DESDE SANTIAGO
DE COMPOSTELA
PARA O MUNDO,
CHANKECHAM,
PRESENTA
EM DOMÌNIO PÙBLICO
O LIVRO:
Poemàrio
impresso e ilustrado a mâo polo autor
que contem
cinquenta poemas mas outras tantas
làminas
a todo color.
Eis aquì
a musa de nome Virginia que
inspirou
a obra toda de chankecham
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Nota
Por motivos
alheos a bontade do autor, este livro digital,
Apresenta-se
deminuido,algo em tamanho e
muito em nitidez.O dia em que os servidores
ou a internet
evolucionem, o autor sentira-se feliz
oferecendoo
na sua ediçâo real.
Quando
boto a navegar
polo etèreo
mundo da
fantasia
o meu pensamento
nâo
tèm espaço que se lhe resista
nem imensidâo
a que nâo someta.
Atanto alcança
ambiçâo!
A mais se
atreve ousadia!
Porende
quando me atopo
com
essa maldita fossa negra
que separa
o bem do mal
aì-Oh
meu bom Deus-aì
fico quieto
parado pois
tenho-lhe
medo!
tenho-lhe
medo!
E desde que
uso de razâo tenho
e desde que tantas maravilhas vi
sempre a mim-Oh Deus-fizeste bem
e sempre vos eu moito amei
mas hoje jà dizer nâo posso
que a mim tedes por amigo
pois vejo que amor de mim fugiu
e paz de espìritu jamais atopo
e fraco me acho e devil estou
e como farrapo velho me sinto
ou trasto inutil que para nada serve
por isso-Oh Deus-do amor sem fim
dade-me a morte!
dade-me a morte!
Tudo è
nèvoa
ou fume
o que me
arrodea
e faz que
estes olhos meus
sò
enxerguem brètomas
que atrancam
o meu passo
num vieiro
cofuso
que leva
a esse lugar
de ningures
donde hei
de achar
perdiçâo certa
contra bontade
e sem querer
ao precipitar-me
no abismo
que da Luz
me separa
coma um
ceguinho!
coma um
ceguinho!
Tinhao atado
e fechado
na cachola
com sete cadeados.
Estava visto
que nâo podia sair
jà
que eu o queria todo para mim.
E ele vingava-se
batendo assanhado
e constantemente
neste meucèrebro
como se
fosse um vil bate-estacas.
As veces
insinuava-outras dizia:
Olha como
aquele trepa e este galga
e ti aqui
patuxando impàvido
nas feces
da inutil esperança.
Assim era
aquel maldito sonho.
Sempre a
malhar na minha fè
sem piedade!
sem piedade!
Se hà
flores
e passarinhos
que enfeitam
e alegram as
nossas vidas
com seus trinos
e a sua
beleza sem esperar outra
recompensa
que a de estar felices
a desarrolhar
umha vida plena.
Poquè
nâo hà de haber almas
belas e
puras que labourem tâo sô
por erguer
um mundo justo e feliz?
Acaso o
espirito que move
o basto
universo faino por intere?
Se infelizmente
estou errado
que Deus
me perdoe !
que Deus
me perdoe!
Coraçâo
que
de esperanças
se alimenta
e rumia guloso
como boi
velho de sonhos cangado
que vai
turrando dumha carcasa
jà
oca e comesta polo tempo
sem qualidade
nem valor digno
de ponderar
segundo costatarom
os portentosos
gurùs da tribu
desde o
instante em que dei por
teimar em
ir indo assim
pola vida
a fora
sem curvar-me!
sem curvar-me!
Quis o Cèu
que esta
voz estivese
ao lado
dos esquecidos e
assim foi
e valha por Deus.
Desde aquela
acho-me relegado
ao escuro
reino das trevas donde
nâo
hà palavra que se escute nem
verro que
pete nos ouvidos pois
tudo è
ermo deserto donde sô
as apalpadas
pode caminhar
o espiritu
do home a passo
incerto
entre sombras que
se movem
a rir dum
groseiramente!
groseiramente!
