevido,
tenho justo
premio a esta teima de em algo crer.
XXVII
"Nâo
esqueças que eres actor
dumha obra,curta
ou longa,cujo
autor te confio
um papel determinado
que tens,bem
ou mal, que representar."
Se eu fosse um crente desses que acudem a diàrio
ao santo bem
feitor da sua devoçâo piedosa,
agora mesmo
encomendaria umha solene rogativa
para novas
ter do que tanto alma minha anseja.
Mas,ei aquì que quem tanto fervor demostra
por recever
contestaçâo a insòlita oferta,
como a que
eu fiz um dia de delirium posssuido,
nâo è
capaz de ser de milagreiro algum devoto.
Este triste,jà consumido de tanto embalde esperar,
jamais teve
como norte de seu humilde proceder,
confiar no
que poida estar alem das suas mâos.
Nâo sou incredulo nem me tenho por fanàtico
mas,se um dia
na vida a Deus tenho que rogar,
pola minha
valia o farei,nunca polo aplauso.
XXVIII
"Vas a estar
sempre chorimiqueando
e botando de
menos a teta da tua
mae e as cançâos
e sonatas que de
neno placidamente
te adormeciam?"
Porquè tenho que laiar-me com voz amarga
das misèrias
que ante mim passam imutàveis
quando Deus
me otorgou a capacidade de entoar
em louvor a
felicidade os mais belos cantos?
E sino que acompanha a quem natura deu lucidez?
Nisto como
em tantas outras cousas tem o poeta
motivo de abondo
para erguer a sua voz apaixoada
e bradar a
peito aberto o seu desespero.
Nâo procede expresar aqui naturais sentimentos
que mostrariam
que quem resposta espera a sincera
e ingènua
oferta tem umha resistència limitada.
Mas sim dizer que: se o se ucanto aos iniciados
parece àcido
e estridente è porque se espalha
em ar infecto
de praga pernicisa e sem cura.
XXIX
"Quam grande
è o parecido do
mundo a um
fole.Ainda que vacio
continua rendendo
sem cesar e
quanto
mais se usa mais produz."
"Nâo foi o pàssaro nem a flor os que me disserom:
A que esse
canto se nâo hà ouvidos para escutar?
Para què
tâo belas cores se nâo tem quem as olhe?
Foi umha voz
a que falou: a poesia è para publicar!
Muito meditei no como fazer chegar ao povo
um feixe de
cantigas e lais que de mim brotarom,
e decidi,iluso,propor
a jornal facil dibulgaçâo,
confiando em
que um Deus amigo me inspirava.
Mìsero de mim,quanto mais penso na torpe deciçâo,
mais comigo
me assanho sem o problema resolver,
pois,ou os
correios nâo funcionam ou alguèm cala.
Ainda assim reconheço que as musas me abandonarom
e que tonto
sou de remate por dirigirme ingènuo
a quem sô
tem ouvidos para o tim-tim do dinheiro.
XXX
"Se queres
avançar no caminho
da perfeiçâo
da tua vida interior.
nâo temas
jamais nas cousas exteriores
passar por
imbecil e insensato."
Se um està a escutar a voz divina dum anjo,
que è
a melodia suprema que a todos encanta,
de certo que
pouco lhe resta ao espiritu critico
para ajuizar
a bondade de tâo belo canto.
Assim sucede naste meu constante esperar novas.
Quanto mais
anseio noticias em resposta a ânsia,
menos recevo
mensagens das que se poidam tirar
concluçâos
que para sempre me deixem em paz.
Nâo,a incertidume è umha teima provocadora
que tenhem
os que possuem a chave da porta
que sò
se abre ao que foi do seu capricho eleito.
Mas eu,sô sou um dos que escutou o canto da sereia.
voz sublime
que aos mortais embeleza mansamente,
que vive
como um iluso em sonhos acreditando!
