POESIA em GALAICO-PORTUGUES
PARA O TERCEIRO MILÊNIO

Desde Santiago de Compostela
para o mundo
CHANKECHAM
Presenta em dominio pùblico
Requiem por um sonho NON-NATO
 
Incunàbulo impresso com tipos talhados a mâo polo autor,
e que por motivos de espaço,sô pode apresentar
umha mostra do livro original deminuida,
algo em tamanho e muito em nitidez.
    
Eis aquì a musa de nome Virginia que inspirou a obra toda de Chankecham.

Bibliotecas donde se pode consultar este livro:
Complutense-Minho-Compostela-Nacional de Espanha-
Nacional de portugal-Coimbra-Strasburgo-KVK-
Frankfurt-Tubingem-Oxford-Dublin-Sâo Paulo.

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Introito---- Limiar---- Plegaria--- Invocaçâo Rezo-----I Rezo----II Rezo---III Credo---- As Bem---
Hino da--- Letania--- Cantata--- Sermâo--- Salmo ---- Miserere-- Elegia---- Epistola---- Oraçâo----

OFERTORIO

S-----I S----III S----V S---VII S---IX S---XI S--XIII S--XV S-XVII S-XIX

Ediçâo bibliogràfica em memòria do profesor D. Ricardo Carvalho Calero.

   
INTROITO
Forom-se os piadores passarinhos,
caerom as folhas no caminho,
Sô estou,
 meditando
em quando devo partir
e em como tenho que cair.

Jà no Cèo alborea o dia,
fugem as trevas para o alem,
tenho eu
umha teima:
Quando partìr ,a donde irei?
Quando caìr,como ficarei?

De antano,de hoje e de sempre,
quimeras sâo as nobres ideias,
Sonho eu?
Desperto estou?
Nâo o sei,mas a ideia perdura
no cùmio da vida e na fossa.

Pensamento-Quem sou?
Sonho-O que fago?
Um momemto.
Sô um instante.
Sou eu quem escreve ou è,
a mâo a que garavatea?

Tâo curta fracsâo de tempo
e tâo incomensuravel dilema!

As flores estâo nos meus olhos?
No meu paladar surgem os manjares?
Fora de mim o que hà?
Dentro de mim o que tem?
A resposta nâo convence,
melhor sera meditar.
Sirva-nos a duvida,
console-nos o sonhar!!

   
LIMIAR
Morta a criatura que a mente gerou,
na fecunda placenta dos sonhos,
loemos ao finado,
nao o choremos,
pois que ao seu feitor no passamento,
com ele para a cova nâo arrastou,
e hoje aqui,
entre os presentes,
pode estar,ainda que triste,sereno
para honrar essa que foi esperança
de tantos
e tâo bons,
mas,o destino nao permitiu que inçara,
ceifando-lhe a vida antes de nascer.
                              -Cantemos-
   
Ho ares purificadores do longinquo
nascente,
que ao nosso humilde e cativo povo
aterrades,
com essa carga de justiça libertària,
que portades,
de que pais ignoto vindes e a donde vades?

Existides acaso tâo sô na minha
mente?
Sodes umha grata ilusâo que moitos
acariciamos?
Mais umha vez è o povo quem tem
a ultima palavra,
mas este,como sempre,olha,escuta
e cala.

Seremos nôs mesmos por todo
o sempre?
Nâo mudaremos em todos os nosos
dias?
Loitaremos sempre sem folgas
e com fe?
Ou faremos como o que tendo olhos
nâo ve?

Merecera a pena viver num mundo
de desencantos?
Nâo nos arredarao as insolidarias
adversidades?
Sô hà umha certeza: que ilusâo
findou neste acto,
no que a velar estamos,um sonho
Non-nato!

