DESDE SANTIAGO DE COMPOSTELA
PARA O MUNDO, CHANKECHAM,
PRESENTA EM DOMÌNIO PÙBLICO
O LIVRO:
 
Poemàrio impresso e ilustrado a mâo polo autor
que contem cinquenta poemas mas outras tantas
làminas a todo color.
     
Eis aquì a musa de nome Virginia que
inspirou a obra toda de chankecham


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Nota
Por motivos alheos a bontade do autor, este livro digital,
Apresenta-se deminuido,algo em tamanho e
 muito em
nitidez.O dia em que os servidores
ou a internet evolucionem, o autor sentira-se feliz
oferecendoo na sua ediçâo real.

Quando
boto a navegar
polo etèreo mundo da
fantasia o meu pensamento
nâo tèm espaço que se lhe resista
nem imensidâo a que nâo someta.
Atanto alcança ambiçâo!
A mais se atreve ousadia!
Porende quando me atopo
 com essa maldita fossa negra
que separa o bem do mal
aì-Oh meu bom Deus-aì
fico quieto parado pois
tenho-lhe medo!
tenho-lhe medo!


     E desde que
       uso de razâo tenho
       e desde que tantas maravilhas vi
       sempre a mim-Oh Deus-fizeste bem
       e sempre vos eu moito amei
       mas hoje jà dizer nâo posso
       que a mim tedes por amigo
       pois vejo que amor de mim fugiu
       e paz de espìritu jamais atopo
       e fraco me acho e devil estou
       e como farrapo velho me sinto
       ou trasto inutil que para nada serve
       por isso-Oh Deus-do amor sem fim
    dade-me a morte!
     dade-me a morte!


Tudo è
nèvoa ou fume
o que me arrodea
e faz que estes olhos meus
sò enxerguem brètomas
que atrancam o meu passo
num vieiro cofuso
que leva a esse lugar
de ningures donde hei
de achar perdiçâo certa
contra bontade e sem querer
ao precipitar-me no abismo
que da Luz me separa
coma um ceguinho!
coma um ceguinho!


Tinhao atado e fechado
na cachola com sete cadeados.
Estava visto que nâo podia sair
jà que eu o queria todo para mim.
E ele vingava-se batendo assanhado
e constantemente neste meucèrebro
como se fosse um vil bate-estacas.
As veces insinuava-outras dizia:
Olha como aquele trepa e este galga
e ti aqui patuxando impàvido
nas feces da inutil esperança.
Assim era aquel maldito sonho.
Sempre a malhar na minha fè
sem piedade!
sem piedade!


Se hà flores
e passarinhos
que enfeitam e alegram as
nossas vidas com seus trinos
e a sua beleza sem esperar outra
recompensa que a de estar felices
a desarrolhar umha vida plena.
Poquè nâo hà de haber almas
belas e puras que labourem tâo sô
por erguer um mundo justo e feliz?
Acaso o espirito que move
o basto universo faino por intere?
Se infelizmente estou errado
que Deus me perdoe !
que Deus me perdoe!


Coraçâo
 que de esperanças
se alimenta e rumia guloso
como boi velho de sonhos cangado
que vai turrando dumha carcasa
jà oca e comesta polo tempo
sem qualidade nem valor digno
de ponderar segundo costatarom
os portentosos gurùs da tribu
desde o instante em que dei por
teimar em ir indo assim
pola vida a fora
sem curvar-me!
sem curvar-me!


Quis o Cèu
que esta voz estivese
ao lado dos esquecidos e
assim foi e valha por Deus.
Desde aquela acho-me relegado
ao escuro reino das trevas donde
nâo hà palavra que se escute nem
verro que pete nos ouvidos pois
tudo è ermo deserto donde sô
as apalpadas pode caminhar
o espiritu do home a passo
incerto entre sombras que
se movem a rir dum
groseiramente!
groseiramente!


Creio que era
tentaçâo a que sempre
estava dentro de mim a ouviar
como um lobo fero e desejoso de
que o deixase tranquilo e que ficara
eu atento a como discernia e razonava
tâo acertadamente pois ele bem sabia
o que me convinha e ia ser de probeito
a mais de que achava nâo me ser ùtil
rebater as suas ponderadas opiniâos
em tudo quanto era necessàrio
para atingir a humana glòria
ainda que fosse por um dia
como de cote se ve!
como de cote se ve!