Creio que
era
tentaçâo
a que sempre
estava dentro
de mim a ouviar
como um
lobo fero e desejoso de
que o deixase
tranquilo e que ficara
eu atento
a como discernia e razonava
tâo
acertadamente pois ele bem sabia
o que me
convinha e ia ser de probeito
a mais de
que achava nâo me ser ùtil
rebater
as suas ponderadas opiniâos
em tudo
quanto era necessàrio
para atingir
a humana glòria
ainda que
fosse por um dia
como de
cote se ve!
como de
cote se ve!
Nem por
todos
os tesouros
do mundo
quisera
passar mais umha
vez por
aquel trance e isso que o
soportei
sem dizer esta boca è minha
nem soltar
um sô lai que aliviase
peito lacerado
por tanta dor que
ainda hoje
tortura alma indefensa
e cansada
de bradar ao alto Cèu
para que
o bom Deus escutara o
gemido de
quem anda a tagarelar
incessante
essa rància letania de
tem pena
de mim!
tem pena
de mim!
Em ouvindo
aquela fala
que vinha
de nâo
sei donde obedecì
e como um
sonànbulo botei
a caminhar
na procura da paz
que me faltava
hà tanto tempo
que jà
perdi a conta e iluso na
esperança
de a trincar dei em
ir indo
por aquel vieiro que
finda em
ningures e essa
foi a minha
andaina na
procura
do que nâo se
atopa entanto
esperas
o que nâo
chega.
Como num
sonho!
Como num
sonho!
De que servem
as falas
sutìs e garimosas
se ao fim
tudo è como sempre
foi desde
que eu tenho memòria
e nâo
acho possivel que de outro
jeito venha
a ser por mais que o
intento
e procuro sempre com a
esperança
de que ao fim suceda
o milagre
feli de que nunca
mais tenha
que laiar-me
inutilmente!
inutilmente!
Cautivo
das
minhas ànsias
achava-me
em tal desespero
que como
alucinado
ia de aqui para ali
qual fera
acurralada por força
maligna
e superior de jeito que
tâo
sô um grito desgarrador do
peito pude
arrincar mais inutil
pois quando
o poder acomete
sô
morte e desolaçâo impoe
mostrando
que da sua garra
ninguem
fugiu por mais que
o intentou
sem ajuda de Deus
que amim
acudeu!
que amim
acudeu!
Moito tive
que suar
para arrincar
do peito
essa incansàvel
teimosia
que me arrastava
para o abismo
donde tantos e
tâo
bons sucumbirom incautos
por pretender
apresar a sublime
aureola
do ungido das multidâos
como se
a um Deus bom acharam
alì
donde sô tem ilusâos que
o vento
leva mainamente
polo imenso
cèu azul
com o seu
soplo!
com o seu
soplo!
Quis um
dia
o bom Deus
que provara
fortuna
sonhada em novos e
venturosos
mundos e como umha
nova espècimem
de avis rara emigrei
na procura
de ansiada dita e valha por
Deus - sem
plumas para alçar o voo de
retorno-tive
que apelar a fantasia que
a todos
acolhe e nas suas alas voltar
a realidade
que aos humildes nâo
abandona
mais o rescaldo de tâo
voraz fogueira
ainda perdura em
alma que
nâo esquece ousadia
que um dia
peito alentou
com tanta
ilusâo!
com tanta
ilusâo!
Como aquela
ervinha
que nasce no monte
a carom
de qualquer àrvore
a mais pura
e singela obra
entre tantas
que o Criador
fez no imenso
universo
tal qual
ela que inza vigorosa
nos prados
ou a beira
dos caminhos
poeirentos
do
mundo e que è capaz de
resistir
aos abatares da vida
como a ela
quisera que me deras
Oh bom Deus
do amor sem fim!
A paciència
e a fortaleza
dessa ervinha!
dessa ervinha!