   
PLEGARIA
A Ti,oh Pai de tudo o criado!
piedade imploramos para este
difuntinho,
que nâo conheceu a luz do dia,
nem respirou,nem soube de bem,
nem mal.
Por este inocente,que o destino
transformou num triste sonho,
Non-nato,
e que repousando està,nos brasos
da morte,sem chegar a conhecer,
sopro de vida.
Tamèm rogamos por todos nôs
e polos que sem estar aqui
sâo povo.
A eles e a nôs concede tua bensâo
nesta hora que por um trance assim,
passamos.
Protege aos que ainda ilusionados,
esperança nâo perderom,nem fè,
no futuro.
Bem sabes Ti,como todos nos ,
com umha patria liberada e ceive
sonhamos,
na que,com a tua ajuda,reine
sempre a paz,o amor e a justisa.
social
Nao deixes da Tua mâo santa.
a um povo que se acha indefenso
entre lobos,
dos que nos e impossivel liberar
sem a Tua ajuda e urgente amparo,
bem feitor,
pois,a castraçâo e doma aumenta
e por piedosa que seja a resignasâo,
nâo libera.
Num mundo plagado de assassinos
de uniforme e de mìseros traidores,
diplomados,
que podemos os humildes esperar,

se nâo temos do Teu amor sem fim,
o favor.
Condenados estamos por etnocido
a extinsâo,antes de realizar-nos,
como povo,
assim como sucedeu a este sonho
que aqui ante Teu sagrado altar,
velamos.
Por o dito,piedade mendigamos,
para este nosso povo submiso
e sufrido ,
e para os que clamando estamos ,
assim como para este difuntinho
Non-nato.

   
INVOCAÇÂO
Se tenho algo que pedir
para mim,Oh Deus!pesso-te
que me prives da vista,se
sô me hà de servir para olhar,
                                   infàmias.

Prego-te me entupas os ouvidos,
se nâo me hâo de servir mais que
para escutar injùrias e se minha
voz sô vale para dizer parvadas,
                                       emudècea.

Faz que eu nâo seja umha
promesa nem falsa esperança
e sim que do meu existir surja,
umha praxis de convivència ,
                                    fraterna.

Que nem o aplauso ou o exito,
corrompam o meu humano fazer.
Nâo abandones,Oh Celeste Pai!
ao triste que um dia gerou sonho,
                                       Non-nato

   
OREMOS

Rezo -I-
Por todos os ancestros cuja vida
representa um exemplo a seguir,
aqui,neste lance doloroso,
 humildemente imploramos
ao Deus do amor sem fim,
que entre os bem aventurados
o tenha como se merece.

Reconhecemos que ninguem tèm,
nem temos nôs tâo-pouco,
a règula de medir ou pesar
os corpos ou os espìritus puros.
Para què entâo umhas medidas
que no que diz ao recto proceder
nâo funcionam por obsoletas?

Verdade è que nâo estamos sôs,
neste àrido e mìssero mundo,
donde tudo è regulado e controlado,
mas o volumem e o peso
dos que tudo o derom por nôs,
qual era em tamanho e natureza?
A donde està e como foi!

Rezo-II-
Imploremos humildemente,
por todos aqueles poucos,
que derom generosos suas vidas
e cruelmente forom sacrificados,
polo resurgir desta que hoje è,
graças à incùria de moitos-
                                       moribunda pàtria!
   
A Ti,Oh pai de tudo o existente!
Rogamos nos ajudes a erguer
um pedestal em honra dos que
jà se forom para sempre e serva
para os que seguindo o seu vieiro,
quando cansos,poidam descansar,
                                     sosegadamente.

Faz de jeito que nâo esqueçamos,
a quem nos amou e que jamais,
deixemos de honrar os seus nomes.
Senhor,guia nosos passos pola trilha
dos que ao teu lado jà estâo,
na paz da morte sem renegar,
                                   do seu nunca!

Rezo-III-
Lembrar nâo è reviver,
honrar nâo è amparar,
porende,fagamos tudo o quanto
se poida fazer polos que de nôs,
                                    nada necesitam.

Se desde o alèm nos inspiram
ou alumeam com o seu resplandor,
nâo o sabemos,mas suas labouras
aì estâo para nos dar exemplo
                                de bem fazer.