XXXI
"Trata-se precisamente
de lembrar-nos
nas nossas
desgraças,do estado
de conformidade
com que olhamos as
alheas se queremos
ser menos infelices"
E humano o desespero,a frustaçâo,a desesperança.
Nâo fosse
assim e morto estaria de tanto esperar.
Eis porquè
moitos como eu em suicido acharom
fim a um suplicio
que sô conhece quem o suporta.
Aqueles que no seu plàcido viver sô buscam goze
e dessasossega
o nâo satisfacer o seu vil apetite,
pouco ou nada
das inquietudes do poeta entendem
jà que
ao bandulho repugna entrar em disquisiçâos.
Nâo è este o drama de quem de sonhos se alimenta
e degusta com
prazer a iluçâo que dà o aspirar
a transcender
dum mìssero viver para pança encher.
Humano è tamèm alcançar a dita do inocente
que anda a
debulhar um rosàrio de esperanças
que homem mesquinho
jamais desejou para sì.
XXXII
"Quando falas
que te corrigiràs
amanhà
è como se disseras que
desejas ser
hoje desonesto,invejoso,
injusto,pèrfido,vaidoso..."
Que facil è ao poeta escutar mùsica celestial
que tâo
sô na sua mente um coro de anjos executa.
Divino eco
dumha melodia mil veces sonhada
mas que nâo
se ouve mais alà da sua fantasia.
Foi sempre o escravo das musas um iluso
que acredita
ingènuo que de por si tem valor.
Faltelhe essa
chispa prodigiosa da inspiraçâo
e ver-se hà
nu,as suas carèncias ao povo mostrando.
De què estranhar-se se o destino lhe torce a cara?
Nâo è
acaso cegueira que aspirar a tanto o levou?
Se nâo
acha resposta a seu desatino modere-se.
O mundo nâo finda por que um fàtuo sonhador
se laie ao
ver como as suas iluçâos se espatifam.
Essa era a
liçâo que o poeta necesitava aprender!
XXXIII
"O consolo
mais eficaz em toda
desgràcia,em
todo sofremento è
compadecer-se
dos que sofrem mais
do que nôs,e
està ao alcance de todos."
Quise um dia galgar o mais alto cùmio da glòria,
esse que dizem
ser poeta do povo sempre amado,
e nas alas
da fantasia me lancei como um suicida,
cego que estava
por iluçâo que a home sempre perde.
Nâo è um caso insòlito na història
dos humanos.
Quantos como
eu virom espatifadas suas esperanças
nem bem no
platò do teatro da vida asomarom
com vestes
e gestos mais brilhantes que os meus.
Em mim sô se dà o que era logico esperar.
Num mundo que
tem por Deus ao dourado becerro
e sô
se entusiasma aplaudindo ao idolo de turno,
que pode criatura sem fortuna ou arrimo de poder
ajar mais que
frustantes horas de inutil desespero
aguardando
o que nem vil carteiro se digna portar?
XXXIV
"Nâo
è possivel,Oh miseràvel tratarte
mal,nem o faria
ainda que foras
moito peor
do que eres,jà que forom
os Deuses que
te opuserom a mim."
Por viver entre gentes alheias ao transcendental
condenado està
a sofrer o portador de nobres ideais.
Sempre o que
com voz firme deixou ouvir seu canto
de amor e justiça
em pàramos inòspitos achou dolor.
Nâo fora assim e o triste que a laiar-se està
agora
nâo teria
motivos para continuar vida sem fortuna,
atè
parece que o maligno se conjurou cotra ele
sem saber porquè
nem atè quando por nada fazer.
Esta è umha cuita a que sô o tempo darà remèdio,
mentres o poeta
que com paixâo ilusâos forjou
tem que suportar
a canga dum silèncio aterrador.
E sugar o amargo fel da dùvida inexpugnàvel
que mana do
comportamento degradante e impìo
do que oculto
nas sombras nâo se dà por enterado.
