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Jà no Cèo
alborea o dia,
fugem
as trevas para o alem,
tenho
eu
umha
teima:
Quando
partìr ,a donde irei?
Quando
caìr,como ficarei?
De antano,de hoje
e de sempre,
quimeras
sâo as nobres ideias,
Sonho
eu?
Desperto
estou?
Nâo
o sei,mas a ideia perdura
no
cùmio da vida e na fossa.
Pensamento-Quem sou?
Sonho-O
que fago?
Um
momemto.
Sô
um instante.
Sou
eu quem escreve ou è,
a mâo
a que garavatea?
Tâo curta fracsâo
de tempo
e tâo
incomensuravel dilema!
As flores estâo
nos meus olhos?
No
meu paladar surgem os manjares?
Fora
de mim o que hà?
Dentro
de mim o que tem?
A resposta
nâo convence,
melhor
sera meditar.
Sirva-nos
a duvida,
console-nos
o sonhar!!
LIMIAR
Morta
a criatura que a mente gerou,
na
fecunda placenta dos sonhos,
loemos
ao finado,
nao
o choremos,
pois
que ao seu feitor no passamento,
com
ele para a cova nâo arrastou,
e hoje
aqui,
entre
os presentes,
pode
estar,ainda que triste,sereno
para
honrar essa que foi esperança
de
tantos
e tâo
bons,
mas,o
destino nao permitiu que inçara,
ceifando-lhe
a vida antes de nascer.
-Cantemos-
Ho
ares purificadores do longinquo
nascente,
que
ao nosso humilde e cativo povo
aterrades,
com
essa carga de justiça libertària,
que
portades,
de
que pais ignoto vindes e a donde vades?
Existides acaso tâo
sô na minha
mente?
Sodes
umha grata ilusâo que moitos
acariciamos?
Mais
umha vez è o povo quem tem
a ultima
palavra,
mas
este,como sempre,olha,escuta
e cala.
Seremos nôs
mesmos por todo
o sempre?
Nâo
mudaremos em todos os nosos
dias?
Loitaremos
sempre sem folgas
e com
fe?
Ou
faremos como o que tendo olhos
nâo
ve?
Merecera a pena viver
num mundo
de
desencantos?
Nâo
nos arredarao as insolidarias
adversidades?
Sô
hà umha certeza: que ilusâo
findou
neste acto,
no
que a velar estamos,um sonho
Non-nato!
PLEGARIA
A Ti,oh
Pai de tudo o criado!
piedade
imploramos para este
difuntinho,
que
nâo conheceu a luz do dia,
nem
respirou,nem soube de bem,
nem
mal.
Por
este inocente,que o destino
transformou
num triste sonho,
Non-nato,
e que
repousando està,nos brasos
da
morte,sem chegar a conhecer,
sopro
de vida.
Tamèm
rogamos por todos nôs
e polos
que sem estar aqui
sâo
povo.
A eles
e a nôs concede tua bensâo
nesta
hora que por um trance assim,
passamos.
Protege
aos que ainda ilusionados,
esperança
nâo perderom,nem fè,
no
futuro.
Bem
sabes Ti,como todos nos ,
com
umha patria liberada e ceive
sonhamos,
na
que,com a tua ajuda,reine
sempre
a paz,o amor e a justisa.
social
Nao
deixes da Tua mâo santa.
a um
povo que se acha indefenso
entre
lobos,
dos
que nos e impossivel liberar
sem
a Tua ajuda e urgente amparo,
bem
feitor,
pois,a
castraçâo e doma aumenta
e por
piedosa que seja a resignasâo,
nâo
libera.
Num
mundo plagado de assassinos
de
uniforme e de mìseros traidores,
diplomados,
que
podemos os humildes esperar,
se nâo temos
do Teu amor sem fim,
o favor.
Condenados
estamos por etnocido
a extinsâo,antes
de realizar-nos,
como
povo,
assim
como sucedeu a este sonho
que
aqui ante Teu sagrado altar,
velamos.
Por
o dito,piedade mendigamos,
para
este nosso povo submiso
e sufrido
,
e para
os que clamando estamos ,
assim
como para este difuntinho
Non-nato.
INVOCAÇÂO
Se
tenho algo que pedir
para
mim,Oh Deus!pesso-te
que
me prives da vista,se
sô
me hà de servir para olhar,
infàmias.
Prego-te me entupas
os ouvidos,
se
nâo me hâo de servir mais que
para
escutar injùrias e se minha
voz
sô vale para dizer parvadas,
emudècea.
Faz que eu nâo
seja umha
promesa
nem falsa esperança
e sim
que do meu existir surja,
umha
praxis de convivència ,
fraterna.
Que nem o aplauso
ou o exito,
corrompam
o meu humano fazer.
Nâo
abandones,Oh Celeste Pai!
ao
triste que um dia gerou sonho,
Non-nato
OREMOS
Rezo -I-
Por
todos os ancestros cuja vida
representa
um exemplo a seguir,
aqui,neste
lance doloroso,
humildemente
imploramos
ao
Deus do amor sem fim,
que
entre os bem aventurados
o tenha
como se merece.
Reconhecemos que
ninguem tèm,
nem
temos nôs tâo-pouco,
a règula
de medir ou pesar
os
corpos ou os espìritus puros.
Para
què entâo umhas medidas
que
no que diz ao recto proceder
nâo
funcionam por obsoletas?