Roguemos a Deus polo seu descanso
e magnifiquemos a sua memòria,
mas,o que aos olhos dos puros agrada
è verificar como as suas obras tem,
                                    continuadores,

Se nôs seguimos o seu exemplo
e aramos nas suas parcelas,
seguro que no alèm,gozosos,
regocijar-se hâo,de olhar como ,
                                          a semente prendeu!

   
CREDO
Creio firmemente,no poder
gerador que possue a ilusâo
com paixoâo
e que por seu intermèdio,
podem os homes e os paises,
com raizes,
resurgir da postergaçâo,
a que os mais fortes submeterom,
e mantiverom,
explorando-os por tantos sèculos
atè esquecerem a sua liberdade
em verdade.

Creio nos sonhos que um dia,
os ancestros,adeantados na labor,
com fervor,
engendrarom,e nos nobres ideais,
que com espìritu patriòtico forjarom
e semearom,
na esperança de que com o tempo,
essa alva de glòria anunciada ,
e desejada,
afugente as trevas que confundem
a um povo pacìfico e resignado
nâo domado.

Creio na ressureiçâo das esperanças
e na extinçâo dos poderosos,
ambiciosos,
no poder alentador  das boas obras
e na atracçâo que gera o amor,
humanizador,
no esforço que realiza o simples
a caminhar pola trilha do bem fazer
com prazer
e creio tamèm na sutil retranca
do home sometido e expoliado
por honrado.
Creio no ar purificador do nascente
que apascivel chega atè nos
Oh doce voz!

anunciando-nos um tempo novo,
no que o velho ordem morre,
meu pobre!
E dà passo a umha nova era,
na que os povos avassalados,
jà liberados,
poidam viver ceives e em paz,
exercendo a sua autodeterminaçâo,
sem manipulaçâo.

Creio piamente que somos nôs,
os responsàveis de levar a termo
Oh inferno!
estas labores hà tempos começadas,
polos bons e generosos do passado,
pais sonhado!
e que,se no intento fracassamos,
nâo se nos julgue com frivolidade,
Oh humanidade!
pois que as mais nobres empreitas,
sempre tiverom e terâo detractores,
e depredadores!

   
AS BEM-AVENTURANÇAS

Bem aventurados sejam todos
aqueles que loitam pola liberaçâo
dos sometidos povos

Os que a cara dâo denunciando
os falaces razoamentos dos
lacaios do poder ou espindo
aos mìsseros bajuladores
pregadores de razâos
com meias verdades
feitas ao objeto de
iludir aos menos
abispados.
   
Bem aventurados serâo os que
valentemente se expoem ao
ostracismo a perseguisâo
a calùnia a tortura ao
 exterminio fisico
ou moral.

Para eles atè o fim dos tempos
serâo o aplauso e as honras
e no seu dia a glòria
que o povo outorga
aos seus erois
e màrtires.

                                    "Cantemos"

Um canto quero eu entoar
que recolha tanto amor como puder
a doce lira em suas cordas tanher
e a minha fraca voz  cantar!

Bem aventurados sejam todos
os anònimos trabalhadores
que dia tras dia laboram
no silèncio dos campos
no mar ou na cidade
colados e resinados
pero firmes na sua
teimosia.

Os que conservam as velhas costumes
dos ancestros e que ainda sendo
descriminados polos dèspotas
usurpadores e seus acòlitos
jamais renunciarom a nossa
bendita fala mil veces
escarnida e envilecida
polos ensoberbecidos
dum ilusòrio saber
vilmente imposto
no idioma do
invasor!

Bem aventurados serâo os insubmisos
pois deles serà a paz de espìritu
que dà umha alma tranquila
dado que por ser ìntegros
nâo forom contaminados
pola peste mesetària
de impossivel cura
e peor sofrer em
justo premio a
quem do seu
renega!

