DESDE SANTIAGO DE COMPOSTELA
PARA O MUNDO, CHANKECHAM,
PRESENTA EM DOMÎNIO PÛBLICO:

O LIVRO DO DESESPERO



                                                                   
 

Eis aquì a musa,de nome VIRGINIA,que inspirou a obra toda de

 CHANKECHAM

 
Incunàbulo para o terceiro milènio
Impresso com tipos talhados a mâo polo autor.
As orlas e as estampas tambèm forom realizadas a mâo
por Chankecham.



Bibliotecas donde se pode consultar este Livro:
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O livro do Desespero contem ciquenta sonetos,todos
eles encabeçados por umha màxima
de colheita alhea e outras tantas estampas a todo color.


 
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Nota
Por motivos alheos a bontade do autor, este livro digital,
Apresenta-se deminuido,algo em tamanho e
muitoem
nitidez.O dia em que os servidores
ou a internet evolucionem, o autor sentira-se feliz
oferecendoo na sua ediçâo real. 

I
"Porque certo è de toda certeça
     que o que nâo obtem o que deseja
   è desgraçado,como infeliz o
   que atopa com o que temia"

Hoje,segunda feira,dia vinte do mes de Abril.
Luns de pàscoa florida,entre nôs assim se fala,
mandei para o meu mal,quem mo ia dizer!
umha carta à um jornal de tantos que tem no pais.

Chankecham,alì escrevì no nosso degradado idioma,
sìmbolo dum povo tâo nobre como vilipendiado,
humilde fabulador,glorioso desconhecido,
oferece a tâo ilustre jornal todos seus livros

Aqui nôm hà titulos nem premios nem prevendas,
aqui sô hà obras para dibulgar,palavras sobram,
entre vìrgulas estampei este aforismo com moito tino.

Pobre poeta que tâo confiado è como pedante,
pensei logo,mentras no buzâo com mâo trèmula
o calvàrio do meu desespero ia servindo!


II
 "Cada vez que te sintas alcançado
   por um desejo pertubador apressura-te
 a dizer: Bem te conheço.,
 puro engano eres e nada mais"

Nem bem passarom vinte-quatro inefàveis horas
e jà ansiedade começa a picar e escozer.
Vil anelo que atè à cova ao poeta acompanha
por esse seu mundo de impertinentes sonhos.

Destino bem triste tem o que de fantasias vive
alimentando-se de iluçâons e falaces esperanças
que o atenazam em tùpida e invisivel rede
feitiço dum falso espelhismo de dita ansiada.

Nâo è em vâo que o louco visionàrio treme
de angustias e quimeras na sua mente fabricadas
pola alucinògena droga da fàtua glòria.

Ansejo que alma e alento vai minando,
esse de querer tocar o vêu luminoso da felicidade
que supoe atingir o fim supremo dum grato acontecer.


III
"Se aspiras a que jamais teus desejos
se vejam frustados,faz simplesmente
umha cousa bem singela: Nâo
ansies senâo o que de ti depende."

Nâo tem principio nem fim o desejo de glòria,
ele começa quando bem entende e quer antojo,
se trava acha que o detenha no seu propòsito
essa è  dor de coraçâo de infeliz sonhador.

Esperar coisa que afan ardentemente anseia
è como caminhar por àridos desertos sem luz,
vida errante de criatura esquecida da mâo de Deus
que nâo acha lugar donde pousar cansada cabeça.

Eres ti ansiedade tal-qual iluçâo fugitiva
que aos trechos vas pisca que pisca pola estrada
que leva direitinho ao pais das boas novas.

Mas,eis que coraçâo apaixonado que te segue
sô acha trampas que alegre e sem tino espalhas
para que home crèdulo fatal meta ao fim ache!


IV
"È infeliz acaso o cavalo
por nâo poder cantar?Em modo
algum.Seriao em verdade se
nâo pudesse correr livremente."

Pobre alma que a esperar impossiveis se aflixe!
Porquè quem tem fortuna se hà de abaixar
a responder absurdos que ilusâo gera e aborta?
Nâo è destino de alma sonhadora sofrer e calar?

Oh ansiedade que a coraçâo paralisa como vìbora
que sigilosa se arrasta pola selva da indiferença,
jà me encubaste o germem dum desejo insaciàvel
que ao desespero me leva como a vil despojado!

Quanto tempo me resta para sofrer frustaçâos
que a nâo ser paciente hâo me de matar!
Agora que jà a roda do destino gira sem freio,

sô tristeza acompanha a quem dia e noite
pretende achar resposta a inquietudes que o sonho
alimenta com fartura mas nâo sabe digerir!


V
"Aqueles que nascem na riqueza
e nâo conhecem necessidade algumha
nem a imaginar-se chegam que pode um
dia faltar-lhes o que lhes sobra"

Oh ti que exerces de mensageiro do Cèu,
criatura que o comum dos mortais nâo conhece,
dime:quando este que em ti cego confiou
hà de ser agraciado com novas tâo desejadas?

Nâo è tempo de pretestos ou dilaçâos arrazoar
pois quem resposta espera a suas pretensâos
sô pode,por moito confiado que seja,intuir
que foi da tua mâo vilmente abandonado.

È hora jà de que as mensagens sinceras voem!
Anelos tenho de que sejam gratas e positivas
mas trevas e silèncios sô acho neste triste dia!

Quiças amanhâ umha alvorada de sana alegria
acaricie esta minha alma de ànsias cangada
de jeito com que logo um canto de glòria te faça!


VI
"De què serve a fama e o ouro
se todos os nossos pensamentos,
desejos e actos evidènciam o
barro de que estamos feitos"

Esperança,essa caprichosa ficçâo da mente
anda a teimar que hoje grata nova me espera
pois,carta no lar com certeza ei de atopar
dando resposta a todos os meus ardentes desejos.