Desde o
cùmeo
de umha
nuve tâo alta
como imaginar
è possivel
achava-me
a olhar o povo todo
e quiças
por esse mal dito das
alturas
começei a enxergar como
os poderosos
e com estes meus olhos
vi que nâo
habia na terra misèrias
nem injustiças
dando por bem feito
que tudo
era dita e felicidade mas
de sùpeto
resvalei e alà vou eu à
espatifar-me
contra o duro cham
mas a sorte
quis que eu
estivese
a sonhar senâo
pobre de
mim!
pobre de
mim!
E por que
eu sempre
bem quis
ao bom Deus
do amor
sem fim è porque sinto
tanta
dor ao ver-me do seu favor
esquecido
e abandonado nesta torpe
e iniqua
marcha forçada que me impoe
um desejo
impossivel de deixar de lado
essa carga
insuportàvel de fantasias
que como
umha louça as costas
carrego
de por sempre por
esta mìsera
vida minha.
E como pesa!
E como pesa!
O indefinivel
espirito
que move o mundo
um dia dirigiu-se
a mim e assim
me falou--Dà
o teu amor e seràs
amado.Oferece
o teu coraçâo e
seràs
querido.Entregate a todos
e
seras compensado.E cegamente
fiz
o que me foi dito pois penso
que o que
sai do mais profundo è
sempre sincero
mas umha negra
sombra que
me persegue
pousou sobre
mim e
nada pude
ver!
nada pude
ver!
Piadosamente
roguei ao
bom Deus
que de mim
tivera pena
e de palavra
implorei e de
coraçâo
tamèm para que nâo
me deixara
da sua bendita mâo
e me indicara
o certo caminho que
leva ao
bom fim mas nada me foi
revelado
e nem resposta nem sinal
atopei e
tanto que ainda hoje tenho
a sensaçâo
de estar a viver
entre nèvoas!
entre nèvoas!
Foi um fado
maligno
o que me
levou a pensar
que andar
a procura do que
nâo
existe è factivel com o viver
de sonhos-Tal
qual se este mundo
fosse algo
assim como um teatro
donde as
gentes sâo marionetas
disenhadas
por um artifice capaz de
as mover
ao seu antojo seguindo um
guiâo
feito com tal manha que no
fim atpa-se
tudo quanto se quer
com sô
obedecer ao que tira
do fio donde
baila galante
um anzol
cheio
de fùtilidades!
de futilidades!
Ia indo
umha vez
pola frondosa
terra dos meus
amores e
de sùpeto atopei-me com
umha Vaca
Sagrada dessas que os
homens que
todo o sabem admiram
como as
meninas dos olhos e a inquerì
ilusionado:Dime-Oh
ùvere nutriente
da sabiduria
humana.Estou no vieiro
certo?Se
estou no errado rectificarei!
E a Vaca
Sagrada olhando-me
como se
tivese um moscâo
num corno
fez:Muuuu...
e foise
em boa-hora.
Que felicidade
a minha.Oh Deus!
polo que
me insinou!
polo que
me insinou!
Decidido
estava
a facer
as paces com migo
mesmo e
para elo optei como norma
o nunca
mais me preocupar por o què
sucederà
logo nem emular ao homem
desejoso
de superar o cotidiano viver
como se
parte do meu ser estiver em
jogo
ao fazer minha esta teima de:Se
este è
o recto proceder moito bem se
nâo
o è a seguir confiado esperando
da boa estrela
a solusâo que jamais
virà
porque a luz que sempre brilhou
nas trevas
apagou-se para sempre
nem bem
se transformou numha
estrela
fugitiva!
estrela
fugitiva!
Sempre tinha
ao meu
lado um
feliz sonho com quem
teimar ou
platicar segum o caso.
Eram dias
felices sem mais tarefas
que as precisas
para egercitar o oficio
de desfrutar
dos prazeres da vida.
Mas-ceifas
do tempo-aquelo foi-se
e na hora
presente nem delirios nem
inquedanças
acudem a mim pois que
abandonado
me atopo das gratas
esperanças
que outrora acariciei.
Jà
de mim esquecerom aquelas
iluçâos
que antano fluoresciam
alegres
na minha mente
que nem
fogos fàtuos!
que nem
fogos fàtuos!