Nem por todos
os tesouros do mundo
quisera passar mais umha
vez por aquel trance e isso que o
soportei sem dizer esta boca è minha
nem soltar um sô lai que aliviase
peito lacerado por tanta dor que
ainda hoje tortura alma indefensa
e cansada de bradar ao alto Cèu
para que o bom Deus escutara o
gemido de quem anda a tagarelar
incessante essa rància letania de
tem pena de mim!
tem pena de mim!


Em ouvindo
aquela fala que vinha
de nâo sei donde obedecì
e como um sonànbulo botei
a caminhar na procura da paz
que me faltava hà tanto tempo
que jà perdi a conta e iluso na
esperança de a trincar dei em
ir indo por aquel vieiro que
finda em ningures e essa
foi a minha andaina na
procura do que nâo se
atopa entanto esperas
o que nâo chega.
Como num sonho!
Como num sonho!


De que servem
as falas sutìs e garimosas
se ao fim tudo è como sempre
foi desde que eu tenho memòria
e nâo acho possivel que de outro
jeito venha a ser por mais que o
intento e procuro sempre com a
esperança de que ao fim suceda
o milagre feli de que nunca
mais tenha que laiar-me
inutilmente!
inutilmente!


Cautivo das
minhas ànsias achava-me
em tal desespero que como
alucinado ia de aqui para ali
qual fera acurralada por força
maligna e superior de jeito que
tâo sô um grito desgarrador do
peito pude arrincar mais inutil
pois quando o poder acomete
 sô morte e desolaçâo impoe
mostrando que da sua garra
ninguem fugiu por mais que
o intentou sem ajuda de Deus
que amim acudeu!
que amim acudeu!


Moito tive
que suar para arrincar
do peito essa incansàvel
teimosia que me arrastava
para o abismo donde tantos e
tâo bons sucumbirom incautos
por pretender apresar a sublime
aureola do ungido das multidâos
como se a um Deus bom acharam
alì donde sô tem ilusâos que
o vento leva mainamente
polo imenso cèu azul
com o seu soplo!
com o seu soplo!


Quis um dia
o bom Deus que provara
fortuna sonhada em novos e
venturosos mundos e como umha
nova espècimem de avis rara emigrei
na procura de ansiada dita e valha por
Deus - sem plumas para alçar o voo de
retorno-tive que apelar a fantasia que
a todos acolhe e nas suas alas voltar
a realidade que aos humildes nâo
abandona mais o rescaldo de tâo
voraz fogueira ainda perdura em
alma que nâo esquece ousadia
que um dia peito alentou
com tanta ilusâo!
com tanta ilusâo!


Como aquela
ervinha que nasce no monte
a carom de qualquer àrvore
a mais pura e singela obra
entre tantas que o Criador
fez no imenso universo
tal qual ela que inza vigorosa
nos prados ou a beira
dos caminhos poeirentos
 do mundo e que è capaz de
 resistir aos abatares da vida
como a ela quisera que me deras
Oh bom Deus do amor sem fim!
A paciència e a fortaleza
dessa ervinha!
dessa ervinha!


Desde o cùmeo
de umha nuve tâo alta
como imaginar è possivel
achava-me a olhar o povo todo
e quiças por esse mal dito das
alturas começei a enxergar como
os poderosos e com estes meus olhos
vi que nâo habia na terra misèrias
nem injustiças dando por bem feito
que tudo era dita e felicidade mas
de sùpeto resvalei e alà vou eu à
espatifar-me contra o duro cham
mas a sorte quis que eu
estivese a sonhar senâo
pobre de mim!
pobre de mim!


E por que eu sempre
bem quis ao bom Deus
do amor sem fim è porque sinto
 tanta dor ao ver-me do seu favor
esquecido e abandonado nesta torpe
e iniqua marcha forçada que me impoe
um desejo impossivel de deixar de lado
essa carga insuportàvel de fantasias
que como umha louça as costas
carrego de por sempre por
esta mìsera vida minha.
E como pesa!
E como pesa!


O indefinivel
espirito que move o mundo
um dia dirigiu-se a mim e assim
me falou--Dà o teu amor e seràs
 amado.Oferece o teu coraçâo e
 seràs querido.Entregate a todos
 e seras compensado.E cegamente
 fiz o que  me foi dito pois penso
que o que sai do mais profundo è
sempre sincero mas umha negra
sombra que me persegue
pousou sobre mim e
nada pude ver!
nada pude ver!