                                        "Cantemos"
   
Hino da estrela Fugitiva

 Palavra eco sombra
 doce canto do mirlo
esperança do povo
ilusâo perddida
desejo imorrente
ar cèu terra
chuva vento mar
ideia que vacila
ansejo que persiste
lembrança que teima
misèria que perdura
nàusea que nâo cessa
folhas jà caidas
ervas que o gado come
queijos vinhos
carnes peixes
objetos palpàveis
sustàncias aromas
 silèncios berros
lembranças rumores
cànticos rezos
preces bàgoas
nuvem que flutua
estrela fugitiva
dizei-me jà:
A donde vais?

   
LETANIA

A Ti oh Pai dos infinitos contornos
imploramos por este difuntinho
para que lhe concedas o repouso
                                                   eterno!

Tu que eres fonte do manam
em cascata os nossos sonhos
apiada-te deste Nôm-nato sem màcula
que se nâo realizou a obra para
à qual foi concevido è porque
nâo atingiu a olhar a luz
                                                 do dia

Invocamos o teu nome de Pai
e o teu poder de Criador
para que baixo tua protecçâo
e por teu imtermeio
o mitico Breogam
forjador desta cautiva pàtria
o acolha ao seu lado e o
mime como a filho dilecto
instruindo nos feitos que
nâo chegou a conhecer
ao truncar o destino o
seu explendoroso nascimento
impedindo assim que umha
voz pura e incontaminada
assumira a defensa da tribu
por ele fundada e hoje
sumida na desesperança.

Apelamos a tua bondade Oh Pai
para que apresentes este desditado
que ante Ti agora aparece
de todo pecado despido
a todos os bem-aventurados
que dedicarom as suas vidas
a trabalhar o idioma pàtrio
com cantigas que ainda hoje
do mundo sâo admiraçâo
   
e que nesse elevado cìrculo do cèo
donde repousam os bardos poida
achar a felicidade que aqui
entre nôs o destino lhe negou.

Que da mâo de Paio G.Charinho
ou Bernaldo de Bonabal
se instruia e goze das cantigas
de amor ou de amigo.

Que da boca de Pero da Ponte ou
de Eanes de Cotom se inicie
nas raices da nossa fala
e no deleite que sempre dà
o ler um irònico escarnho.

Que todos,e sâo tantos oh Deus!
por teu intermedio o acolham
benèvolamente e com agarimo
para que com as suas ensinansas
poida saber dos factos dum
mundo que nâo conheceu.

Apresêntao tamèm em nosso nome
à Santa Rosalia para que lhe
amostre as chagas do sofremento
e as angustias dum viver que
nâo lhe foi dado padecer pois
como umha negra sombra
por este mundo passou feito
lembrança jà antes de brotar.

Sempre da Tua mâo levao
ante o feitor dos rumorosos
acentos do nosso pàtrio fogar
ô imortal Pondal para que
o instruia na labra dos hinos
de ronco e profundo som.

Humildes sempre rogamo-te que
o apresentes ao sofrido Curros
e ao martir Bòbeda para que
por seu intermeio obtenha noçâo
de como è desgarrador o grito
que sucumbe à foice do poder
   

Quiças que assim ache consolo
ao seu triste destino palpando
no mais ìntimo do seu espiritu
as missèrias que nâo conhaceu
poque morreu antes de nascer.

E ao irmâo Daniel nâo deixes
oh bendito Pai do universo!
de lhe pedir que o instrua
 nesse paraiso sem contaminar
das cousas desta nossa terra
sempre na esperança de que
com o tempo este difuntinho
jà por tantos bons instruido
poida em mais dumha ocasiâo
inspirar-nos o caminho que
 hà de levar a bom porto
a idea luminosa que de
por vida o cansado
corpo carrega.
                   "Cantemos"

   
CANTATA PARA  O FIM DOS TEMPOS

Oh alma polo fado castigada!
Adonde atopar o sentido comum!
Procuramos nas passadas sombras
e nada achamos!