Da mesma
cor alva
como a flor
da espuma que
bule na
mente calurenta do que
vai
catando esperanças e mascando
ilusâos
por umha estrada enfeitada
de gratas
novas donde o asfalto està
feito de
parabens e aplausos-quem è
que nâo
se engaiola e fica extasiado
ao findar
a grata caminhada e atopar
essa màscara
esguia e imutàvel que a
todos acolhe
venèvola e acomoda de
jeito que
ao mais ingènuo outorga
a mais outa
cima desde a que mais
comodamente
e melhor se contempla
a procissâo
das vaidades!
a procissâo
das vaidades
Despiadadamente
dia tras
dia estava a peteirar
no meu coraçâo
aquel sentimento
de posse
insatisfeito que jamais fui
capaz de
ver saciado pois quanto mais
lhe oferecia
mais ele desejava e dalhe
que lhe
dòia afincando sempre com
sanha o
peteiro atè que um dia o vi
frìgido
e com as patas tesas de tanto
exforso
e alì ficou atrapado na cova
èrma
e oscura que è este meu peito
donde ar
fresco e puro nâo tem
entrada
nem sentimento que
pule como
em tempos idos
e como fede!
e como fede!
Todos os dias a
mesma hora um passarinho
achava acomodo no meu ombro
e logo de bem instalado comessava
com o seu repertòrio de trino e canto
atè que jà canso de tanto gorjear dava
por falar comigo informando-me
de tudo quanto è preciso saber.
Feliz eu era antes de me deixar.
Tanto que è impossivel esquecer.
Mas esses forom tempos jà idos.
Agora abandonado me tem fortuna e
mentras espero a sua volta embalde
triste ando a indagar incauto
a donde estarà!
a donde estarà!
Nem bem
ideia
mente ilumina
e jà aì està
o terco
a bater com sanha de
carneiro
em celo nesta dura cabeça
que Deus
ma deu e corpo sostem.
E nâo
tem cura esta teima esteril
nem moderador
acho que furor de
contenda
tâo vil como inutil calme.
Diria-se
que um fado maligno me
persegue
e de cote encirra as feras
que apascentam
dentro de mim ao
abrigo das
inclemèncias da vida.
E logo ver
como apos o combate
sô
restam frias e sem vida
umha mâo
cheia de cinzas!
umha
mâo cheia de cinzas!
Pobre de
aquel que
a procura
anda do elixir
que acalme
ardor de alma aceso
por fùria
de mente apaixoada!
Mal pecade
è avivar fogueira que
nos hà
de devorar com o seu lume
por moito
que confiemos em pòcigas
ou encantamentos
que nos seducem
com os seus
cantos de sereia pois
a vista
està que o que para sempre
se
foi jamais retorna nem voltarà
a iluminar
outra vez -jà o nosso
caminho
labarada que surge de
tanta cegueira!
tanta
cegueira!
Se aquela
flor
tâo
bela-com o passo do tempo
mustiou-foi
natura quem assim o
decidiu
no instante em que germinou.
Porende-que
as minhas esperanças
pùdram
agora no vertedoiro da crua
e nua realidade
culpa è minha por
desidia
ao nâo ir dando umha a
umha-no
seu dia-digna sepultura.
Por molize
ou cegueira cova nâo
procurei
nem coveiro e velas aì.
Ainda ontem
tâo fragantes e
vistosas
estas minhas iluçâos
a cotizar-se
como
se foram
esterco!
se foram
esterco!
Aquel passarinho
piadeiro
que tantas veces tenho
festejado
vejoo de vez em quando e
jà
nâo è o que era-pobre paspalhas!
Jà
fostes àgil e piastes o que tinhas
que piar.Que
deste mundo esperas?
Acaso pretendes
emular a quem
jà
comesto polos anos ainda sonha
com tempos
como aqueles nos que a
duo gorjeàbamos
nas manhâs ledas
as mais
belas e atinadas cantigas?