XXXV
"E sempre encontram
elementos
da mesma
ralè,de forma que o
mais inepto
e corrupto è o que
mais
aplaudidores tem."
Os sentimentos humanos nâo tenhem valor algum
quando o que
os manipula è um ser degenerado.
De nâo
ser assim esta esperança inutil e terca
teria jà
resposta fora ela possitiva ou nâo.
Mas,aqueles que tenhem como norte da sua vida
abusar do poder
que a sua posiçâo lhes outorga,
jamais repararom
em sentimentos que ao poeta
se lhe antojam
como o cùmeo dum sonho feliz.
O nâo consentir ser objeto de usar e tirar
è delito
imperdoàvel em quem aspira viver ceive
como se jà
nâo exitira bastâo e voz de mando.
Parecido sucede ao que na vida sô olha prodìgios
e ouve melodias
que incitam ao èxtase celestial,
posturas tâo
torpes como ter fè nos poderosos.
XXXVI
"Nâo
pode haber maior suplicio
para o poeta
que escrever para
um povo de
ignorantes e de padecer
o juiço
estùpido dum invècil."
Poquè calar-se a sabendas de que o mundo è assim?
Se a gente
outro hàbito tivera de comportar-se
nâo estaria
eu em trances que lindam no desespero,
pois resposta
ao meu afan qualquer mandado daria.
Mas ei aqui que este iluso,para seu mal,acreditou
que alguèm
um dia notara o seu passo pola vida
e achando notòria
a sua laboura apaixonada,ia
divulgar ,que
ainda tem almas que crêem no amor.
Pèrfida grei que assim trata ao que incauto vai
espalhando
pètalas dumha flo que nâo hà de inzar
pois que a
terra donde caem è inòspita e àrida.
Triste do que espera um càmbio positivo e sincero
na conduta
iniqua de quem nada perderia sendo
home digno
que sabe por pudor respotas dar.
XXXVII
"Tanto hoje
como ontem o oficio de
hipòcrita
tem portentosas vantages,
è arte
tâo respeitàvel que ainda
descoverta
nimguem se atreve denunciar."
Oh quem pudera ser feliz como mansa ovelha
a pascer e
balar tranquilo em verde prado!
mas,um sonho
maligno infectou minha mente
e ando nâo
sei se perdido ou a fugir do redil.
Penas sem conto suporto por seguir terca iluçâo
que com certeça
hà-me levar a infortùnio seguro
donde nâo
ache repouso este meu sofrido corpo
nem a minha
voz encontre eco para se espalhar.
Mas se um fado maligno de cote me està a tentar,
como pode resistir-se
quem proclive è a crer em
fantasticos
mundos com que sonha mente insana?
Nâo sei se è droga ou talismâo que me persegue,
mas intuio
ser desepero o fim que me espera
por ousar cantar
com a voz do leâo!
XXXVIII
"Sâo
os prèmios teias de aranha
para os ingènuos
e cadeias para
os humildes.Subtiles
redes
com que pescam
os poderosos."
Trite dilema atenaça ao que de iluçâos
vive
pois visto
està que o povo sô acepta como genial
a quem o poder
outorga da glòria os louros
trocando a
voz da conciencia no riso do bufom.
E preço que paga toda pedestre criatura
que de por
si pretendeu insensatamente voar.
Comfundir humanos
desejos com sonhadas fantasias
erro è
que caro paga quem de quimeras se fia.
Pobre do que se ve obrigado a ter pena de si
oa saber-se
um iluso que em fatuidades confiou
e como drogado
nâo pode liscar da sua atracçâo.
Diria-se que sua vida è sinònimo de pobre coitado
que vai pola
vida cego a procura dum impossivel.
Dè graças
se como tantos nâo passa privaçâos.
XXXIX
"Querer è
esencialmente sofrer
e como viver
è querer.toda a vida
è por
essència dolor.Quanto
mais se vive
mais se sofre."