Que ideia em mente sometida ao devaneio
nâo è capaz de soster fè cega no impossivel?
Acaso quem delira se diferença em algo do louco?
Nâo acho dissimilhanças factiveis de ponderar!

No grato discorrer das felices lembranças
o homem acha momentos de tenra iluçâo.
mas quem de ànsias està possuido que pode esperar

a nâo ser esta dor maligna e penetrante
que de angustias o peito indefenso lacera
por anelar goze negado a quem de iluçâos vive!


VII
"Estimaràs umha vibora polo simples
 feito de vela numha caixa de ouro?
Deixarà acaso de inspirar-te menos terror
e menos recelo a sua pezonha?"

De què ao homem serve,oh Deus,umha mente fertil
se a teimar està sempre com cousas impossiveis!
Esperar polo que nâo vem è quimera inutil,
assim como manter esperanças que jamais insarâo.

Hà tanta aflicçâo em mim por a desejo respostar
que mais dumha vez penso que a delirar estou
como um drogado por nefasto e maldito narcòtico
que o afan de posse e desfrute consome e corroe.

È destino maligno este ou fado cego e mal feitor?
Nâo sei nem creio que a minha torturada mente
chegue a comprender quem è do meu tormento causa.

Sô posso atinar nesta pisca de lucidez que me resta,
que as iluçâos nâo alimentam nem de sonhos se vive
e que pese a nâo ser adicto a nada ànsia me devora.


VIII
"Nâo intentes passar por sàbio.
e se certas gentes te consideram
como tal,desconfia,nâo delas
mas sim de ti mesmo."

Serà possivel que alma atormentada jamais desista
de alimentar quimeras que tâo sô em sonhos vivem?
Triste do que arrastando vai pola terra sem fortuna
um corpo impuro donde sô aninham torpes ilusâos!

Arremeter contra o mensageiro nunca foi sensato
pese a que mente aflita sempre de sentido careceu
mas,momentos tem em que o pensar torto induce
a esperar celo em quem sô indiferença amostra.

Que te eu fiz,Oh servidor de cobiçadas novas?
Porquè a todos atendes presto e amim esqueces?
Sou eu um ente nefasto ao teu afan cumplidor?

Nâo, tu nâo es mais culpado do meu infortùnio
do que eu sou de aparecer aos olhos dos hipòcritas
como um redìculo semeiador de falsas esperanças.


IX
"Nâo esquesas que sâo os ricos,
os reis e os tiranos os que dâo
os personagens as tragedias.Os humildes
sô aparecem nos coros e nas danças."

Porquè me ei de procurar de cousas
que ao meu alcanço nâo està possivel soluçâo!
Se mais um sou entre tantos sofredores de oficio
para què aumentar com pueriles esperanças a dor?

Nâo hà nem um sô mortal neste traidor mundo
que por desejos nâo tenha obsurdamente sofrido
maxime aquel que de humana fèmea nasceu
sem fortuna,sem arrimo,nem poder,nem valedor.

Hoje espero sosegadamente umha grata noticia,
alma minha preparada està para ansiada alegria,
se acaso as novas nâo forem gratas resignarme-ei.

Contento da vida como è norma do ser liberado
começarei a planejar outra inusual proposta
ainda que certeira me leve a parelha frustaçâo!


X
"Nâo tens porquè liberar a terra
de mostuos poque nâo eres um
Deus,porende,podes liberar-te desses
monstruos formidàveis que levas em ti."

A que venhem esses lais que nada resolvem?
Acaso conflitos de alma por ansejo possuida
se solucionam suspirando a luz do luar?
ou serà que chorando como neno sumem sem mais!

Eu como tantos sou um esfameado de paz
que mente atribulada por inquietudes tem
e penar parece ser meu inexoravel destino
mentras resposta nâo ache apaixonado empenho.

Nâo culpo ao probo funcionàrio que alegre reparte
sobres de alvo color a quem deles nâo precisa.
Nem serei juiz e verdugo de quem me atormenta..

Serei esso sim,umha alma revelde e contestatària
com o modelo de viver que me quer impor umha
sociedade que jamais elimentei com os meus sonhos!


XI
"Se näo depende de ti escolher
o papel que tens que representar
 no teatro da vida,sim depende
o representalo com dignidade"

Se agora mesmo chegases,Oh bendito mensageiro!
juro que jamais mortal como eu feliz achases
pois que alegria e gozo tâo festivamente celebrado
sô è possivel em resposta a iluçâos jà perdidas.

Levo tempo nâo contado  a esperar a tua mensagem,
sofrì nâo sei quanto nem como è possivel de suportar
mas, se agora mesmo apareceras,Oh nobre funcionàrio!
todas as cuitas daria por bem sofridas e pagadas.

Mas ei aqui que do teu passo por esta nâo hà rasto
nem sombra da tua presença lembro de ter visto,
console-me o crer que se nâo vens,nâo es culpado.

Nâo,erauto de iluçâos que um dia insensato semeei!
culpàvel è ousadia por ter-me do obsurdo confiado,
como se for possivel trocar sonhos em realidades.


XII
"Que fiz hoje? Esquecì algo que devia?
Descuidei algumha lisonja que lhe ouve-se
agradado?Escapou-me qualquer
 verdade que o pudo desagradar?

Com fume tem quem paga abnegaçâo constante.
Ai de aquel que como eu a esperar està quimeras
pois iluçâo è pretender que voz fraca se escute
longe se nâo leva por companha da glòria o lume.

Mente quem nâo atina a discernir oscuros intereses,
nâo passa de ser oca caveira e sem miolos,
tal parece ser esta cachola que a pretender ousou
que sua voz ao povo em formato de imprenta chegara.

Se tâo grande foi ousadia ninguem se estranhe
que sofremento me embargue tâo fero e voraz
facendo-me as veces de febre dilirar e tremer.

Suor frio e quente a vez fende minha testa
mentras os dentes repenicam a salmodiar feitos
como este tâo comum de dar a calada por resposta.