O presente deserta de nôs.
Se algumha vez entendemos
o profundo mistèrio da luz
ou desciframos o prodìgio
das meias sombras
estaremos entâo preparados
para superar um trance como este
que agora brutalmente a todos
 nos aflige.

Nâo è o caminhante eterno
nem os caminhos sâo infindos.
Peregrinos somos todos da vida
sabedores de que limitando o alèm
està o fantàstico irreal.

Porque somos efèmeros
è por o què sonhamos
porende qual seja o destino
do que morto foi sem nascer
nada sabemos os leigos.

Donde repousam seus restos?
Em que lugar do infinito
acharemos a sua semblança?

Por força tem que ser feliz
quem deste mundo nâo conheceu
nem missèrias nem tristuras!

Como hà de refulgir nos cèos
o que sem màcula se foi
para indicar a rota ansiada
aos que de sonhos se nutrem!

Ninguem conhece o tal lugar.
E nos velhos textos nâo achamos
umha sô frase que nos dè pê
para pensar numha tal paragem
eis o porquè da nossa dor.

Descanse em paz entre os justos
essa luz que nunca existiu
mas que è capaz de encher
todo um povo de fantastica claridade.

Todos os que o amamos
estamos a lamentar tantas
gratas iluçâos perdidas
e proclamamos a todos que
atras os nossos passos venham
que nada nesta vida nos afligiu
tanto ao par que afirmamos
contundentemente que quem
antes de nascer jà è morto
è porque algumha cousa
superior  assim o determinou.

Deixemos entâo a um lado do
caminho todas nossas màgoas
e sigamos firmes polo vieiro
que nos hà de levar atè
o fim dos tempos que sâo
                                          "chegados"

   
SERMÂO DAS "CARROUCHAS"

As carrouchas do monte dirijo
hoje a palavra pois bem sei
que elas me hâo de
escutar garimosas.

Foi a carroucha hà tempos elevada
a categoria de emblema polos
"Samaruas" como sìmbolo
da sua humildade e
resignada soedade.

Nâo tem nem um sô destes
loitadores pola redençâo
da pâtria avassalada que
nâo leve como insignia
a flor do brejo ou nâo
conserve altivo no lar
o seu preciado ramo.

Conhecedor dos vossos atributos
que como rùsticas fadas possuides
e mais ainda merecedes
com doce gozo a vossoutras
me dirijo neste trance
e nâo aos meus concidadans
os quais por outra banda
nâo têm mais ouvidos
que para a voz do amo
ou o tintiniqueo do
dinheiro corruptor.

Porque sodes o fruto singelo
da sàbia natureza e sabedes
da vida tudo o que è preciso
è que vos confio emocionado
a mensagem deste difuntinho
que por ser um Nôn-nato
aos humanos nâo è
dado interpretar.
   
E ainda que tal fosse factivel
seria em bâo pois bem sabido
è que os que nunca quiserom
escutar jamais ouvirom.

Mas ei aqui que no vosso singelo
existir confio e como as minhas
esperanças sâo tercas continuo
na teima de que algum dia
quando estas geraçâos sejam
o esterco que a terra precisa
para um novo pàtrio resurgir
entâo vossa humilde presença
hà de inspirar aos espiritus
que por força tem que brotar
das cinzas deste povo que
nâo souve nem saber quis
que tal dia como hoje
um sonho morreu
antes de nascer.