Escuta jà
o que te digo:O outro dia
entoei na
paz da noite umha trova
e ecoou
nos meus ouvidos-juro:
O croar
dumha râm!
O croar
dumha râm!
Moito tempo
habia que
nâo
atopava a minha sombra.
As trevas
que de cote me envolvem
e a cerraçâo
que da luz me afastou
afugentarom
de mim a sua companha
e
jà por perdida tinha a sua presença
Mas
de sùbito veu a luz.Saiu o sol
iluminou-se
a minha vida e alì estava
ela
impàvida como em tempos idos.
O triste
foi quando ledo deste feliz
encontro
fui ao asseo a me enfeitar
e ao olhar
para o espelho vi reflectida
triste e
resignada a mirar para mim
a sombra da minha sombra!
a sombra da minha sombra!
Quisse Deus
de um dia
para outro varrer
o cerebro
da minha amada
e tâo
bem o fez que oco o deixou.
E possivel
que com isso intentara
por a prova
o meu amor.E digo eu:
Porquè
sabendo Ele como bem sabe
do barro
que estou feito?Talvez
para deste
jeito findar a minha vida
contando-lhe
como a umha neninha
antes de
dormir as infindas horas
que passamos
de sublime doçura.
Mas como
nada hà perfecto nesta vida
o triste
vem quando um se pergunta:
E ela entenderà!
E ela entenderâ!
Prometì
a mim mesmo
nunca mais
voltar a falar das
tristuras
que atesouro nesta minha
vida.E assim
o fez hà tanto tempo
que
jà nâo sei se foi voto meu ou
esquecemento
de memòria senil.O
mesmo dà.Desde
entâo sô canto e
assobio
como o passageiro dum trem
que vagoroso
caminha sem parar por
umha estrada
que nâo tem retorno.
Qual seja
o meu fim eu nâo o sei
nem atino
a imaginar quando serà.
O que sim
dou por seguro è que
mais cedo
ou mais tarde estarei
no lugar
de ningures!
no lugar
de ningures!
Roguei piadosamente
ao bom Deus
para que me
liberara
deste bicho que levo
dentro das
entranhas uviando
incesantemente
como se pretendera
com tais
alaridos espantar as trevas
que me confundem
e me perdem e foi
inutil.Acerraçâo
segue impedindo
achar a
luz e o vieiro certo que me
afaste desta
rota escura que nâo
se sabe
a donde levarà a carroça
da minha
vida que continua
a rodar
conducida por
umha indòmita
fera!
umha indòmita
fera!
A
mim vieste
como umha
nèvoa passageira
e em mim
pousaste como folha
seca caida
e com migo ficaste sem
saber o
porquè nem como e assim
sucede que
vas a onde eu nâo vou e
em mim estas
como se nâo estiveras
e tâo
sô para esso ti serves pois que
eres como
eres ao teu jeito e capricho
e se nada
pedes ainda menos dàs e por
se esto
fora pouco nem sequer te laias
nem corpo
possues que se veja e palpe
nem ànsias
de viver nem de morrer.
Bem a vista
està que eres:
Um estùpido
sonho!
Um estùpido
sonho!
Em tâo
àrido
me transformei
que atè ti
Oh felicidade
de mim emigraste!
Agora sô
me acho arrodeado de
infortùnios
e masquindades.Mas
nâo
è nada novo neste mìsero mundo
pois quantos
como eu jà se atoparom
assim de
um dia para outro a velas vir
umha a tras
da outra as servidumes
da vida
que a nimguem perdoarom.
E metras
ti-oh dita-que tantas
veces nesta
minha vida acariciei vas
polo mundo
a procura de melhor
fortuna
como tantos sonhos
que um dia
forjei!
que um dia
forjei
De tantas
cousas
maravilhosas
que tem nesta vida
òrfâo
me sinto desde o dia em que
nacim e
sô è esquecido me atopo aqui
no faiado
do mundo a contar as minhas
carèncias-e
sâo tantas!-que jà nâo sei
se estou
no começo daquela etapa que
leva ao
ponto final ou se jà là cheguei
e por elo
nâo atino a discernir o bem
do mal nem
o certo do errado e como
se for um
menino ainda tem quem me
insinua
a vista do fim que me espera
que peça
perdâo!
que peça
perdâo!