XIII
"Levanta os olhos ô Cèu e diz ao teu
Deus:servete de mim como melhor
te agrade pois nada ei de recusar
do que te servires enviar-rme"

Se tem um ser que as angustias humanas conta
nâo o sei nem creio que tenha quem o saiba,
sei,esso sim,quantas sâo as bolas de pâo àcido
que umha desventura obsurda me poe por dieta.

Grande pecado foi o pretender beijar a glòria
roçando com estes meus làbios o seu velo sedutor.
Se minha fora a potestade de ter nascido mudo
juro que ante a ànsia que me roe tal demandasse.

Mas ei que o homem nasce sem o seu consentimento
e desejos brotam em alma sem aviso nem licença
tal como surgem entre rochas as bulideiras fontes.

Assim sem arte nem parte vou com esta dor as costas
debulhando sonhos que consciente jamais entendeu
e sofrendo ansejos que iluçâo no peito espetou.


XIV
"E assim a tua pobre inteligència,
deste jeito anajenada,nâo passarà
de ser um objeto mais,pero
que inutil, torpe e feio."

Nâo hà esperança para quem condenado foi antes de pecar.
Este è o caso de aquel que como eu anda sonhando
com ver um dia sua obra espalhada entre o povo.
porque divulgada foi por quem tinha bontade e poder.

Nâo è possivel ao forjador de mundos de ensonho,
tal meta alcançar se nâo someter o seu alvedrio
ao interès do que manda e se fai docilmente obedecer,
outer nascido no pais das felices iluçâos.

Acà na terra que meus pês pissam e a diàrio pateam,
è impossivel ser revelde e manso ao mesmo tempo.
Ou se abaixa um servilmente sem paliativos ou ceremònias,

ou se segue altivo a desafiar ao poder cegador,
atè que deslumbrado com tanto brilho ante sì,
sô lhe resta ao infeliz cominhar para a perdiçâo.


XV
"Deixei de aplaudir algum dos
seus defectos,de alabar algumhas
das suas parvadas ou de dar o meu
assentimento as suas estupideces?"

Mìsero eres,oh portador de ansiadas novas!
Quanto tempo hà que este que tu sempre esqueces
espera umha simples missiva chamada carta
que remate com esse seu desejo sempre frustado!

Suor frio empana minha terca testa,
porque ànsia febril de olhar seu empenho
tornar-se positivo,trastornam alma dolorida
e corpo,num ser em perpètuo desespero.

Jamais de mim sairà palavra que te ofenda,
mensageiro que tu eres de qualquer recado,
ainda que te olvides deste que sempre te recorda!

Nunca te destoarei,oh pròdigo e humilde carteiro!
Pois ti,te encargas inocente,de opròbio saciar-te
deixando-me assim a esperar o que nunca chega.


XVI
"Nâo è suficiente soster-se a plena
luz,quando as miradas estâo fixas
em nôs,è preciso resistir quando se
està sô,atè nas trevas da noite."

Porquè tes ti oh coraçâo meu,de sofrer vaidades!
Acaso nâo eres parte dum todo que è o meu ser?
Criatura infeliz esta que nâo acha paz de seu
porque desejo o possue de transcender o efèmero.

Sosego vìscera que da vida humana es motor!
Nâo pules de falsa alegria esperando gratas novas
nem te aletargues porque o teu latejar è ignorado!
Essas sâo teimas que ao todo compete soster.

Eu sou o culpàvel de ousar atingir impossiveis
e se tal empenho desborda a minha capacidade,
doer-me è justo premio a tâo malogrado anelo.

Mas seja todo o meu ser,corpo e alma,
o que sofra castigo tâo inutil outorgado,
e nâo ti,coraçâo,do meu viver suporte e amparo.


XVII
"Tendo-me criado a divinidade
em mim està e comigo a levarei
seja a donde seja e
no estado em que for"

As vaces penso que è preferivel morte a vida
na que tudo quanto um deseja lhe è vedado.
Humano è aspirar ao que trascende e perdura
e nâo o conseguir tâo doloroso como frustante

Mas,ei que quem de iluçâos e fertil produtor,
nâo desiste de ir pola vida semeando esperanças
ainda que seja em terra que se a florescer chega
jamais pode reclamar por direito em propiedade.

Nâo,o que lavra em campos de comum domìnio
sô pode ter a dita de ver como o povo recolhe
o fruto para seu bem e fartura sem o disipar.

Triste tem que ser a vida,do que planta com afan
em terra sua,semente frondosa e de grato sabor.
mas que se perde porque a ninguem dà proveito.


XVIII
"Hà que resistir a glòria como
a calùnia,a misèria,a lisonja.
Numha palavra,tem que sair um
sempre victorioso,atè em sonhos."

Um suor frio recorre meu corpo e alma faz tremer,
tal qual adicto a droga que o possue e consome,
assim è o viver de aquel que o destino condenou
a soster-se das esperanças que iluçâo engendra.

Este mìsero que incosciente à dita ousou aspirar.
remetendo seu sentir a jornal de parecer propicio,
hoje sofre como todos os que ousadia alentou
a voar por esferas alheas ao seu cotidiado viver.

Agora,como sonàmbulo que ficçâo misteriosa atrae,
vai indo aos tombos por essa estrada sem retorno
que com ansiedade e desejo ao adito atenaza.

Sem cura factivel nem elixir que o poida calmar,
è seu destino sofrer atè que a morte o libere ou o sonho,
nas mesmas redes que ele teceu,o arraste a novo desespero.


XIX
"Pero queda-te o prazer de pensar
que obedeces ao teu destino e que
a teu jeito cumples com os deveres
dum homem justo e bom."

Alma solitària que pola vida indo vai,
sem mais bagagem que os seus humildes sonhos,
fezes dumha mente calurenta que os defecou
e nâo topa terra propicia para com eles adubar.