Verdade è
que nâo estamos sôs,
neste
àrido e mìssero mundo,
donde
tudo è regulado e controlado,
mas
o volumem e o peso
dos
que tudo o derom por nôs,
qual
era em tamanho e natureza?
A donde
està e como foi!
Rezo-II-
Imploremos
humildemente,
por
todos aqueles poucos,
que
derom generosos suas vidas
e cruelmente
forom sacrificados,
polo
resurgir desta que hoje è,
graças
à incùria de moitos-
moribunda pàtria!
A Ti,Oh
pai de tudo o existente!
Rogamos
nos ajudes a erguer
um
pedestal em honra dos que
jà
se forom para sempre e serva
para
os que seguindo o seu vieiro,
quando
cansos,poidam descansar,
sosegadamente.
Faz de jeito que
nâo esqueçamos,
a quem
nos amou e que jamais,
deixemos
de honrar os seus nomes.
Senhor,guia
nosos passos pola trilha
dos
que ao teu lado jà estâo,
na
paz da morte sem renegar,
do seu nunca!
Rezo-III-
Lembrar
nâo è reviver,
honrar
nâo è amparar,
porende,fagamos
tudo o quanto
se
poida fazer polos que de nôs,
nada necesitam.
Se desde o alèm
nos inspiram
ou
alumeam com o seu resplandor,
nâo
o sabemos,mas suas labouras
aì
estâo para nos dar exemplo
de bem fazer.
Roguemos a Deus polo
seu descanso
e magnifiquemos
a sua memòria,
mas,o
que aos olhos dos puros agrada
è
verificar como as suas obras tem,
continuadores,
Se nôs seguimos
o seu exemplo
e aramos
nas suas parcelas,
seguro
que no alèm,gozosos,
regocijar-se
hâo,de olhar como ,
a semente prendeu!
CREDO
Creio
firmemente,no poder
gerador
que possue a ilusâo
com
paixoâo
e que
por seu intermèdio,
podem
os homes e os paises,
com
raizes,
resurgir
da postergaçâo,
a que
os mais fortes submeterom,
e mantiverom,
explorando-os
por tantos sèculos
atè
esquecerem a sua liberdade
em
verdade.
Creio nos sonhos
que um dia,
os
ancestros,adeantados na labor,
com
fervor,
engendrarom,e
nos nobres ideais,
que
com espìritu patriòtico forjarom
e semearom,
na
esperança de que com o tempo,
essa
alva de glòria anunciada ,
e desejada,
afugente
as trevas que confundem
a um
povo pacìfico e resignado
nâo
domado.
Creio na ressureiçâo
das esperanças
e na
extinçâo dos poderosos,
ambiciosos,
no
poder alentador das boas obras
e na
atracçâo que gera o amor,
humanizador,
no
esforço que realiza o simples
a caminhar
pola trilha do bem fazer
com
prazer
e creio
tamèm na sutil retranca
do
home sometido e expoliado
por
honrado.
Creio
no ar purificador do nascente
que
apascivel chega atè nos
Oh
doce voz!
anunciando-nos um
tempo novo,
no
que o velho ordem morre,
meu
pobre!
E dà
passo a umha nova era,
na
que os povos avassalados,
jà
liberados,
poidam
viver ceives e em paz,
exercendo
a sua autodeterminaçâo,
sem
manipulaçâo.
Creio piamente que
somos nôs,
os
responsàveis de levar a termo
Oh
inferno!
estas
labores hà tempos começadas,
polos
bons e generosos do passado,
pais
sonhado!
e que,se
no intento fracassamos,
nâo
se nos julgue com frivolidade,
Oh
humanidade!
pois
que as mais nobres empreitas,
sempre
tiverom e terâo detractores,
e depredadores!
AS BEM-AVENTURANÇAS
Bem aventurados sejam
todos
aqueles
que loitam pola liberaçâo
dos
sometidos povos
Os que a cara dâo
denunciando
os
falaces razoamentos dos
lacaios
do poder ou espindo
aos
mìsseros bajuladores
pregadores
de razâos
com
meias verdades
feitas
ao objeto de
iludir
aos menos
abispados.
Bem
aventurados serâo os que
valentemente
se expoem ao
ostracismo
a perseguisâo
a calùnia
a tortura ao
exterminio
fisico
ou
moral.
Para eles atè
o fim dos tempos
serâo
o aplauso e as honras
e no
seu dia a glòria
que
o povo outorga
aos
seus erois
e màrtires.
"Cantemos"
Um canto quero eu
entoar
que
recolha tanto amor como puder
a doce
lira em suas cordas tanher
e a
minha fraca voz cantar!
Bem aventurados sejam
todos
os
anònimos trabalhadores
que
dia tras dia laboram
no
silèncio dos campos
no
mar ou na cidade
colados
e resinados
pero
firmes na sua
teimosia.
Os que conservam
as velhas costumes
dos
ancestros e que ainda sendo
descriminados
polos dèspotas
usurpadores
e seus acòlitos
jamais
renunciarom a nossa
bendita
fala mil veces
escarnida
e envilecida
polos
ensoberbecidos
dum
ilusòrio saber
vilmente
imposto
no
idioma do
invasor!
Bem aventurados serâo
os insubmisos
pois
deles serà a paz de espìritu
que
dà umha alma tranquila
dado
que por ser ìntegros
nâo
forom contaminados
pola
peste mesetària
de
impossivel cura
e peor
sofrer em
justo
premio a
quem
do seu
renega!