Piadosamente
roguei ao bom Deus
que de mim tivera pena
e de palavra implorei e de
coraçâo tamèm para que nâo
me deixara da sua bendita mâo
e me indicara o certo caminho que
leva ao bom fim mas nada me foi
revelado e nem resposta  nem sinal
atopei e tanto que ainda hoje tenho
a sensaçâo de estar a viver
entre nèvoas!
entre nèvoas!


Foi um fado maligno
o que me levou a pensar
que andar a procura do que
nâo existe è factivel com o viver
de sonhos-Tal qual se este mundo
fosse algo assim como um teatro
donde as gentes sâo marionetas
disenhadas por um artifice capaz de
as mover ao seu antojo seguindo um
guiâo feito com tal manha que no
fim atpa-se tudo quanto se quer
com sô obedecer ao que tira
do fio donde baila galante
um anzol cheio
de fùtilidades!
de futilidades!


Ia indo umha vez
pola frondosa terra dos meus
amores e de sùpeto atopei-me com
umha Vaca Sagrada dessas que os
homens que todo o sabem admiram
como as meninas dos olhos e a inquerì
ilusionado:Dime-Oh ùvere nutriente
da sabiduria humana.Estou no vieiro
certo?Se estou no errado  rectificarei!
E a Vaca Sagrada olhando-me
como se tivese um moscâo
num corno fez:Muuuu...
e foise em boa-hora.
Que felicidade a minha.Oh Deus!
polo que me insinou!
polo que me insinou!


Decidido estava
a facer as paces com migo
mesmo e para elo optei como norma
o nunca mais me preocupar por o què
sucederà logo nem emular ao homem
desejoso de superar o cotidiano viver
como se parte do meu ser estiver em
 jogo ao fazer minha esta teima de:Se
este è o recto proceder moito bem se
nâo o è a seguir confiado esperando
da boa estrela a solusâo que jamais
virà porque a luz que sempre brilhou
nas trevas apagou-se para sempre
nem bem se transformou numha
estrela fugitiva!
estrela fugitiva!


Sempre tinha ao meu
lado um feliz sonho com quem
teimar ou platicar segum o caso.
Eram dias felices sem mais tarefas
que as precisas para egercitar o oficio
de desfrutar dos prazeres da vida.
Mas-ceifas do tempo-aquelo foi-se
e na hora presente nem delirios nem
inquedanças acudem a mim pois que
abandonado me atopo das gratas
esperanças que outrora acariciei.
Jà de mim esquecerom aquelas
iluçâos que antano fluoresciam
alegres na minha mente
que nem fogos fàtuos!
que nem fogos fàtuos!


Da mesma cor alva
como a flor da espuma que
bule na mente calurenta do que
 vai catando esperanças e mascando
ilusâos por umha estrada enfeitada
de gratas novas donde o asfalto està
feito de parabens e aplausos-quem è
que nâo se engaiola e fica extasiado
ao findar a grata caminhada e atopar
essa màscara esguia e imutàvel que a
todos acolhe venèvola e acomoda de
jeito que ao mais ingènuo outorga
a mais outa cima desde a que mais
comodamente e melhor se contempla
a procissâo das vaidades!
a procissâo das vaidades


Despiadadamente
dia tras dia estava a peteirar
no meu coraçâo aquel sentimento
de posse insatisfeito que jamais fui
capaz de ver saciado pois quanto mais
lhe oferecia mais ele desejava e dalhe
que lhe dòia afincando sempre com
sanha o peteiro atè que um dia o vi
frìgido e com as patas tesas de tanto
exforso e alì ficou atrapado na cova
èrma e oscura que è este meu peito
donde ar fresco e puro nâo tem
entrada nem sentimento que
pule como em tempos idos
e como fede!
e como fede!


       Todos os dias a
        mesma hora um passarinho
        achava acomodo no meu ombro
        e logo de bem instalado comessava
       com o seu repertòrio de trino e canto
        atè que jà canso de tanto gorjear dava
        por falar comigo informando-me
        de tudo quanto è preciso saber.
        Feliz eu era antes de me deixar.
        Tanto que è impossivel esquecer.
        Mas esses forom tempos jà idos.
        Agora abandonado me tem fortuna e
        mentras espero a sua volta embalde
        triste ando a indagar incauto
        a donde estarà!
         a donde estarà!