Este è signo de todo aquel que galgar pretende
ao cùmeo quando nâo tem mais energia de seu
que a que mana dumha voz viril em pais castrado.
como este por tantos bos e generosos reconhecido.

Nâo me chamo a engano com verbas amanhadas,
nâo,eu sou esse condenado a parir brados
que o povo detesta porque ferem seus ouvidos.

Sim,umhas gentes acostumadas a escutar gabanças
dos que ao poder aspiram atraves do voto ùtil,
nâo podem ouvir falar do que nunca triunfou.


XX
"Ao Sol nâo hà que rogarlhe para
que nos dè a cada um,um pouco de
calor e de luz.Deste jeito dà tudo
quanto poidas,sem que to pidam"

Se tenho que sofrer polo feito de que minha voz
jamais se hà escutar entre o povo indiferente.
nâo è nada novo neste mundo e menos nesta terra.
Aqui jazem moitos que como eu clamarom no deserto.

Mas este facto nâo è òbice para quem alimenta
no seu coraçâo fecundo,ideas paridas de sonhos,
se apouque e logo desista de desbravar pacelas
que com urgència necesitan de arado e semente.

Umha rega a tempo e umha sacha purificadora,
podem realizar o milagre de que aridos campos
devenham num belo florescer e grato frutificar .

Nâo fora esta esperança,tantas veces frustada,
e o poeta,esse mìsero portador de doces ilusâos,
nâo teria motivo para persistir na sua inutil vida.


XXI
"E que pensas acaso que a
natureza te dotou de raciocinio tâo
sô para fazer-te desgrasado e mais
infeliz que os mesmos animales?"

Doe confesar que um acredita em sonhos puèriles,
mas,sinceridade se impoe a home de nobre vocasâo,
por tal.confeso que feliz fuì quando dormindo
umha voz me pressagiava:gratas novas vas a ter!

Pobre sonhador impenitente e contumaz!
O dia passou e como sempre aqui estou a esperar,
essa resposta que me tenta e provoca um desejo
que para meu mal me leva a delirio e desespero.

Porende,nâo hà de tardar ilusâo em aparecer
recordande-me com doces e melosas palavras,
que è culpa dos correios que sempre mal funcionam.

Glòria a ti,oh  instituçâo perversa e desleixada!
Nâo fora a tua negligència e quantos se veriam,
despidos de honra,suas vergonhas mostrando!


XXII
"E ainda que o teu ingènio perdure
porque dele brotarom algumhas flores.
na realidade o teu Eu morto està,pois
as suas raizes queimou-nas a vaidade."

Nengum home è tâo feliz como o que espera
gratas respostas a desejos mil veces sonhados.
Doce è seu dormir e gostosa a sua lavoura
se nada trunca o seu embeleço atè noticias ter.

Mas, ei aqui que quando as novas nâo chegam,
pois largas lhe vai dando quem tem que responder,
amargo sabor enche boca e peito opime ao que em
fantasias inverteu  o tesouro das suas esperanças.

Este mìsero que agora se laia foi um dia ditoso,
sonhando que quem ao povo algo tem que transmitir,
polos jornais o podia fazer,a custo da sua valia.

Ai de mim,que nescia,estùpida e groseira vaidade!
Os jornais,como tantas fâbricas de sonhos no mundo,
sô aspiram a encher o peto de dinheiro e nada mais.


XXIII
"demostra-me que nâo temes a
pobreza,ao ostracismo ou a morte.
Sem esto,a pesar dos fermosos livros
que poidas escrever,eres um infeliz."

De feito nâo tenhem limite as esperanças humanas,
nâo fosse assim e quem foi tantas veces iludido
devia,por lògica,ser um incrèdulo de profissâo,
mas,ilusâo do que de sonhos vive sempre retonha.

Hà tanto tempo que gratas novas estou a esperar
que sinto vergonha de confesar que nâo desistì!
E isso porque ô converter-se o sentimento em droga
nâo è possivel renunciar a sua posse e desfrute.

Sim,eu sou possuidor dum certo estupefaciente
que por mais que um consome jamais desejo sàcia,
pois o poder de adiçâo e tâo forte como o seu jugo.

E nunca home que em tais redes apresado foi,
pudo airoso liberar-se sem traumas ou servidumes
que ao desespero o levam direitinho sem remiçâo.


XXIV
"Prefiriria que me demostrases
que sabes dominar as tuas paixâos,
moderar os teus desejos e sujeitar
à verdade todas as tuas opiniâos"

Se agora mesmo um desses funcionàrios dos correios
aparece-se  dizendo-me:eis aqui umha missiva!
Eu jà curado de espanto e de frustaçâos empachado,
a reciviria como se recolhe dum pàssaro a cagada.

Filho um è da terra donde ele e os seus nascerom,
criaturas que coabitam com os humanos sâo as aves,
que num voo vital defequem por necesidade ou acaso
na cabeça do poeta è qual premio nâo procurado!

Mas,ei aqui que esta minha alma desilusionada,
nâo aceita prebenda algumha ainda que caia do Cèu,
apesar de ser o donante um alado mensageiro!

Pois este que pode parecer aos olhos estranhos,
como um ser cheio de sobervia e mal educado,
sô è um nescio que està a esperar o que nâo vem!


XXV
"Que cego e injusto eres! em ti
està nâo depender mais que de ti
mesmo.E em troques esforças-te
em desejar cousas que te sâo alheas."

Ao fim e ao cabo nâo hà um sèculo que mandei recado
dando conta de umha obra que bem se podia publicar
maximo quando tantas alegres e variadas ofertas
aparecem no mercado vilmente chamado cultural.

Nada eu exigia a troco de possivel popular ediçâo
de livros jà por mim impressos e por expertos tidos
como autenticos volumes de impossivel adquisiçâo,
jà que,sô em bibliotecas famosas se podem achar.