"Cantemos"
Hino da estrela Fugitiva
Palavra eco
sombra
doce
canto do mirlo
esperança
do povo
ilusâo
perddida
desejo
imorrente
ar
cèu terra
chuva
vento mar
ideia
que vacila
ansejo
que persiste
lembrança
que teima
misèria
que perdura
nàusea
que nâo cessa
folhas
jà caidas
ervas
que o gado come
queijos
vinhos
carnes
peixes
objetos
palpàveis
sustàncias
aromas
silèncios
berros
lembranças
rumores
cànticos
rezos
preces
bàgoas
nuvem
que flutua
estrela
fugitiva
dizei-me
jà:
A donde
vais?
LETANIA
A Ti oh Pai dos infinitos
contornos
imploramos
por este difuntinho
para
que lhe concedas o repouso
eterno!
Tu que eres fonte
do manam
em
cascata os nossos sonhos
apiada-te
deste Nôm-nato sem màcula
que
se nâo realizou a obra para
à
qual foi concevido è porque
nâo
atingiu a olhar a luz
do dia
Invocamos o teu nome
de Pai
e o
teu poder de Criador
para
que baixo tua protecçâo
e por
teu imtermeio
o mitico
Breogam
forjador
desta cautiva pàtria
o acolha
ao seu lado e o
mime
como a filho dilecto
instruindo
nos feitos que
nâo
chegou a conhecer
ao
truncar o destino o
seu
explendoroso nascimento
impedindo
assim que umha
voz
pura e incontaminada
assumira
a defensa da tribu
por
ele fundada e hoje
sumida
na desesperança.
Apelamos a tua bondade
Oh Pai
para
que apresentes este desditado
que
ante Ti agora aparece
de
todo pecado despido
a todos
os bem-aventurados
que
dedicarom as suas vidas
a trabalhar
o idioma pàtrio
com
cantigas que ainda hoje
do
mundo sâo admiraçâo
e que
nesse elevado cìrculo do cèo
donde
repousam os bardos poida
achar
a felicidade que aqui
entre
nôs o destino lhe negou.
Que da mâo
de Paio G.Charinho
ou
Bernaldo de Bonabal
se
instruia e goze das cantigas
de
amor ou de amigo.
Que da boca de Pero
da Ponte ou
de
Eanes de Cotom se inicie
nas
raices da nossa fala
e no
deleite que sempre dà
o ler
um irònico escarnho.
Que todos,e sâo
tantos oh Deus!
por
teu intermedio o acolham
benèvolamente
e com agarimo
para
que com as suas ensinansas
poida
saber dos factos dum
mundo
que nâo conheceu.
Apresêntao
tamèm em nosso nome
à
Santa Rosalia para que lhe
amostre
as chagas do sofremento
e as
angustias dum viver que
nâo
lhe foi dado padecer pois
como
umha negra sombra
por
este mundo passou feito
lembrança
jà antes de brotar.
Sempre da Tua mâo
levao
ante
o feitor dos rumorosos
acentos
do nosso pàtrio fogar
ô
imortal Pondal para que
o instruia
na labra dos hinos
de
ronco e profundo som.
Humildes sempre rogamo-te
que
o apresentes
ao sofrido Curros
e ao
martir Bòbeda para que
por
seu intermeio obtenha noçâo
de
como è desgarrador o grito
que
sucumbe à foice do poder
Quiças que
assim ache consolo
ao
seu triste destino palpando
no
mais ìntimo do seu espiritu
as
missèrias que nâo conhaceu
poque
morreu antes de nascer.
E ao irmâo
Daniel nâo deixes
oh
bendito Pai do universo!
de
lhe pedir que o instrua
nesse
paraiso sem contaminar
das
cousas desta nossa terra
sempre
na esperança de que
com
o tempo este difuntinho
jà
por tantos bons instruido
poida
em mais dumha ocasiâo
inspirar-nos
o caminho que
hà
de levar a bom porto
a idea
luminosa que de
por
vida o cansado
corpo
carrega.
"Cantemos"
CANTATA PARA O FIM DOS
TEMPOS
Oh alma polo fado
castigada!
Adonde
atopar o sentido comum!
Procuramos
nas passadas sombras
e nada
achamos!
O presente deserta
de nôs.
Se
algumha vez entendemos
o profundo
mistèrio da luz
ou
desciframos o prodìgio
das
meias sombras
estaremos
entâo preparados
para
superar um trance como este
que
agora brutalmente a todos
nos
aflige.
Nâo è
o caminhante eterno
nem
os caminhos sâo infindos.
Peregrinos
somos todos da vida
sabedores
de que limitando o alèm
està
o fantàstico irreal.
Porque somos efèmeros
è
por o què sonhamos
porende
qual seja o destino
do
que morto foi sem nascer
nada
sabemos os leigos.
Donde repousam seus
restos?
Em
que lugar do infinito
acharemos
a sua semblança?
Por força
tem que ser feliz
quem
deste mundo nâo conheceu
nem
missèrias nem tristuras!
Como hà de
refulgir nos cèos
o que
sem màcula se foi
para
indicar a rota ansiada
aos
que de sonhos se nutrem!
Ninguem conhece o
tal lugar.
E nos
velhos textos nâo achamos
umha
sô frase que nos dè pê
para
pensar numha tal paragem
eis
o porquè da nossa dor.
Descanse em paz entre
os justos
essa
luz que nunca existiu
mas
que è capaz de encher
todo
um povo de fantastica claridade.