Se um sentimento de amargura sustituie a outro
que felicidade
pode achar nesta vida o poeta?
Quanto mais
puro e sutìl è o seu canto emocionado
mais inaudivel
è para os atacados de durdeira.
Tâo imensa è a legiâo dos incapacitados
para ouvir
que nâo
estranha que a cançâo que do peito surge
se perda entre
os ecos difusos de um viver fàtuo
ao que a gente
hoje se acha fatalmente sometida.
Sem esperança nem fè no futuro que ao povo agarda
pouco ou nada
pode dizer voz sonhadora e fogosa
se nâo
for tutelada pola sombra dos que mandam.
Eis o dilema do ser puro que ao apluso renùncia!
Ou se adapta
a viver alheo aos reclamos do mundo
ou perece na
cova dum silèncio estremecedor.
XL
"Devemos ter
a certeza que
sempre atopa
um grande èxito
quem escreve
sô para nescios ou
trivialidades
que ao poder exalçam."
E triste provar como inspiraçâo acude ao infeliz
e isso porque
è a ela que deve a sua aflicçâo.
Diria-se que
a vida do poeta è umha roda viciada
a forjar sonhos
que logo envenenam o fim ansiado.
Nâo fora assim e nâo me veria eu neste trance
em que quanto
mais anelo ver desejo consumado
maior è
a calada com que resposta quem falar devia
e mais insana
è a febre que a esperar me aflige.
E nâo tem cura esta doença maligna e misteriosa,
nem hà
calmante que aminore ou tempere tanta dor.
pois a maior
recavo de resposta maior è desespero.
Condenado està de por vida quem fia da palavra,
verbo antigo
como a mesma sofredora humanidade
que sô
a glòria outorga a quem gera o seu tormento.
XLI
"O espetàculo
da nossa terra è
explendoroso
na sua paisagem exterior,
mas se votamos
umha olhada ao seu
ìntimo,sô
vemos misèria e podredume."
Triste do povo que sô celebra vitòrias alheas,
que nâo
tem de seu motivo para alegrar-se umdia,
pois os seus
membros atrofiados estâo de curvar-se
ante o resplandor
que emana do poder avassalante.
Num meio tâo indigno e repugnante como este
què
pode o altivo poeta senâo hostilidade achar,
sendo como
è o seu brado umha chamada a conciència
que fere a
quem de sentimentos sempre careceu?
Sonhar como um proscrito em pàtrio cham è sino
de quem
sô entende do que ao espisitu alimenta.
seja em clave
de rebeldia seja em formato de denùncia
Mas,ei aqui que este mìsero que tais cousas relata,
tâo sô
è o eco dumha voz que a mente perceve
sem saber de
donde vem nem o tempo que hà de durar.
XLII
"Pode viver
contento e feliz o poeta
ou pensador
na sua època,se esta lhe
permite pensar
ou poetiçar tranquilo
sem ser hotiliçado
num cantinho."
Tem gentes que pensam que jamais estou triste.
Sempre que
coincidem com migo alegre me acham.
Nâo sou
eu de natural arisco nem de caracter osco,
porisso,quem
ao meu lado està nâo capta minha dor.
E destino que empurra alma sonhadora ao sorriso.
Jamais quem
portador è de novas e justas inquietudes
souve fingir
alegria que no seu peiton nâo morara
nem ir pola
vida espalhando amargura e desencanto.
Umha espinha levo cravada na alma por mim mesmo
e dor sem fim
me atormenta impossivel de narrar
mas cousa minha
è e a mim compete sofrer e doer.
Quando de tristuras o poeta fala è da humanidade,
tantas elas
sâo que è impossivel na vida enumerar,
das suas, nâo
deve andar ao povo apregoando.
XLIII
"E surpreendente
e maravilhosa
essa hipersensibilidade
de alguns
a quem fere
tudo que venha do que
nâo tem
titulos ou prebendas."