Inutil empenho de quem a dignificar-se aspira,
se na sua bagagem nâo porta cèdulas que acreditem
opulència,brilho de àulico bajular e vil submissâo.

Mas,ei aqui que se nesta minha estartelada carroça
sô viajam sàtiras e denùncias as trapaças do poder,
nâo è estranho que as respostas tardem milènios.


XXVI
"Se queres enobrecer ao teu
povo date a ele ti mesmo depois de
transformar-te num modelo de perfeita
bondade,generosidade e justiça."

Poque me dâo nojo certas atitudes humanas,
è porque sou cada dia mais rebelde e terco,
nâo vivera eu num pais de hipòcritas impenitentes
e outro seria o fluir sereno e manso do meu existir.

Mas este è o mundo no que destino me defecou.
Umha pocilga infecta de enanos bajuladores,
na que home algum que dignidade porte de seu
è capaz de suportar sem que sua alma se violente.

Eis porquè,este misero aprendiz de home sincero,
se acha ao borde do desespero que produze ànsia
de esperar novas que noutros termos nâo teriam
                                                                           transcèndencia.
Sô na imundice em que me acho por direito pròpio,
pois culpado sou de ser impertinente e atrevido,
tenho justo premio a esta teima de em algo crer.


XXVII
"Nâo esqueças que eres actor
dumha obra,curta ou longa,cujo
autor te confio um papel determinado
que tens,bem ou mal, que representar."

Se eu fosse um crente desses que acudem a diàrio
ao santo bem feitor da sua devoçâo piedosa,
agora mesmo encomendaria umha solene rogativa
para novas ter do que tanto alma minha anseja.

Mas,ei aquì que quem tanto fervor demostra
por recever contestaçâo a insòlita oferta,
como a que eu fiz um dia de delirium posssuido,
nâo è capaz de ser de milagreiro algum devoto.

Este triste,jà consumido de tanto embalde esperar,
jamais teve como norte de seu humilde proceder,
confiar no que poida estar alem das suas mâos.

Nâo sou incredulo nem me tenho por fanàtico
mas,se um dia na vida a Deus tenho que rogar,
pola minha valia o farei,nunca polo aplauso.


XXVIII
"Vas a estar sempre chorimiqueando
e botando de menos a teta da tua
mae e as cançâos e sonatas que de
neno placidamente te adormeciam?"

Porquè tenho que laiar-me com voz amarga
das misèrias que ante mim passam imutàveis
quando Deus me otorgou a capacidade de entoar
em louvor a felicidade os mais belos cantos?

E sino que acompanha a quem natura deu lucidez?
Nisto como em tantas outras cousas tem o poeta
motivo de abondo para erguer a sua voz apaixoada
e bradar a peito aberto o seu desespero.

Nâo procede expresar aqui naturais sentimentos
que mostrariam que quem resposta espera a sincera
e ingènua oferta tem umha resistència limitada.

Mas sim dizer que: se o se ucanto aos iniciados
parece àcido e estridente è porque se espalha
em ar infecto de praga pernicisa e sem cura.


XXIX
"Quam grande è o parecido do
mundo a um fole.Ainda que vacio
continua rendendo sem cesar e
 quanto mais se usa mais produz."

"Nâo foi o pàssaro nem a flor os que me disserom:
A que esse canto se nâo hà ouvidos para escutar?
Para què tâo belas cores se nâo tem quem as olhe?
Foi umha voz a que falou: a poesia è para publicar!

Muito meditei no como fazer chegar ao povo
um feixe de cantigas e lais que de mim brotarom,
e decidi,iluso,propor a jornal facil dibulgaçâo,
confiando em que um Deus amigo me inspirava.

Mìsero de mim,quanto mais penso na torpe deciçâo,
mais comigo me assanho sem o problema resolver,
pois,ou os correios nâo funcionam ou alguèm cala.

Ainda assim reconheço que as musas me abandonarom
e que tonto sou de remate por dirigirme ingènuo
a quem sô tem ouvidos para o tim-tim do dinheiro.


XXX
"Se queres avançar no caminho
da perfeiçâo da tua vida interior.
nâo temas jamais nas cousas exteriores
passar por imbecil e insensato."

Se um està a escutar a voz divina dum anjo,
que è a melodia suprema que a todos encanta,
de certo que pouco lhe resta ao espiritu critico
para ajuizar a bondade de tâo belo canto.

Assim sucede naste meu constante esperar novas.
Quanto mais anseio noticias em resposta a ânsia,
menos recevo mensagens das que se poidam tirar
concluçâos que para sempre me deixem em paz.

Nâo,a incertidume è umha teima provocadora
que tenhem os que possuem  a chave da porta
que sò se abre ao que foi do seu capricho eleito.

Mas eu,sô sou um dos que escutou o canto da sereia.
voz sublime que aos mortais embeleza mansamente,
 que vive como um iluso em sonhos acreditando!


XXXI
"Trata-se precisamente de lembrar-nos
nas nossas desgraças,do estado
de conformidade com que olhamos as
alheas se queremos ser menos infelices"

E humano o desespero,a frustaçâo,a desesperança.
Nâo fosse assim e morto estaria de tanto esperar.
Eis porquè moitos como eu em suicido acharom
fim a um suplicio que sô conhece quem o suporta.

Aqueles que no seu plàcido viver sô buscam goze
e dessasossega o nâo satisfacer o seu vil apetite,
pouco ou nada das inquietudes do poeta entendem
jà que ao bandulho repugna entrar em disquisiçâos.

Nâo è este o drama de quem de sonhos se alimenta
e degusta com prazer a iluçâo que dà o aspirar
 a transcender dum mìssero viver para pança encher.

Humano è tamèm alcançar a dita do inocente
que anda a debulhar um rosàrio de esperanças
que homem mesquinho jamais desejou para sì.