Todos os que o amamos
estamos
a lamentar tantas
gratas
iluçâos perdidas
e proclamamos
a todos que
atras
os nossos passos venham
que
nada nesta vida nos afligiu
tanto
ao par que afirmamos
contundentemente
que quem
antes
de nascer jà è morto
è
porque algumha cousa
superior
assim o determinou.
Deixemos entâo
a um lado do
caminho
todas nossas màgoas
e sigamos
firmes polo vieiro
que
nos hà de levar atè
o fim
dos tempos que sâo
"chegados"
SERMÂO DAS "CARROUCHAS"
As carrouchas do
monte dirijo
hoje
a palavra pois bem sei
que
elas me hâo de
escutar
garimosas.
Foi a carroucha hà
tempos elevada
a categoria
de emblema polos
"Samaruas"
como sìmbolo
da
sua humildade e
resignada
soedade.
Nâo tem nem
um sô destes
loitadores
pola redençâo
da
pâtria avassalada que
nâo
leve como insignia
a flor
do brejo ou nâo
conserve
altivo no lar
o seu
preciado ramo.
Conhecedor dos vossos
atributos
que
como rùsticas fadas possuides
e mais
ainda merecedes
com
doce gozo a vossoutras
me
dirijo neste trance
e nâo
aos meus concidadans
os
quais por outra banda
nâo
têm mais ouvidos
que
para a voz do amo
ou
o tintiniqueo do
dinheiro
corruptor.
Porque sodes o fruto
singelo
da
sàbia natureza e sabedes
da
vida tudo o que è preciso
è
que vos confio emocionado
a mensagem
deste difuntinho
que
por ser um Nôn-nato
aos
humanos nâo è
dado
interpretar.
E ainda
que tal fosse factivel
seria
em bâo pois bem sabido
è
que os que nunca quiserom
escutar
jamais ouvirom.
Mas ei aqui que no
vosso singelo
existir
confio e como as minhas
esperanças
sâo tercas continuo
na
teima de que algum dia
quando
estas geraçâos sejam
o esterco
que a terra precisa
para
um novo pàtrio resurgir
entâo
vossa humilde presença
hà
de inspirar aos espiritus
que
por força tem que brotar
das
cinzas deste povo que
nâo
souve nem saber quis
que
tal dia como hoje
um
sonho morreu
antes
de nascer.
Quisera ter
a voz do rouxinol
para
honrar cantando os feitos
de
todos aqueles que generosos
tudo
o dâo por amor ao povo.
Oh amor fraterno!!
Dos que renùnciam ao aplauso
e
as prebendas que o poder outorga
e
em troques dedican-se a lavorar
caladamente
pola redençâo da pâtria.
Oh amor fraterno!!
Jamais me cansarei de louvar
os
feitos dos que forom adeantados
loitadores
no empenho regenerador
dos
que a forsa sâo hilotas.
Oh amor fraterno!!
Ou dos què expondo as suas vidas
fortuna
e bem estar familiar
denùnciam
a peito descoverto
a
criminal infàmia dos etnocidas.
Oh amor fraterno!!
Quem pudera viver mais mil anos
para
poder cantar todos os dias
a
bondade desse homem simples
que
morreu ajudando ao necesitado.
Oh amor fraterno!!
E tamèm ao puro de coraçâo
que
sem esperar proveito para sì
ensenhou
ao que queria aprender
e
amparou ao que se viu abandonado.
Oh amor fraterno!!
Cantemos todos a um sô acorde
a
sublime acçâo do que sucunviu
loitando
por implantar entre os homens
umha
era de paz,amor e justiça.
Oh amor fraterno!!
Sem esquecer jamais aos humildes
anònimos
e maltratados trabalhadores
da
gigantesca e nunca rematada obra
que
tem como fim o bem de todos.
Oh amor fraterno!!
MISERERE
A ti que fostes do
nada criado
e ao
nada tornastes antes
de
nascer vâo dedicadas
estas
nossas preces para
que
nessa feliz estância
donde
o criador forja
o destino
dos homes e povos
te
lembres dos que aqui
sofrem
a dolosa e vil
ignonìmia
de olhar o
pàtrio
cham cautivo.
A ti que eres jà
celestial criatura
rogamos
com veemència
para
que interfiras
ante
o divino Patrâo
de
jeito que ao nosso povo
nâo
avandone e seus
passos
guie nestas horas
tristes
polas que passamos
açoitados
por esse flagelo
que
è a nojenta peste
mesetària
que a todos
vai
aos poucos contaminando
de
jeito que nâo hà de
moito
tardar para que
toda
umha etnia seja
varrida
do concerto
das
naçâos.
A ti que eres puro
e bendito
o Criador
hà de ouvir
se
intercedes por nôs
que
te amamos para
que
nâo nos abandone
e que
com o seu infinito
poder
dirija para este
contaminado
pais um
puro
e salutar ar
liberador
que varra
e sepulte
para sempre
nas
covas do averno
essa
atmosfera podrida
que
vai aos poucos minando
as
resistèncias do povo
atè
o ponto de que nem
um
sô de nôs està
isento
da pesonha que
umha
escola bastarda
e soberba
inocula.
A ti Oh criatura
sem mancha
por
Nôn-nato! imploramos
para
que pregues a Deus
que
de nôs tenha misericòrdia
e nâo
nos deixe da mâo
jà
que sem o seu amparo
o etnocido
da sossa pàtria
fatalmente
serà consumado
polo
virus letal que
emana
dum estado
em
perpètuo proceso
de
putrefacçâo.