Tempo tiverom de ponderar a minha in-usual oferta,
se nâo
contestarom foi por motivos desconhecidos,
prudència
subtil aconselha-me a seguir teimando
atè
ofim que nâo perdoa vida humana algumha.
Nâo è com lamentos que se fez e fai o mundo,
nem a història
se escreveu com vàgoas e nada mais.
Nâo,
este curto espaço de tempo chamado vida
mentras dura
tem muitas tarefas para realizar.
Acaso choveu algumha vez que nâo escampara?
Nâo aparece
risonha a bonança apòs o vendaval?
De tripas fez
sempre o homem coraçâo na adversidade!
Consolar-se das ceifadas iluçâos fere o coraçâo,
mas,se as insensiveis
àrvores brotam apòs a poda
porquè
mente fertil hà de secar em plena floraçâo!
XLIV
"Os mais instruidos
sâo os que mais
pronto caem
engailados pola lisonja.
Nâo tem
um que nâo a trague guloso
por mais redìcula
que ala seja."
Se è certo que o poeta nâo è mais que
um mèdium,
a que este
laio continuo em clave de desespero?
Jà se
forom os tempos das pueriles esperanças!
Agora chove
sobre molhado e meditar è meu futuro.
Esperar eternamente novas que jamais chegarâo,
è de
nèscios que confiam tercamente no impossivel.
Se em mim houve
um dia esperanças sem fortuna,
jà cura
achei em respostas que nunca recivi.
Nâo culpo a esse humilde portador de missivas,
nem acredito
num fado nefasto que me persegue.
Sô a
minha fantasia è culpàvel de tanta necedade!
E sendo qual vejo agora o destino um enigma,
creio que jamais
este triste intente umha formula
que nâo
aboque,de seguro,num feliz desenlace.
XLV
"Despreciando
as maneiras,os
pensamentos
e os conceptos dos seus
contemporàneos,criando
sem fazer caso
de que o censurem
ou que o alabem."
Um tras outro despiron-se de folhas as arvores
e conta tomou
a invernia da pomposa naturaleza.
Quiças
em mim tamèm fez o seu labor purificador,
pois vejo como
minhas esperanças rodam polo cham.
Seja eu como esse velho carvalho,robusto e torto,
que hoje se
amostra nuo da sua orgulhosa folhagem
mas que hà
de reverdecer com viçoso e novo esplendor
nem bem despontem
os primeiros raios da primavera.
Se jà mortas apodrecem na esterqueira do mundo
as minhas bem
amadas iluçâos,ainda onte louçanas,
tempo virà
em que outras brotem no seu lugar.
A roda da vida jamais para no seu eterno girar,
cumple ao poeta
conducir a sua azarosa existència
atè
que ao fim seus sonhos se tornem realidade.
XLVI
"Quem realmente
gozou mais
intensamente
que aquel que teve
momentos em
que o seu eco se perceveu
atravès
do ruido dos sèculos?"
Tempo è jà de deijar de sonhar com gratas novas,
è mais,se
acaso noticias tiver seriam negativas,
quiçàs
aparentando umha simpatia nunca sentida,
ou por ficar
bem quando para elo houve tanto tempo.
Nâo sei ao certo qual è o valor real da minha obra
pois jamais
souve pai librar-se do sìndrome filial
e filhas sâo
da minha mente as obras que parì.
Seja o tempo
quem peneire e ditamine seu valor.
Mas ,se um dia o povo se topar com fruto de proveito
sincero sou
admitindo que mais que a mim se lhe deva
a quem tâo
burdamente souve com aleivosia portar-se.
Essa imunda caste de manipuladores do sentimento
è digna
merecedora do meu pùblico reconhecimento,
pois no seu
mutismo trinquei a luz que me fugia!