Nem bem ideia
mente ilumina e jà aì està
o terco a bater com sanha de
carneiro em celo nesta dura cabeça
que Deus ma deu e corpo sostem.
E nâo tem cura esta teima esteril
nem moderador acho que furor de
 contenda tâo vil como inutil calme.
Diria-se que um fado maligno me
persegue e de cote encirra as feras
que apascentam dentro de mim ao
abrigo das inclemèncias da vida.
E logo ver como apos o combate
sô restam frias e sem vida
umha mâo cheia de cinzas!
 umha mâo cheia de cinzas!


Pobre de aquel que
a procura anda do elixir
que acalme ardor de alma aceso
por fùria de mente apaixoada!
Mal pecade è avivar fogueira que
nos hà de devorar com o seu lume
por moito que confiemos em pòcigas
ou encantamentos que nos seducem
com os seus cantos de sereia pois
a vista està que o que para sempre
 se foi jamais retorna nem voltarà
a iluminar outra vez -jà o nosso
caminho labarada que surge de
tanta cegueira!
 tanta cegueira!


Se aquela flor
tâo bela-com o passo do tempo
mustiou-foi natura quem assim o
decidiu no instante em que germinou.
Porende-que as minhas esperanças
pùdram agora no vertedoiro da crua
e nua realidade culpa è minha por
desidia ao nâo ir dando umha a
umha-no seu dia-digna sepultura.
Por molize ou cegueira cova nâo
procurei nem coveiro e velas aì.
Ainda ontem tâo fragantes e
 vistosas estas minhas iluçâos
a cotizar-se como
se foram esterco!
se foram esterco!


Aquel passarinho
piadeiro que tantas veces tenho
festejado vejoo de vez em quando e
jà nâo è o que era-pobre paspalhas!
Jà fostes àgil e piastes o que tinhas
que piar.Que deste mundo esperas?
Acaso pretendes emular a quem
jà comesto polos anos ainda sonha
com tempos como aqueles nos que a
duo gorjeàbamos nas manhâs ledas
as mais belas e atinadas cantigas?
Escuta jà o que te digo:O outro dia
entoei na paz da noite umha trova
e ecoou nos meus ouvidos-juro:
O croar dumha râm!
O croar dumha râm!


Moito tempo habia que
 nâo atopava a minha sombra.
As trevas que de cote me envolvem
e a cerraçâo que da luz me afastou
 afugentarom de mim a sua companha
 e jà por perdida tinha a sua presença
 Mas de sùbito veu a luz.Saiu o sol
iluminou-se a minha vida e alì estava
 ela impàvida como em tempos idos.
O triste foi quando ledo deste feliz
encontro fui ao asseo a me enfeitar
e ao olhar para o espelho vi reflectida
triste e resignada a mirar para mim
   a sombra da minha sombra!
   a sombra da minha sombra!


Quisse Deus
de um dia para outro varrer
o cerebro da minha amada
e tâo bem o fez que oco o deixou.
E possivel que com isso intentara
por a prova o meu amor.E digo eu:
Porquè sabendo Ele como bem sabe
do barro que estou feito?Talvez
para deste jeito findar a minha vida
contando-lhe como a umha neninha
antes de dormir as infindas horas
que passamos de sublime doçura.
Mas como nada hà perfecto nesta vida
o triste vem quando um se pergunta:
E ela entenderà!
E ela entenderâ!


Prometì a mim mesmo
nunca mais voltar a falar das
tristuras que atesouro nesta minha
vida.E assim o fez hà tanto tempo
 que jà nâo sei se foi voto meu ou
esquecemento de memòria senil.O
mesmo dà.Desde entâo sô canto e
assobio como o passageiro dum trem
que vagoroso caminha sem parar por
umha estrada que nâo tem retorno.
Qual seja o meu fim eu nâo o sei
nem atino a imaginar quando serà.
O que sim dou por seguro è que
mais cedo ou mais tarde estarei
no lugar de ningures!
no lugar de ningures!


Roguei piadosamente
ao bom Deus para que me
liberara deste bicho que levo
dentro das entranhas uviando
incesantemente como se pretendera
com tais alaridos espantar as trevas
que me confundem e me perdem e foi
inutil.Acerraçâo segue impedindo
achar a luz e o vieiro certo que me
afaste desta rota escura que nâo
se sabe a donde levarà a carroça
da minha vida que continua
a rodar conducida por
umha indòmita fera!
umha indòmita fera!