ELEGIA
I
Cantemos
aquele que do nada surgiu
e ao
nada voltou sem nunca nada ser.
Cantemos
com a voz dos que purram com tesâo
para
fazer resurgir um povo submerso
no indefinivel e
incerto magma do nada.
Que
retumbem estentòreos os graves hinos
dos
que ainda persistem teimudos na trilha
redentora
das ilusâos sempre bem amadas.
sejamos todos nôs
como um imenso coro
que
harmònico entoa um belo canto de esperança
pra
aquele que do nada tudo fez e criou.
Fagamos com que jamais
o nosso eco apaixonado
se
extinga e sim que se propague como a luz
pola
terra atravès dos sempre esperados tempos.
II
Porque
do nada fomos um dia todos gerados
como
tantas cousas dispares e sublimes que hà
no
vasto e incomensuràvel universo mundo
cantemos
em louvança do divino modelador.
Que sejam as nossas
voces tâo doces e harmoniosas
que
às geraçâos futuras venham sempre agradar
pois
certo è que no arte do belo canto acha-se
impreso
o estigma do infinito amor universal.
Nada è mais
puro e duradeiro entre os humanos
nem
mais cautibante que a melodia do amor
que
se escuta perpetuamente ao longe no espaço
como umha chamada
do tempo que se foi
mas
que nâo cessa de modular os vitais ecos
dum
passado desejoso de ser superado polo porvir
III
Que
os nossos cantos entoados ao modèlico unìsono
dumha
ària arrebatadora que surge da alma
sejam
todos para os seres que moram nesta terra
da
que somos ìncolas umha grata esperança.
Que o acorde que
brota das fibras do coraçâo
impregne
o espiritu dum povo de amor sedento
atè
o ponto que o faga vibrar com a certeça
de
que o nada è principio e fim de todo existir.
Seja pois este dia
e este acto incomum
a pauta
rectora dumha nova e feliz època
em
que o povo jà ceive seja motor e condutor
dumha pàtria
e dum destino meta irrenunciàvel
à
que sempre os herdeiros do mìtico Breogam
hâo
de aspirar ainda que tudo finde no nada.
Porque todos sucumbimos
as tentaçâos
dos
desejos
è
polo que hoje a ti me dirijo
Oh
criaturafeliz!
Para
falar-te das inquietudes dos que
acà
estamos
dos
factos e tamèm das moitas nossas
sangrantes
carèncias.
Almas somos que estamos
a fugir
errantes
e a
deriva dum temporal que ainda
nâo
começou.
Que
triste espetàculo olhar tanta
desbandada!
Quiças
que peor do que sofrer a impotència
de
a deter.
Redìculo
parece esto aos olhos dos que
aqui
estamos
a empurrar
pola carroça da liberaçâo
ansiada
continuando
a lavor bem feita e valentemente
acometida
polos
que ao teu lado estâo no mundo
dos
justos.
Nem bem aì
chegaste Oh bendito!e jà
te
invocamos
para
que interfiras polo nosso incerto
futuro
pois
è um feito incontestàvel que a pàtria
agoniça
e que
o idioma jà acastrapado cova tem
aberta.
Nâo è
facil para um ser inesperiente
por
Nôm-nato,
ainda
que morador das esferas,alcance poder
e forças
para
estender a mâo aos que na pàtria
penam
tanta
misèria e desidia impossivel para nôs
atalhar.
È por isso
que as nossas esperanças sâo
limitadas
mas
nâo assim a vontade de perseverar
atè
a morte.
Pensamos
sempre em ti e essa ideia
nos
anima
enche
o peito de entusiasmo e reconforta
das
frustasâos.
Sabemos por experència
que os frutos sô
maduram
no
seu tempo e por tal esperamos que
ao
calor
da
tua alma garimosa brotem as iluçâos
hoje
mortas
dum
futuro que sô os sonhos coma ti podem
alimentar.
ansiosas
de vir a tona da vida em qualquer
època
para
felicidade do povo e admiraçâo
do
mundo.
Nâo
è facil um parto de tal magnitude
sem
door
mas
por intermèdio de tua lembrança umha
nova
era
pode
alumear esta nossa terra hoje sumersa
nas
trevas
e fazer
florescer viçosa e perfumada a flor
da
justiça-
Que assim seja,Oh
aventurado!esperamos
confiados
sem
contar dias nem anos pois bem sabemos
que
os tempos
tardam
em chegar maximo se sâo como esperamos
afortunados,
nâo
fora assim e nâo estarìamos no caminho
e a
cominhar!!
-Oremos-
Oremos Oh irmâos!
por todos aqueles
que
tendo nascido no châm pàtrio
andam
a velas vir e logo apanhalas
sem
molhar as calças nem abaixar o lombo.
Polos que sendo nados
neste pais submisso
sentem
vergonha das sombras que os delatam.
Oremos
pois que nas suas mesquinhas almas
nâo
hà semente que na terra frutifique.
Tristes deles que
jamais acharâo a dita
de
sentir-se cidadâos dumha pàtria ceibe.
Que
as nossas oraçâos aplaquem aos Cèus
para
que no infortùnio a dor nâo os mortifique.
Nâo esquesamos
aos infelices que nesta hora
sem
norte nem brùjula nâo atopam o caminho,
poia
que se no paìs forom amamantados
tamem
nele forom castrados para a facil doma.