XXXII
"Quando falas que te corrigiràs
amanhà è como se disseras que
desejas ser hoje desonesto,invejoso,
injusto,pèrfido,vaidoso..."

Que facil è ao poeta escutar mùsica celestial
que tâo sô na sua mente um coro de anjos executa.
Divino eco dumha melodia mil veces sonhada
mas que nâo se ouve mais alà da sua fantasia.

Foi sempre o escravo das musas um iluso
que acredita ingènuo que de por si tem valor.
Faltelhe essa chispa prodigiosa da inspiraçâo
e ver-se hà nu,as suas carèncias ao povo mostrando.

De què estranhar-se se o destino lhe torce a cara?
Nâo è acaso cegueira que aspirar a tanto o levou?
Se nâo acha resposta a seu desatino modere-se.

O mundo nâo finda por que um fàtuo sonhador
se laie ao ver como as suas iluçâos se espatifam.
Essa era a liçâo que o poeta necesitava aprender!


XXXIII
"O consolo mais eficaz em toda
desgràcia,em todo sofremento è
compadecer-se dos que sofrem mais
do que nôs,e està ao alcance de todos."

Quise um dia galgar o mais alto cùmio da glòria,
esse que dizem ser poeta do povo sempre amado,
e nas alas da fantasia me lancei como um suicida,
cego que estava por iluçâo que a home sempre perde.

Nâo è um caso insòlito na història dos humanos.
Quantos como eu virom espatifadas suas esperanças
nem bem no platò do teatro da vida asomarom
com vestes e gestos mais brilhantes que os meus.

Em mim sô se dà o que era logico esperar.
Num mundo que tem por Deus ao dourado becerro
e sô se entusiasma aplaudindo ao idolo de turno,

que pode criatura sem fortuna ou arrimo de poder
ajar mais que frustantes horas de inutil desespero
aguardando o que nem vil carteiro se digna portar?


XXXIV
"Nâo è possivel,Oh miseràvel tratarte
mal,nem o faria ainda que foras
moito peor do que eres,jà que forom
os Deuses que te opuserom a mim."

Por viver entre gentes alheias ao transcendental
condenado està a sofrer o portador de nobres ideais.
Sempre o que com voz firme deixou ouvir seu canto
de amor e justiça em pàramos inòspitos achou dolor.

Nâo fora assim e o triste que a laiar-se està agora
nâo teria motivos para continuar vida sem fortuna,
atè parece que o maligno se conjurou cotra ele
sem saber porquè nem atè quando por nada fazer.

Esta è umha cuita a que sô o tempo darà remèdio,
mentres o poeta que com paixâo ilusâos forjou
tem que suportar a canga dum silèncio aterrador.

E sugar o amargo fel da dùvida inexpugnàvel
que mana do comportamento degradante e impìo
do que oculto nas sombras nâo se dà por enterado.


XXXV
"E sempre encontram elementos
 da mesma ralè,de forma que o
mais inepto e corrupto è o que
 mais aplaudidores tem."

Os sentimentos humanos nâo tenhem valor algum
quando o que os manipula è um ser degenerado.
De nâo ser assim esta esperança inutil e terca
teria jà resposta fora ela possitiva ou nâo.

Mas,aqueles que tenhem como norte da sua vida
abusar do poder que a sua posiçâo lhes outorga,
jamais repararom em sentimentos que ao poeta
se lhe antojam como o cùmeo dum sonho feliz.

O nâo consentir ser objeto de usar e tirar
è delito imperdoàvel em quem aspira viver ceive
como se jà nâo exitira bastâo e voz de mando.

Parecido sucede ao que na vida sô olha prodìgios
e ouve melodias que incitam ao èxtase celestial,
posturas tâo torpes como ter fè nos poderosos.


XXXVI
"Nâo pode haber maior suplicio
para o poeta que escrever para
um povo de ignorantes e de padecer
o juiço estùpido dum invècil."

Poquè calar-se a sabendas de que o mundo è assim?
Se a gente outro hàbito tivera de comportar-se
nâo estaria eu em trances que lindam no desespero,
pois resposta ao meu afan qualquer mandado daria.

Mas ei aqui que este iluso,para seu mal,acreditou
que alguèm um dia notara o seu passo pola vida
e achando notòria a sua laboura apaixonada,ia
divulgar ,que ainda tem almas que crêem no amor.

Pèrfida grei que assim trata ao que incauto vai
espalhando pètalas dumha flo que nâo hà de inzar
pois que a terra donde caem è inòspita e àrida.

Triste do que espera um càmbio positivo e sincero
na conduta iniqua de quem nada perderia sendo
home digno que sabe por pudor respotas dar.


XXXVII
"Tanto hoje como ontem o oficio de
hipòcrita tem portentosas vantages,
è arte tâo respeitàvel que ainda
descoverta nimguem se atreve denunciar."

Oh quem pudera ser feliz como mansa ovelha
a pascer e balar tranquilo em verde prado!
mas,um sonho maligno infectou minha mente
e ando nâo sei se perdido ou a fugir do redil.

Penas sem conto suporto por seguir terca iluçâo
que com certeça hà-me levar a infortùnio seguro
donde nâo ache repouso este meu sofrido corpo
nem a minha voz encontre eco para se espalhar.

Mas se um fado maligno de cote me està a tentar,
como pode resistir-se quem proclive è a crer em
fantasticos mundos com que sonha mente insana?

Nâo sei se è droga ou talismâo que me persegue,
mas intuio ser desepero o fim que me espera
por ousar cantar com a voz do leâo!


XXXVIII
"Sâo os prèmios teias de aranha
para os ingènuos e cadeias para
os humildes.Subtiles redes
com que pescam os poderosos."

Trite dilema atenaça ao que de iluçâos vive
pois visto està que o povo sô acepta como genial
a quem o poder outorga da glòria os louros
trocando a voz da conciencia no riso do bufom.