SALMO DO AMOR FRATERNO

 Quisera ter a voz do rouxinol
 para honrar cantando os feitos
 de todos aqueles que generosos
 tudo o dâo por amor ao povo.
                                                             Oh amor fraterno!!
   Dos que renùnciam ao aplauso
 e as prebendas que o poder outorga
 e em troques dedican-se a lavorar
 caladamente pola redençâo da pâtria.
                                                             Oh amor fraterno!!
   Jamais me cansarei de louvar
 os feitos dos que forom adeantados
 loitadores no empenho regenerador
 dos que a forsa sâo hilotas.
                                                              Oh amor fraterno!!    
   Ou dos què expondo as suas vidas
 fortuna e bem estar familiar
 denùnciam a peito descoverto
 a criminal infàmia dos etnocidas.
                                                                   Oh amor fraterno!!
   Quem pudera viver mais mil anos
 para poder cantar todos os dias
 a bondade desse homem simples
 que morreu ajudando ao necesitado.
                                                                     Oh amor fraterno!!
   E tamèm ao puro de coraçâo
 que sem esperar proveito para sì
 ensenhou ao que queria aprender
 e amparou ao que se viu abandonado.
                                                                        Oh amor fraterno!!
   Cantemos todos a um sô acorde
 a sublime acçâo do que sucunviu
 loitando por implantar entre os homens
 umha era de paz,amor e justiça.
                                                                        Oh amor fraterno!!
   Sem esquecer jamais aos humildes
 anònimos e maltratados trabalhadores
 da gigantesca e nunca rematada obra
 que tem como fim o bem de todos.
                                                                        Oh amor fraterno!!

   
MISERERE

A ti que fostes do nada criado
e ao nada tornastes antes
de nascer vâo dedicadas
estas nossas preces para
que nessa feliz estância
donde o criador forja
o destino dos homes e povos
te lembres dos que aqui
sofrem a dolosa e vil
ignonìmia de olhar o
pàtrio cham cautivo.

A ti que eres jà celestial criatura
rogamos com veemència
para que interfiras
ante o divino Patrâo
de jeito que ao nosso povo
nâo avandone e seus
passos guie nestas horas
tristes polas que passamos
açoitados por esse flagelo
que è a nojenta peste
mesetària que a todos
vai aos poucos contaminando
de jeito que nâo hà de
moito tardar para que
toda umha etnia seja
varrida do concerto
das naçâos.

A ti que eres puro e bendito
o Criador hà de ouvir
se intercedes por nôs
que te amamos para
que nâo nos abandone
e que com o seu infinito
 poder dirija para este
contaminado pais um
puro e salutar ar
liberador que varra
e sepulte para sempre
   
nas covas do averno
essa atmosfera podrida
que vai aos poucos minando
as resistèncias do povo
atè o ponto de que nem
um sô de nôs està
isento da pesonha que
umha escola bastarda
e soberba inocula.

A ti Oh criatura sem mancha
por Nôn-nato! imploramos
para que pregues a Deus
que de nôs tenha misericòrdia
e nâo nos deixe da mâo
jà que sem o seu amparo
o etnocido da sossa  pàtria
fatalmente serà consumado
polo virus letal que
emana dum estado
em perpètuo proceso
de putrefacçâo.

 
ELEGIA
I
Cantemos aquele que do nada surgiu
e ao nada voltou sem nunca nada ser.
Cantemos com a voz dos que purram com tesâo
para fazer resurgir um povo submerso

no indefinivel e incerto magma do nada.
Que retumbem estentòreos os graves hinos
dos que ainda persistem teimudos na trilha
redentora das ilusâos sempre bem amadas.

sejamos todos nôs como um imenso coro
que harmònico entoa um belo canto de esperança
pra aquele que do nada tudo fez e criou.

Fagamos com que jamais o nosso eco apaixonado
se extinga e sim que se propague como a luz
pola terra atravès dos sempre esperados tempos.

II
Porque do nada fomos um dia todos gerados
como tantas cousas dispares e sublimes que hà
no vasto e incomensuràvel universo mundo
cantemos em louvança do divino modelador.

Que sejam as nossas voces tâo doces e harmoniosas
que às geraçâos futuras venham sempre agradar
pois certo è que no arte do belo canto acha-se
impreso o estigma do infinito amor universal.

Nada è mais puro e duradeiro entre os humanos
nem mais cautibante que a melodia do amor
que se escuta perpetuamente ao longe no espaço

como umha chamada do tempo que se foi
mas que nâo cessa de modular os vitais ecos
dum passado desejoso de ser superado polo porvir
   
III
Que  os nossos cantos entoados ao modèlico unìsono
dumha ària arrebatadora que surge da alma
sejam todos para os seres que moram nesta terra
da que somos ìncolas umha grata esperança.