Por todos eles oremos
pois è de humanos
estender
a mâo a quem vilmente foi mutilado
polos
què exercendo o direito da forca e cutelo
elevarom
o crime à categoria de civilizaçâo.
Oremos piadosamente
por os tontos ùtiles,
por
os parvos de comenència e por aqueles
que
o cretinismo da moda triunfante engailou
pois
que deles nâo è a vontade nem a iluçâo.
Oremos fraternamente
polos que sentem
rencor,òdio
e ate animosidade polos idealistas
que
luitamos por um mundo de paz,de amor,
de
justiça e de liberdade sem concessâos.
-Cantemos-
OFERTÔRIO
I
"Maestoso"
De
donde as iluçâos venhem e a donde è que vâo?
Quem
entre os vivos è destas cousas sabedor?
Um
sonho foi em mim um dia concevido
e morte
vil achou antes de nascer.
E destino das gentes
do povo laiar-e
do
perdido bem querido e mais desejado,
por
isso è que aqui estamos os sofredores
em
uniâo fraterna a comer o pâo àcido.
Nâo somos de
certo tantos como quisèramos
porque
os tristes factos nâo tenhem engodo
mas
somos os justos e precisos para testemunhar
ante o indiferente
mundo e as civiliçadas naçâos
que
um povo quando de verdade se identifica
è
nas tristes horas de infausto dolor.
II
"Alegro"
Ainda
que estas longe,Oh bem amado sonho!
Sempre
na minha companha polo mundo vagaràs.
a donde
quer que a minha dolente voz alcance
alì
estaràs presente como testigo da minha dor.
È este um
reto para a fertil conciència do home
que
assim como soube parir sonhos tamèm sabe
recordar
esperanças e reviver falidas iluçâos
ainda
que sô seja por fidelidade a sus lembrança.
Ou tamèm e
poque nâo,penso agora de sùpeto,
para
dar corpo e vida a um novo canto de amor
que
na alma do simples aninhe e inquedo pule
de jeito que ao seu
ritmo os novos se alegrem
e os
idosos,incrèdulos,poidam olhar extasiados
como
caminham povo e poeta colhidos da mâo!
III
"Adagio"
Acaso
o apaixonado que sonha com a sua amada
nâo è um iluso que galanteia com a fantasia?
Creio
que assim com essa febre devota,tamèm eu
devorado sou por insana paixoâo que nâo tem cura.
Desejo me consome
pensando dia e noite
nesse ditoso sonho que nunca chegou a nascer
e esso que tantas eram as esperanças do bardo enamorado,
tantas que por darlhe vida,nelas alma e corpo depositou.
Mas a paixâo
sô febre maligna desata
impregnando
a espiritu indefenso de desencanto,
motivo polo qual,mas do que vivo morto me sinto.
E jâ nâo
sangra corpo nem coraçâo lateja
mentres
neste meu incerto e penoso viver
nâo
acho um instante para com o finado sonho sonhar
IV
"Andante sostenuto"
Oh
sufrido pescador de peixes e fantasias!
Como
alimentaràs os teus sem pesca no arpâo?
Oh
labrego infeliz,como sosteràs a tua prole
se
a tua sementeira nâo prende nem dà fruto?
Oh Deus! que a todos
tens por filhos amadisimos
dime,por
favor: Como pode este triste,que de sonhos
se
alimenta,continuar a viver num mundo donde
as
suas iluçâos nâo inçam nem florescem!
Oh mistèrio
infinito e insondàvel para o homem!
Que
è de todas as minhas doces esperanças?
Sâo
acaso estas preguntas fàtuas e sem resposta?
Nâo sei,mas
o tempo infalivel hà de responder,
entâo
o faminto de sonhos que em mim mora
vai
a saciar-se atè estoupar de amor sem fim!
V
"Andantino"
Que
sâo esses tristes e lacerantes lamentos
Oh
eco,que tâo fidel e nìtidos reproduces?
Serâo
acaso os suspiros dum povo sofredor
ou
os lais do que se doe para si em solitàrio?
Eu escuto,penso e
logo imagino
que
o pranto por um sonho Nôm-nato
perdura
no tempo,no espaço e na alma
do
que sente como suas as dores do povo.
Umha infinda,triste
e dolente melancolia
flutua
no ar como se o mundo parara de girar
mesmo
nessa vil hora em que os sonhos findam.
Eis porquè
sô no espìritu do amante fervoroso
pode
vislumbrar-se umha raiola de esperança
capaz
de fecundar outra nova fantasia.
VI
"Andante assai"
Hoje
algumha coisa se foi de mim,
o que
è ou por quanto tempo nâo o sei.
Alà,moi
longe,esse algo me lembrarà
jà
que de mim surgiu e por mim existe.
Alma peregrina que
polo mundo errante vai
a donde
quer que for sempre acharà
umha
faisca dessa exència vital que se consome
no
altar sagrado do amor que nunca atopou.
Oh infeliz ,que vida
estèril esta minha!
vida
que jamais os seus sonhos fecundou,
porende
estes olhos tristes làgrimas sabem parir.
Se algumha dor te
importuna.coraçâo meu, nâo
te
magoes nem deixes de pular sosegado, pois
tempo
virà em que amor e sonho se confundam!
VII
"Alegro com brio"
De
aqueles pristinos sonhos sô restam cinzas
que
um voraz incèndio no peito deixou.
Suspiros
sâo os lais que da alma brotam
e chùvia miuda estas làgrimas amargas.