 A mim vieste
como umha nèvoa passageira
e em mim pousaste como folha
seca caida e com migo ficaste sem
saber o porquè nem como e assim
sucede que vas a onde eu nâo vou e
em mim estas como se nâo estiveras
e tâo sô para esso ti serves pois que
eres como eres ao teu jeito e capricho
e se nada pedes ainda menos dàs e por
se esto fora pouco nem sequer te laias
nem corpo possues que se veja e palpe
nem ànsias de viver nem de morrer.
Bem a vista està que eres:
Um estùpido sonho!
Um estùpido sonho!


Em tâo àrido
me transformei que atè ti
Oh felicidade de mim emigraste!
Agora sô me acho arrodeado de
infortùnios e masquindades.Mas
nâo è nada novo neste mìsero mundo
pois quantos como eu jà se atoparom
assim de um dia para outro a velas vir
umha a tras da outra as servidumes
da vida que a nimguem perdoarom.
E metras ti-oh dita-que tantas
veces nesta minha vida acariciei vas
polo mundo a procura de melhor
 fortuna como tantos sonhos
que um dia forjei!
que um dia forjei


De tantas cousas
maravilhosas que tem nesta vida
òrfâo me sinto desde o dia em que
nacim e sô è esquecido me atopo aqui
no faiado do mundo a contar as minhas
carèncias-e sâo tantas!-que jà nâo sei
se estou no começo daquela etapa que
leva ao ponto final ou se jà là cheguei
e por elo nâo atino a discernir o bem
do mal nem o certo do errado e como
se for um menino ainda tem quem me
insinua a vista do fim que me espera
que peça perdâo!
que peça perdâo!


Fuge de mim
tètrico fantasma.Allonja-te
de jeito com que a minha vista
nâo te alcance nem a tua sombra
se me apresente mentras vivo seja.
Sosegadamente quero meus dias findar
e ti outra cousa nâo faz que encher alma
minha de dudas e sospeitas e para maior
tormento nâo posso liberar-me dessas
cadeias com que me espantas ao teimar-
disfarçado de grata esperança-com essa
forma de vida feliz que è inatingivel
para quem nâo conheceu outro
jeito de andar polomundo
se nâo è a sonhar!
se nâo è a sonhar!


Passarom ventureiras
as aves piadoras do cèu na
procura de mainos amanheceres
e gratas noites que presagiem dias
felices sem par.Passarom ante mim
e nâo fui ditoso ao as ver è ouvir os
seus cantos de sublime esperança que
se repitem em cada nova emigraçâo.
Triste fiquei-pois sem querer-lembrei
que para mim jà nâo tem mais dias
possives de ditosa ventura a nâo ser
que como elas emigre a outros pagos
mais propìcios voando com as alas
da imaginaçâo!
da imaginaçâo!


Suave como umha
  pluma aos meus pes pousou
   aquela enorme nuve negra na que
    embarquei como se dumha fantàstica
     nave se tratara.Diligente me instalei e
     de tal sorte que jà no topo do cèu pude
      observar a terra toda e aos humanos
       desde um posto de previlègio.Nâo
      tem dùvida de que quando o homem
     se acha no cùmeo o seu concepto da
      vida càmbea totalmente pois desde o
      alto jà nâo olhei missèria algumha
      nem injustiça que denunciar por
     mais que escrutei.O que vi era
     um mundo feliz!
     um mundo feliz!


Foi um dia qualquer
da vida.Tomou a decisâo e botou
a andar e caminhou dias e noites sem
conto.Ainda hoje nâo se sabe quanto
tempo-porende-o que pretendia atopar
achouno e agora como umha relìquia
pode mostralo ao mundo complacido.
E coisa inutil para os nâo iniciados
mas grata para os que jà trilharom o
mesmo caminho ainda que por outras
estradas mais venturosas de percorrer.
Desde entâo pode afirmar sem vacilar
que o que hà de novo sobre a terra è
alem dum incerto e melancòlico final
um glorioso fracaso!
um glorioso fracaso!


Tinha esperanças
de um dia galgar aquel penedo
que de cote atopava diante de sì.
Sempre que intentava avanzar fosse
para donde fosse alì estava aquela mole
de granito a impedir o seu passo como
umha tranca numha porta que preciso
seria um dia abrir e tampouco atopava
umha fenda por donde escurrir o bulto.
Sô lhe era possivel ficar estàtico ou
retroceder e esso era impossivel para
quem a sua teima era avanzar.E teve
umha idea-um sô pensamento-e
velo aì que a pedra fendeu ao meio
como se um raio a partira!
como se um raio a partira!