Que o acorde que brota das fibras do coraçâo
impregne o espiritu dum povo de amor sedento
atè o ponto que o faga vibrar com a certeça
de que o nada è principio e fim de todo existir.

Seja pois este dia e este acto incomum
a pauta rectora dumha nova e feliz època
em que o povo jà ceive seja motor e condutor

dumha pàtria e dum destino meta irrenunciàvel
à que sempre os herdeiros do mìtico Breogam
hâo de aspirar ainda que tudo finde no nada.

EPISTOLA

Porque todos sucumbimos as tentaçâos
dos desejos
è polo que hoje a ti me dirijo
Oh criaturafeliz!
Para falar-te das inquietudes dos que
acà estamos
dos factos e tamèm das moitas nossas
sangrantes carèncias.

Almas somos que estamos a fugir
errantes
e a deriva dum temporal que ainda
nâo começou.
Que triste espetàculo olhar tanta
desbandada!
Quiças que peor do que sofrer a impotència
de a deter.
 
Redìculo parece esto aos olhos dos que
aqui estamos
a empurrar pola carroça da liberaçâo
ansiada
continuando a lavor bem feita e valentemente
acometida
polos que ao teu lado estâo no mundo
dos justos.

Nem bem aì chegaste Oh bendito!e jà
te invocamos
para que interfiras polo nosso incerto
futuro
pois è um feito incontestàvel que a pàtria
agoniça
e que o idioma jà acastrapado cova tem
aberta.

Nâo è facil para um ser inesperiente
por Nôm-nato,
ainda que morador das esferas,alcance poder
e forças
para estender a mâo aos que na pàtria
penam
tanta misèria e desidia impossivel para nôs
atalhar.

È por isso que as nossas esperanças sâo
limitadas
mas nâo assim a vontade de perseverar
atè a morte.
Pensamos sempre em ti e essa ideia
nos anima
enche o peito de entusiasmo e reconforta
das frustasâos.

Sabemos por experència que os frutos sô
maduram
no seu tempo e por tal esperamos que
ao calor
da tua alma garimosa brotem as iluçâos
hoje mortas
dum futuro que sô os sonhos coma ti podem
alimentar.
 
ansiosas de vir a tona da vida em qualquer
època
para felicidade do povo e admiraçâo
do mundo.
Nâo è facil um parto de tal magnitude
sem door
mas por intermèdio de tua lembrança umha
nova era
pode alumear esta nossa terra hoje sumersa
nas trevas
e fazer florescer viçosa e perfumada a flor
da justiça-

Que assim seja,Oh aventurado!esperamos
confiados
sem contar dias nem anos pois bem sabemos
que os tempos
tardam em chegar maximo se sâo como esperamos
afortunados,
nâo fora assim e nâo estarìamos no caminho
e a cominhar!!

                                                                -Oremos- 

 
ORAÇÂO POLOS MAL NASCIDOS

Oremos Oh irmâos! por todos aqueles
que tendo nascido no châm pàtrio
andam a velas vir e logo apanhalas
sem molhar as calças nem abaixar o lombo.

Polos que sendo nados neste pais submisso
sentem vergonha das sombras que os delatam.
Oremos pois que nas suas mesquinhas almas
nâo hà semente que na terra frutifique.

Tristes deles que jamais acharâo a dita
de sentir-se cidadâos dumha pàtria ceibe.
Que as nossas oraçâos aplaquem aos Cèus
para que no infortùnio a dor nâo os mortifique.

Nâo esquesamos aos infelices que nesta hora
sem norte nem brùjula nâo atopam o caminho,
poia que se no paìs forom amamantados
tamem nele forom castrados para a facil doma.

Por todos eles oremos pois è de humanos
estender a mâo a quem vilmente foi mutilado
polos què exercendo o direito da forca e cutelo
elevarom o crime à categoria de civilizaçâo.