A todos nos
è dado um momento de doçura
ao par que o pâo âcimo masticamos
menos a este justo que mal nâo conheceu
pois que a olhar a luz do dia nâo alcançou.
Tristes estâo
as criaturas do basto mundo
ao verificar que o ser sô perdura mutando-se
de jeito que num instante è o que nunca foi.
Nôs
os que acà estamos para atestar os factos
entendemos as razâos que levam estas realidades
a um fim dinamitador das esperanças do que sofre.
VIII
"Fortisimo"
Monstros
que coabitades na mente com meus sonhos,
arredadade
de mim e em paz deixade a quem sofre.
Baste-me
a dor de perder tâo ansiada criatura,nâo
me
atormenteis mais nestas horas de infausto pesar.
Dolente è
o calvàrio de quem por amor engendra
um
sonho capaz de ao povo erguer e ilusionar
e logo,Oh
destino! atopa-se com as mâos bacias
pois
a criatura gestada antes de nascer findou.
Fria e tètrica
è a expreçâo do desconhecido,
por
isso sombras malignas na minha mente sobrades
jà
que sofrer,assim como resistir tem um limite.
E a capacidade de
destilar o fel da existència
è
tâo reducida no home como è o poder da voz
que
clama num mundo povoado de fantasmas!
IX
"Largo"
Feliz
aquel que transformou alma e mente
numha
engenhosa màquina de amassar dinheiro,
triste
de quem como eu na sua mìsera vida
nôm
alcança a contar mais alò do fim do mes.
Que dita tem
que ter o que a perna solta dorme
em colchôm de reluzente espuma de ouro
mas,que agrura para o triste que tombado no leito
nôm descansa porque a matinar nôm vem o sono.
Nâo
hà paraiso na terra para um olhar elevado
mas sim para quem baixo chave tem o cofre repleto.
Esse
sabe que Cèu e Glòria estâo na sua mâo.
Quem de sonhos se
alimenta e esperanças defeca
pode sentir-se etèreo,sutil e no espaço flutuar
mas,o
seu fim serà contra a realidade espatifar-se!
X
"Alegreto"
Corroendo-me o peito levo cangado umha màgoa
que nâo tem cura nem fim que seja de seu natural.
Acompanha-me
desde nâo sei quanto tempo hà
e
sô findarà na hora em que morte triste hache.
Amargo è o
destino de quem tal mercancia porta
pois
que nâo sabe de dita,paz ou sosego
e por
moito que clame ao Cèu por um fim certeiro
sempre
hà de sofrer cuita que esperança nâo cura.
Nâo
è a toa que o sensato nâo sonha nem delira,
sabedor de que a iluçâo è quimera e nada mais
passa pola vida peteirando as flores do presente
e deixa para o pobre
sonhador empedernido
a sofrida
tarefa de ir polo mundo turrando
dessa
carroça que sô porta fùtiles esperanças!
XI
"Moderato"
Perdoa
Senhor a quel que do seu se embergonha,
perdoa-lhe
pois que nâo è homem nem cidadâo,
è
apenas um boneco feito as presas e a destempo
que
polo mundo vai,mostrando as suas carèncias.
Perdoemos nôs
tamèm,os que aquì estamos a sofrer
o passamento
deste Nôm- nato,a esses desleigados,
pois
que è de almas grandes em adversos tempos
mostrar
piedade e praticar esso que dizem amor.
Nâo permitamos
que a ira empane nossos olhos
ou
que o humano nojo que nos poida invadir
trastorne
o juiço e nos torça o recto proceder.
Mostremos sempre
que è de homens ser conscientes,
de
jente bem nascida respeitar erradas condutas e
de
bons cidadâos comprender atè posturas degeneradas.
XII
"Andante"
Que
diferença hà entre o chamado home de palha
e o
mìssero poeta que segue a voz da inspiraçâo?
Necedade
seria nâo lhe ver anàloga natureza de
criaturas
paralelas que nunca se hâo de entender.
Se ti,Oh bela e ainda
esplendorosa imaginaçâo!
te
apresentaras ante o povo com signos de magnate,
com
poder e bontade para repartir prebendas
moi
outra seria a sorte do vardo que te venera.
Sim,a glòria
e o aplauso lhe estaria servido
a quem
por ti ante a sociedade fora elegido ainda
que
na boca pequena o tildaram da voz do seu amo.
Mas ti velha musa,sem
poder e de fortuna privada,
jà
nâo tens voz grata aos ouvidos dum povo que tem
como
mùsica celestial os arrotos dum bandulho repleto.
XIII
"Alegro maestoso"
Ninguem
que para o alèm partiu a vida tornarà
e tì,sonho
bendito,que de sùpeto me deixaste
nem
amanhà nem nunca jamais a nim hàs de voltar,
polo
qual trasformado me tens em corpo inerme.
Rico eu era quando
contigo na mente contava
e sempre
estava a idear tempos de feliz ventura
de
jeito que para mim o nadar na felicidade era
como
para o peixe nas àguas mover-se e pular.
Hoje que de luto
se viste minha alma,sinto
um
vacio em mim que jamais serà enchido por
muito
què os que aqui estâo a honrarte me consolem.
Nao è possivel
por remèdio ao que nâo tem cura
e como
ti jamais os meus dias hàs de vir alegrar
nâo
posso deijar de ser o que sou: um infeliz.
XIV
"Forte"
Sofredor
nunca serà quem no peito nada tem.
As
tristuras da vida jamais o atingirâo.