Fuge de
mim
tètrico
fantasma.Allonja-te
de jeito
com que a minha vista
nâo
te alcance nem a tua sombra
se me apresente
mentras vivo seja.
Sosegadamente
quero meus dias findar
e ti outra
cousa nâo faz que encher alma
minha de
dudas e sospeitas e para maior
tormento
nâo posso liberar-me dessas
cadeias
com que me espantas ao teimar-
disfarçado
de grata esperança-com essa
forma de
vida feliz que è inatingivel
para quem
nâo conheceu outro
jeito de
andar polomundo
se nâo
è a sonhar!
se nâo
è a sonhar!
Passarom
ventureiras
as aves
piadoras do cèu na
procura
de mainos amanheceres
e gratas
noites que presagiem dias
felices
sem par.Passarom ante mim
e nâo
fui ditoso ao as ver è ouvir os
seus cantos
de sublime esperança que
se repitem
em cada nova emigraçâo.
Triste fiquei-pois
sem querer-lembrei
que para
mim jà nâo tem mais dias
possives
de ditosa ventura a nâo ser
que como
elas emigre a outros pagos
mais propìcios
voando com as alas
da imaginaçâo!
da imaginaçâo!
Suave como
umha
pluma
aos meus pes pousou
aquela enorme nuve negra na que
embarquei como se dumha fantàstica
nave se tratara.Diligente me instalei e
de tal sorte que jà no topo do cèu pude
observar a terra toda e aos humanos
desde um posto de previlègio.Nâo
tem dùvida de que quando o homem
se acha no cùmeo o seu concepto da
vida càmbea totalmente pois desde o
alto jà nâo olhei missèria algumha
nem injustiça que denunciar por
mais que escrutei.O que vi era
um mundo feliz!
um mundo feliz!
Foi um dia
qualquer
da vida.Tomou
a decisâo e botou
a andar
e caminhou dias e noites sem
conto.Ainda
hoje nâo se sabe quanto
tempo-porende-o
que pretendia atopar
achouno
e agora como umha relìquia
pode mostralo
ao mundo complacido.
E coisa
inutil para os nâo iniciados
mas grata
para os que jà trilharom o
mesmo caminho
ainda que por outras
estradas
mais venturosas de percorrer.
Desde entâo
pode afirmar sem vacilar
que o que
hà de novo sobre a terra è
alem dum
incerto e melancòlico final
um glorioso
fracaso!
um glorioso
fracaso!
Tinha esperanças
de um dia
galgar aquel penedo
que de cote
atopava diante de sì.
Sempre que
intentava avanzar fosse
para donde
fosse alì estava aquela mole
de granito
a impedir o seu passo como
umha tranca
numha porta que preciso
seria um
dia abrir e tampouco atopava
umha fenda
por donde escurrir o bulto.
Sô
lhe era possivel ficar estàtico ou
retroceder
e esso era impossivel para
quem a sua
teima era avanzar.E teve
umha idea-um
sô pensamento-e
velo aì
que a pedra fendeu ao meio
como se
um raio a partira!
como se
um raio a partira!
Os anos
nâo passarom
em valde
nâo.Atràs ficarom
aqueles
dias nos que andava a sonhar
com um mundo
feliz de amor e justiça.
Agora muslos
e nervos resistense a
idealizar
piruetas que por aquel entâo
surgiam
espontàneas na minha mente e
creio que
foi para mim um grande bem
que o tempo
podara as pomposas alas
dumha infància
que nâo tinha maior
teima
que a de viver de fantasias.
Por fim
os sonhos murcharom e
jà
posso meditar sosegadamente
no estèril
que è esta vida quando
as iluçâos
nos deixam!
as iluçâos
nos deixam!