Os anos nâo passarom
em valde nâo.Atràs ficarom
aqueles dias nos que andava a sonhar
com um mundo feliz de amor e justiça.
Agora muslos e nervos resistense a
idealizar piruetas que por aquel entâo
surgiam espontàneas na minha mente e
creio que foi para mim um grande bem
que o tempo podara as pomposas alas
dumha infància que nâo tinha maior
 teima que a de viver de fantasias.
Por fim os sonhos murcharom e
jà posso meditar sosegadamente
no estèril que è esta vida quando
as iluçâos nos deixam!
as iluçâos nos deixam!


Atràs de mim sempre
 tinha um Câo a ladrar umhas
veces e outras a ouviar e nunca
parava nem durmia e o peor era
que eu nâo atinava a acertar se
com os seus ladridos pretendia
despertar-me dos meus sonhos ou
se ouviando presagiava o meu fim.
Nunca o soube atè que um bom dia
emudeceu e jà nunca mais o escutei.
Foi entâo que comprendì cruelmente
que jà dentro de mim nâo tinha mais
que tèdio e desesperança.De certo era
aquel Câo nem mais nem menos que
a minha conciència!
a minha conciència!


Que seja como for
ou como o destino dispuser
mas o que è eu nâo penso mover
nem umha palha por indireitar a
marcha do mundo e isso porquè o
caminho jà foi demarcado antes de
eu aparecer na polestra que surgiu
sob pretesto de que o interprete è
capaz de trocar o rumo da obra e
truncar assim o fim proposto por
quem a procreou mas eu penso que
sô è imaginàvel que cousa tal suceda
quando se està nas nuves flutuando
a sombra de Deus!
a sombra de Deus!


Temos tido tempos
bem peores que os que nos tocou
viver.Esso è bem certo porende este
facto nâo impede que loitemos por
um futuro melhor para nôs e para
as vindeiras geraçâos.O problema
nâo està em se devemos ou nâo
lutar mas sim no como e de que
jeito proceder para transformar o
mundo presente numha alvorada
de fraterna justiça amor e paz.
Matino no assunto dia tras dia
noite tras noite e sempre atopo
o mesmo câo a me ladrar:
Que Deus te ajude!
Que Deus te ajude!



Passarom moitos anos
desde aquel ditoso dia em que
adquirì consciència de ser umha
criatura de Deus a mais no mundo
dos humanos e nâo um nùmero como
moitos pretendem e outros insinuam.
O ser humano seja qual for o estado
ou circunstància na que se atopare è
sempre por essència parte da força
motriz que move o universo e por
isso a ela se unirà quando finde o
seu ciclo vital.O que logo suceder
quem o souver que fale poia aquì
estou para escutar!
estou para escutar!


Banalidades ou futilerias
eis o que è a glòria e a fama
neste mìsero instante que è a
vida quando olhamos para o imenso
universo no que estamos submersos.
Porende os nossos sonhos sempre
tendem a trincar esse rabo de vìbora
que se desliza sedutora pola alfombra
que enfeita e suaviza o passo glorioso
dos ìnclitos triunfadores deste mundo.
O pilhala è meta desejada por miles
de criaturas que nâo pestaneariam
em doar a sua alma se a tiveram por
transformar a ditosa serpe em coroa
ainda que fosse venenosa!
ainda que fosse venenosa!


E dificil explicar
as razâos que levam ao justo
a seguir os passos da ovelha negra
que todos os poderosos deste mundo
eligirom para expiar os seus pecados.
Nâo è facil nâo o ir indo pola vida
como um posseso que sô atrae moscas
e outras misèrias que naturaleza cria.
Porende quando todo for consumado
e o corpo sem vida repouse na cova
alem dos vermes que hâo de roer o
que hà de materia em nôs sô ficarâo
os sonhos de cada um a flutuar no
infinito cèu azul pendurados
do dedo de Deus!
do dedo de Deus!


Si sabes que Deus
sô se atopa no peto dos ricos
porquè invocas seu santo nome?
Por o mesmo motivo que cito a sorte.
Si sabes que a tua sorte è nefasta
porquè a segues a todas as partes?
Poque este è o meu triste destino.
E se teu destino està predeterminado
porquè te revoltas em contra dele?
Para despertar a Deus que dormido
 ficou nesse dourado peto do mundo
e se alguem ver nasto blasfema
 que lembre que quando Deus me fez
concedeu-me o libre alvedrio e assim
a Deus eu sirvo!
a Deus eu sirvo!

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