XLVII
"Nâo
consiste a felicidade
em adquirir
e gozar e sim em
nâo desejar.Nesto
è no que o
home assenta
a sua sabiduria."
Se um dia volto a teimar na mesma iniqua empresa,
de dar via
livre ao meu rosàrio de pueriles iluçâos
bem merecido
terei entâo oprobrio nâo desejado
que por aleivosia
justiça me deve diligente impor.
Aquel que estupidamente qual azèmila bruta e terca
tropeça
mais dumha vez na mesma visivel pedra,
a què
pode aspirar na sua groseira e inutil vida
senâo
a um nojento viver em perpètuo desespero?
Triste de quem anseja o lume que ao poeta abraça!
Se arde voraz
na sua alma,em vida se consome,
se nâo
acende desejo no peito,ao nascer fenece.
Serà esse o meu caminho,meta final e sem retorno?
Acabarâo
aqui ànsias tâo fùtis como dolorosas?
Pena que tâo
sô um novo sonho desvele tal enigma!
XLVIII
"Ate resulta
comico esse convencimen-
to de tantas
pessoas que obram como se
fossem as ùnicas
reais e os semelhantes
nâo
passaram de sombras,puros fantasmas."
Se os caminhos puderam dar conta de toda andança
quantas
cousas nâo mostraram do meu azarado viver!
Pois
sou eu esse impertinente forjador de sonhos
que sem querer
seu anelo vai aos poucos debulhando.
Agora que esperança morta età,tùmulo
tenha,
tâo
grande como silèncio que sempre me acompanhou,
pois
jamais home que piamente confiou no semellhante
mereceu cova
tâo grandiosa como a que se me deve.
No profundo mistèrio do humano comportamento
nada
se vislumbra depois do que se dize ùltimo acto,
paròdia,
dirâo os que sabem,da tragèdia da vida.
Mas o misero poeta que sonha com voar qual um fènix
jamais
renùncia a cùmeos para o mortal incesiveis
pois sentimentos
porta que se nutrem de suas cinzas.
XLIX
"E um objetivo
que o poeta
estima mais
que tudo e polo qual
leva coroa
de espinhos que algum
dia se transformarâo
em louros."
Jà tudo foi consumado e nada o poeta espera
deste mundo
que è seu amigo,traidor e inconsequente.
Servam estas
palavras de consolo a quem esperando
passou vida
inutil,vâo e indigna de ser lembrada.
Porende a vida modela ao home por terco que seja
e se fantasia
que mente calurenta um dia engendrou
nâo teve
campo fertil para inçar como era seu desejo
tempos virâo
em que em viçosa e fertil terra brote.
Nâo tem poquè alma sonhadora sucumbir ao desespero
pois quem esperanças
soube um e outro dia forjar
tem capacidade
de abondo para os reveses superar..
Nâo fora assim e o mundo um deserto imenso seria,
nâo de
homes e bestas que nos rebanhos se fundem
e sim de nobres
ideais que sô a alma satisfazem.
L
"Tem que ser
um instinto especial
o que estimula
ao poeta para expresar
o seu sentir
em obra duradeira sem
ter consciència
de outro motivo."
A todos aqueles que um dia qual eu sonharom
com ver sua
obra espalhada polo pàtrio cham
vâo estas
ùltimas emocionadas polavras minhas
a jeito de
envio de quem novas esperou em vâo.
Quem hoje cala nâo renuncia a perseguir impossiveis
pois està
na exència do seu ser o teimar constante
atè
achar um dia essa subtil luz etèrea e terca
que alumea
aos puros sem saber porquè nem como.
Nâo fora assim e melhor seria o silèncio da morte
em escura fossa
que a todos acolhe no seu dia
ante a baixeza
de renunciar a forjar fantasias.
Destino feliz è do poeta idear possiveis mundos
donde amor
e justiça estejam ao alcanço do povo
ainda que alma
por ansiedade sofra tanto desespero.