Atràs
de mim sempre
tinha
um Câo a ladrar umhas
veces e
outras a ouviar e nunca
parava nem
durmia e o peor era
que eu nâo
atinava a acertar se
com os seus
ladridos pretendia
despertar-me
dos meus sonhos ou
se ouviando
presagiava o meu fim.
Nunca o
soube atè que um bom dia
emudeceu
e jà nunca mais o escutei.
Foi entâo
que comprendì cruelmente
que jà
dentro de mim nâo tinha mais
que tèdio
e desesperança.De certo era
aquel Câo
nem mais nem menos que
a minha
conciència!
a minha
conciència!
Que seja
como for
ou como
o destino dispuser
mas o que
è eu nâo penso mover
nem umha
palha por indireitar a
marcha do
mundo e isso porquè o
caminho
jà foi demarcado antes de
eu aparecer
na polestra que surgiu
sob pretesto
de que o interprete è
capaz de
trocar o rumo da obra e
truncar
assim o fim proposto por
quem a procreou
mas eu penso que
sô
è imaginàvel que cousa tal suceda
quando se
està nas nuves flutuando
a sombra
de Deus!
a sombra
de Deus!
Temos tido
tempos
bem peores
que os que nos tocou
viver.Esso
è bem certo porende este
facto nâo
impede que loitemos por
um futuro
melhor para nôs e para
as vindeiras
geraçâos.O problema
nâo
està em se devemos ou nâo
lutar mas
sim no como e de que
jeito proceder
para transformar o
mundo presente
numha alvorada
de fraterna
justiça amor e paz.
Matino no
assunto dia tras dia
noite tras
noite e sempre atopo
o mesmo
câo a me ladrar:
Que Deus
te ajude!
Que Deus
te ajude!
Passarom
moitos anos
desde aquel
ditoso dia em que
adquirì
consciència de ser umha
criatura
de Deus a mais no mundo
dos humanos
e nâo um nùmero como
moitos pretendem
e outros insinuam.
O ser humano
seja qual for o estado
ou circunstància
na que se atopare è
sempre por
essència parte da força
motriz que
move o universo e por
isso a ela
se unirà quando finde o
seu ciclo
vital.O que logo suceder
quem o souver
que fale poia aquì
estou para
escutar!
estou para
escutar!
Banalidades
ou futilerias
eis o que
è a glòria e a fama
neste mìsero
instante que è a
vida quando
olhamos para o imenso
universo
no que estamos submersos.
Porende
os nossos sonhos sempre
tendem a
trincar esse rabo de vìbora
que se desliza
sedutora pola alfombra
que enfeita
e suaviza o passo glorioso
dos ìnclitos
triunfadores deste mundo.
O pilhala
è meta desejada por miles
de criaturas
que nâo pestaneariam
em doar
a sua alma se a tiveram por
transformar
a ditosa serpe em coroa
ainda que
fosse venenosa!
ainda que
fosse venenosa!
E dificil
explicar
as razâos
que levam ao justo
a seguir
os passos da ovelha negra
que todos
os poderosos deste mundo
eligirom
para expiar os seus pecados.
Nâo
è facil nâo o ir indo pola vida
como um
posseso que sô atrae moscas
e outras
misèrias que naturaleza cria.
Porende
quando todo for consumado
e o corpo
sem vida repouse na cova
alem dos
vermes que hâo de roer o
que hà
de materia em nôs sô ficarâo
os sonhos
de cada um a flutuar no
infinito
cèu azul pendurados
do dedo
de Deus!
do dedo
de Deus!
Si sabes
que Deus
sô
se atopa no peto dos ricos
porquè
invocas seu santo nome?
Por o mesmo
motivo que cito a sorte.
Si sabes
que a tua sorte è nefasta
porquè
a segues a todas as partes?
Poque este
è o meu triste destino.
E se teu
destino està predeterminado
porquè
te revoltas em contra dele?
Para despertar
a Deus que dormido
ficou
nesse dourado peto do mundo
e se alguem
ver nasto blasfema
que
lembre que quando Deus me fez
concedeu-me
o libre alvedrio e assim
a Deus eu
sirvo!
a Deus eu
sirvo!
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