E preço que paga toda pedestre criatura
que de por si pretendeu insensatamente voar.
Comfundir humanos desejos com sonhadas fantasias
erro è que caro paga quem de quimeras se fia.

Pobre do que se ve obrigado a ter pena de si
oa saber-se um iluso que em fatuidades confiou
e como drogado nâo pode liscar da sua atracçâo.

Diria-se que sua vida è sinònimo de pobre coitado
que vai pola vida cego a procura dum impossivel.
Dè graças se como tantos nâo passa privaçâos.


XXXIX
"Querer è esencialmente sofrer
e como viver è querer.toda a vida
è por essència dolor.Quanto
mais se vive mais se sofre."

Se um sentimento de amargura sustituie a outro
que felicidade pode achar nesta vida o poeta?
Quanto mais puro e sutìl è o seu canto emocionado
mais inaudivel è para os atacados de durdeira.

Tâo imensa è a legiâo dos incapacitados para ouvir
que nâo estranha que a cançâo que do peito surge
se perda entre os ecos difusos de um viver fàtuo
ao que a gente hoje se acha fatalmente sometida.
 

Sem esperança nem fè no futuro que ao povo agarda
pouco ou nada pode dizer voz sonhadora e fogosa
se nâo for tutelada pola sombra dos que mandam.

Eis o dilema do ser puro que ao apluso renùncia!
Ou se adapta a viver alheo aos reclamos do mundo
ou perece na cova dum silèncio estremecedor.


XL
"Devemos ter a certeza que
sempre atopa um grande èxito
quem escreve sô para nescios ou
trivialidades que ao poder exalçam."

E triste provar como inspiraçâo acude ao infeliz
e isso porque è a ela que deve a sua aflicçâo.
Diria-se que a vida do poeta è umha roda viciada
a forjar sonhos que logo envenenam o fim ansiado.

Nâo fora assim e nâo me veria eu neste trance
em que quanto mais anelo ver desejo consumado
maior è a calada com que resposta quem falar devia
e mais insana è a febre que a esperar me aflige.

E nâo tem cura esta doença maligna e misteriosa,
nem hà calmante que aminore ou tempere tanta dor.
pois a maior recavo de resposta maior è desespero.

Condenado està de por vida quem fia da palavra,
verbo antigo como a mesma sofredora humanidade
que sô a glòria outorga a quem gera o seu tormento.


XLI
"O espetàculo da nossa terra è
explendoroso na sua paisagem exterior,
mas se votamos umha olhada ao seu
ìntimo,sô vemos misèria e podredume."

Triste do povo que sô celebra vitòrias alheas,
que nâo tem de seu motivo para alegrar-se umdia,
pois os seus membros atrofiados estâo de curvar-se
ante o resplandor que emana do poder avassalante.

Num meio tâo indigno e repugnante como este
què pode o altivo poeta senâo hostilidade achar,
sendo como è o seu brado umha chamada a conciència
que fere a quem de sentimentos  sempre careceu?

Sonhar como um proscrito em pàtrio cham è sino
de quem  sô entende do que ao espisitu alimenta.
seja em clave de rebeldia seja em formato de denùncia

Mas,ei aqui que este mìsero que tais cousas relata,
tâo sô è o eco dumha voz que a mente perceve
sem saber de donde vem nem o tempo que hà de durar.


XLII
"Pode viver contento e feliz o poeta
ou pensador na sua època,se esta  lhe
permite pensar ou poetiçar tranquilo
sem ser hotiliçado num cantinho."

Tem gentes que pensam que jamais estou triste.
Sempre que coincidem com migo alegre me acham.
Nâo sou eu de natural arisco nem de caracter osco,
porisso,quem ao meu lado està nâo capta minha dor.

E destino que empurra alma sonhadora ao sorriso.
Jamais quem portador è de novas e justas inquietudes
souve fingir alegria que no seu peiton nâo morara
nem ir pola vida espalhando amargura e desencanto.

Umha espinha levo cravada na alma por mim mesmo
e dor sem fim me atormenta impossivel de narrar
mas cousa minha è e a mim compete sofrer e doer.

Quando de tristuras o poeta fala è da humanidade,
tantas elas sâo que è impossivel na vida enumerar,
das suas, nâo deve andar ao povo apregoando.


XLIII
"E surpreendente e maravilhosa
essa hipersensibilidade de alguns
a quem fere tudo que venha do que
nâo tem titulos ou prebendas."

Tempo tiverom de ponderar a minha in-usual oferta,
se nâo contestarom foi por motivos desconhecidos,
prudència subtil aconselha-me a seguir teimando
atè ofim que nâo perdoa vida humana algumha.

Nâo è com lamentos que se fez e fai o mundo,
nem a història se escreveu com vàgoas e nada mais.
Nâo, este curto espaço de tempo chamado vida
mentras dura tem muitas tarefas para realizar.

Acaso choveu algumha vez que nâo escampara?
Nâo aparece risonha a bonança apòs o vendaval?
De tripas fez sempre o homem coraçâo na adversidade!

Consolar-se das ceifadas iluçâos fere o coraçâo,
mas,se as insensiveis àrvores brotam apòs a poda
porquè mente fertil hà de secar em plena floraçâo!


XLIV
"Os mais instruidos sâo os que mais
pronto caem engailados pola lisonja.
Nâo tem um que nâo a trague guloso
por mais redìcula que ala seja."

Se è certo que o poeta nâo è mais que um mèdium,
a que este laio continuo em clave de desespero?
Jà se forom os tempos das pueriles esperanças!
Agora chove sobre molhado e meditar è meu futuro.

Esperar eternamente novas que jamais chegarâo,
è de nèscios que confiam tercamente no impossivel.
Se em mim houve um dia esperanças sem fortuna,
jà cura achei em respostas que nunca recivi.

Nâo culpo a esse humilde portador de missivas,
nem acredito num fado nefasto que me persegue.
Sô a minha fantasia è culpàvel de tanta necedade!