Oh
ditoso,poi que nâo sente nem sabe o que è dor!
Como
um rescem-nascido vai pola vida sem mais.
Se os que aquì
presentes neste acto estamos
pudèramos
extirpar as cordas do coraçâo
de
certo que nem um sô apenado se sentisse
de
que um sonho Nôm-nato tal fim achara.
Sàbia è
a naturaleza e insondàvel o destino,
nâo
fora assim e a vida um inferno seria ao ter
que
sofrer mais do que è humanamente possivel.
Porende,nâo
tenhem os humanos penas de abondo
para
què ainda umha plusvalia se lhe anhada
facendo
latejar no peito umha viscera teimosa?
XV
"Pianisimo"
Alà
polos Cèus de Taramancos vì um luzeiro fugir.
Alma
que para sempre o cautivo cham deixava
por
outro mais alto cùmeo que todo mortal anseja
e que
tâo sô alcança quando da carcaça se libera.
Nâo è
quimera a procura dum Cêu aqui na terra,
nem
loucura a bùsqueda do perdido paraiso,
sim
è umha fùtil esperança crer no impossivel
por
moito que as iluçâos teimem em voar sem alas.
Nâo foi dado
ao homem caminhar sobre as àguas!
Nem
aos sonhos materializar-se em feitos reais!
Sô
no indefinido tem lugar e tempo sobrado o poeta
para atravès
dos etèreos lais que do peito manam
galgar
metas jamais polo homem atingidas
a nâo
ser em estados de sublime quietude.
XVI
"Presto"
Porquè
tèm que buscar modelos o homem sensato
alèm
do seu contorno,fora das suas disquisiçâos?
Se
recta è a fòrmula de analiçar a vida.
para
què perder o tempo em obsurdas fantasias?
A estupidez colhida
da mâo da cretinice imperante
se
està abalada pola força do poder de turno
tem
azos de abondo para galgar o cùmeo inatingivel
à
mais explendorosa e inspirada obra de arte.
Eis aquì donde
as almas mais generosas acham laje
fria
que a larga as hà indiferente acobertar.
pois
a cova è o fim certo de todo o perecedeiro.
E se o triunfo è
o fruto de um proceder tâo impio
e nâo
do bem fazer,para que loitar ou esforzar-se
se
como a vista està os sonhos nâo tenhem futuro!
XVII
"Largueto"
Esquece-te
Oh memòria,do amargo transe
polo
que estàs passando neste infausto hoje!
Um
sonho sublime foi-se de entre nôs,
alva
de glòria seja o seu porto feliz!
Esperança
jamais morre em viril peito
que
lateja ao unìsono do clamor da pàtria.
E como
è doce a lembrança deste bendito
que
no meu peito expirou suspirando de amor!
Nâo tem maior
dita que a que perdura no tempo
alèm
das àgrias vivèncias de mundo tâo pèrfido
que
atè aos inocentes arrasta para o abismo!
Seja como destino
dispoe e manda capricho,
mas
se algo hà superior nesta hora que nos aflige
è
a tristeça que emerge da pèrdida que nos abate.
XVIII
"Piano"
Oh
mater dolorosa,pàtria amada!
A que
tanto espoliam filhos como estranhos,
atè
quando hàs de sofrer muda e submisa
o jugo
que o dèspota mesetàrio te impòe?
Nâo haverà
para ti um sopro de rebeldia
que
te impulse a esnocar o braço que te aferra?
Acaso,mansamente
vas a suportar para sempre
a ignonimia
dum viver serva e humilhada?
Jamais,berremos os
poucos que ainda sonhamos!
Brademos
a coro de tal jeito que com o alvoroto
o dormido
povo do seu sono ao fim desperte!
Ainda que os mais,groseiramente,de
nôs se riam
dizendo
que esta è teima de quem consome a vida
forjando
quimeras que nâo vâo mais alà da sua fantasia!
XIX
"Prestisimo"
Adonde
vas homem de cautiva pàtria!
Que
esperas achar alèm do teu cham natal!
O mundo
è isso que chamam pèrfido degolador,
se
entre os teus nâo achas paz desiste de buscar.
Ai do que procura
estrelas no fundo do mar!
Triste
do que no cèu espera peixes ver!
A vida
do insubmiso que em pàtria serva nasceu
nâo
tem melhor fim que o que teve este sonho.
Pobre do que nâo
ve mais alà do seu desejo!
Condenado
està de por vida a errar sonàmbulo
por
umha estrada semeada de trampas e injùrias.
Destino è
este de todo forjador de sonhos
pois,de
cada iluçâo que sua fantasia lança a vida
sô
recolhe frutos tâo esteris que parecem cinzas!
XX
"Andante maestoso"
Em
tempos idos esperanças tìnhamos
de
um dia achar felices a sonhada liberdade,
iluçâo
era o ideal que a loitar nos impelia
em
aras dumha pàtria que sô no peito pulsava.
Teimas,deziam os
bocaças,de mentes calurentas,
nâo
outra cousa que servidumes da fantasia.
Os
feitos crueis aì estâo a mostrar com frieza
como
a mente sonhadora è torpe para a acçâo.
Morto aqui jace agora,aquel
belo sonho
que
a luz da vida nâo chegou a conhecer
por
mais que o parto feliz foi desejado.
Nada tenhem jà
que fazer na terra as iluçâos!
Desterrada
foi por sempre do mundo a esperança!
Agora,sô
nos resta rezar e começar de novo!
"AMEM"