E sendo qual vejo agora o destino um enigma,
creio que jamais este triste intente umha formula
que nâo aboque,de seguro,num feliz desenlace.


XLV
"Despreciando as maneiras,os
pensamentos e os conceptos dos seus
contemporàneos,criando sem fazer caso
de que o censurem ou que o alabem."

Um tras outro despiron-se de folhas as arvores
e conta tomou a invernia da pomposa naturaleza.
Quiças em mim tamèm fez o seu labor purificador,
pois vejo como minhas esperanças rodam polo cham.

Seja eu como esse velho carvalho,robusto e torto,
que hoje se amostra nuo da sua orgulhosa folhagem
mas que hà de reverdecer com viçoso e novo esplendor
nem bem despontem os primeiros raios da primavera.

Se jà mortas apodrecem na esterqueira do mundo
as minhas bem amadas iluçâos,ainda onte louçanas,
tempo virà em que outras brotem no seu lugar.

A roda da vida jamais para no seu eterno girar,
cumple ao poeta conducir a sua azarosa existència
atè que ao fim seus sonhos se tornem realidade.


XLVI
"Quem realmente gozou mais
intensamente que aquel que teve
momentos em que o seu eco se perceveu
atravès do ruido dos sèculos?"

Tempo è jà de deijar de sonhar com gratas novas,
è mais,se acaso noticias tiver seriam negativas,
quiçàs aparentando umha simpatia nunca sentida,
ou por ficar bem quando para elo houve tanto tempo.

Nâo sei ao certo qual è o valor real da minha obra
pois jamais souve pai librar-se do sìndrome filial
e filhas sâo da minha mente as obras que parì.
Seja o tempo quem peneire e ditamine seu valor.

Mas ,se um dia o povo se topar com fruto de proveito
sincero sou  admitindo que mais que a mim se lhe deva
a quem tâo burdamente souve com aleivosia portar-se.

Essa imunda caste de manipuladores do sentimento
è digna merecedora do meu pùblico reconhecimento,
pois no seu mutismo trinquei a luz que me fugia!


XLVII
"Nâo consiste a felicidade
em adquirir e gozar e sim em
nâo desejar.Nesto è no que o
home assenta a sua sabiduria."

Se um dia volto a teimar na mesma iniqua empresa,
de dar via livre ao meu rosàrio de pueriles iluçâos
bem merecido terei entâo oprobrio nâo desejado
que por aleivosia justiça me deve diligente impor.

Aquel que estupidamente qual azèmila bruta e terca
tropeça mais dumha vez na mesma visivel pedra,
a què pode aspirar na sua groseira e inutil vida
senâo a um nojento viver em perpètuo desespero?

Triste de quem anseja o lume que ao poeta abraça!
Se arde voraz na sua alma,em vida se consome,
se nâo acende desejo no peito,ao nascer fenece.

Serà esse o meu caminho,meta final e sem retorno?
Acabarâo aqui ànsias tâo fùtis como dolorosas?
Pena que tâo sô um novo sonho desvele tal enigma!


XLVIII
"Ate resulta comico esse convencimen-
to de tantas pessoas que obram como se
fossem as ùnicas reais e os semelhantes
 nâo passaram de sombras,puros fantasmas."

 Se os caminhos puderam dar conta de toda andança
 quantas cousas nâo mostraram do meu azarado viver!
 Pois sou eu esse impertinente forjador de sonhos
que sem querer seu anelo vai aos poucos debulhando.

 Agora que esperança morta età,tùmulo tenha,
 tâo grande como silèncio que sempre me acompanhou,
 pois jamais home que piamente confiou no semellhante
mereceu cova tâo grandiosa como a que se me deve.

  No profundo mistèrio do humano comportamento
 nada se vislumbra depois do que se dize ùltimo acto,
 paròdia, dirâo os que sabem,da tragèdia da vida.

 Mas o misero poeta que sonha com voar qual um fènix
 jamais renùncia a cùmeos para o mortal incesiveis
pois sentimentos porta que se nutrem de suas cinzas.


XLIX
"E um objetivo que o poeta
estima mais que tudo e polo qual
leva coroa de espinhos que algum
dia se transformarâo em louros."

Jà tudo foi consumado e nada o poeta espera
deste mundo que è seu amigo,traidor e inconsequente.
Servam estas palavras de consolo a quem esperando
passou vida inutil,vâo e indigna de ser lembrada.

Porende a vida modela ao home por terco que seja
e se fantasia que mente calurenta um dia engendrou
nâo teve campo fertil para inçar como era seu desejo
tempos virâo em que em viçosa e fertil terra brote.

Nâo tem poquè alma sonhadora sucumbir ao desespero
pois quem esperanças soube um e outro dia forjar
tem capacidade de abondo para os reveses superar..

Nâo fora assim e o mundo um deserto imenso seria,
nâo de homes e bestas que nos rebanhos se fundem
e sim de nobres ideais que sô a alma satisfazem.


L
"Tem que ser um instinto especial
o que estimula ao poeta para expresar
o seu sentir em obra duradeira sem
ter consciència de outro motivo."

A todos aqueles que um dia qual eu sonharom
com ver sua obra espalhada polo pàtrio cham
vâo estas ùltimas emocionadas polavras minhas
a jeito de envio de quem novas esperou em vâo.

Quem hoje cala nâo renuncia a perseguir impossiveis
pois està na exència do seu ser o teimar constante
atè achar um dia essa subtil luz etèrea e terca
que alumea aos puros sem saber porquè nem como.

Nâo fora assim e melhor seria o silèncio da morte
em escura fossa que a todos acolhe no seu dia
ante a baixeza de renunciar a forjar fantasias.

Destino feliz è do poeta idear possiveis mundos
donde amor e justiça estejam ao alcanço do povo
ainda que alma por ansiedade sofra tanto desespero.

 
 

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