Oremos piadosamente por os tontos ùtiles,
por os parvos de comenència e por aqueles
que o cretinismo da moda triunfante engailou
pois que deles nâo è a vontade nem a iluçâo.

Oremos fraternamente polos que sentem
rencor,òdio e ate animosidade polos idealistas
que luitamos por um mundo de paz,de amor,
de justiça e de liberdade sem concessâos.

                                                           -Cantemos-
 
OFERTÔRIO
I
                                                        "Maestoso"
De donde as iluçâos venhem e a donde è que vâo?
Quem  entre os vivos è destas cousas sabedor?
Um sonho foi em mim um dia concevido
e morte vil achou antes de nascer.

E destino das gentes do povo laiar-e
do perdido bem querido e mais desejado,
por isso è que aqui estamos os sofredores
em uniâo fraterna a comer o pâo àcido.

Nâo somos de certo tantos como quisèramos
porque os tristes factos nâo tenhem engodo
mas somos os justos e precisos para testemunhar

ante o indiferente mundo e as civiliçadas naçâos
que um povo quando de verdade se identifica
è nas tristes horas de infausto dolor.
II
                                                      "Alegro"
Ainda que estas longe,Oh bem amado sonho!
Sempre na minha companha polo mundo vagaràs.
a donde quer que a minha dolente voz alcance
alì estaràs presente como testigo da minha dor.
 

È este um reto para a fertil conciència do home
que assim como soube parir sonhos tamèm sabe
recordar esperanças e reviver falidas iluçâos
ainda que sô seja por fidelidade a sus lembrança.

Ou tamèm e poque nâo,penso agora de sùpeto,
para dar corpo e vida a um novo canto de amor
que na alma do simples aninhe e inquedo pule

de jeito que ao seu ritmo os novos se alegrem
e os idosos,incrèdulos,poidam olhar extasiados
como caminham povo e poeta colhidos da mâo!

 
III
                                               "Adagio"
Acaso o apaixonado que sonha com a sua amada
  nâo è um iluso que galanteia com a fantasia?
 Creio que assim com essa febre devota,tamèm eu
  devorado sou por insana paixoâo que nâo tem cura.

 Desejo me consome pensando dia e noite
  nesse ditoso sonho que nunca chegou a nascer
    e esso que tantas eram as esperanças do bardo enamorado,
    tantas que por darlhe vida,nelas alma e corpo depositou.

 Mas a paixâo sô febre maligna desata
 impregnando a espiritu indefenso de desencanto,
  motivo polo qual,mas do que vivo morto me sinto.

E jâ nâo sangra corpo nem coraçâo lateja
mentres neste meu incerto e penoso viver
 nâo acho um instante para com o finado sonho sonhar
IV
                                                       "Andante sostenuto"
Oh sufrido pescador de peixes e fantasias!
Como alimentaràs os teus sem pesca no arpâo?
Oh labrego infeliz,como sosteràs a tua prole
se a tua sementeira nâo prende nem dà fruto?

Oh Deus! que a todos tens por filhos amadisimos
dime,por favor: Como pode este triste,que de sonhos
se alimenta,continuar a viver num mundo donde
as suas iluçâos nâo inçam nem florescem!

Oh mistèrio infinito e insondàvel para o homem!
Que è de todas as minhas doces esperanças?
Sâo acaso estas preguntas fàtuas e sem resposta?

Nâo sei,mas o tempo infalivel hà de responder,
entâo o faminto de sonhos que em mim mora
vai a saciar-se atè estoupar de amor sem fim!

 
V
                                                                 "Andantino"
Que sâo esses tristes e lacerantes lamentos
Oh eco,que tâo fidel e nìtidos reproduces?
Serâo acaso os suspiros dum povo sofredor
ou os lais do que se doe para si em solitàrio?

Eu escuto,penso e logo imagino
que o pranto por um sonho Nôm-nato
perdura no tempo,no espaço e na alma
do que sente como suas as dores do povo.

Umha infinda,triste e dolente melancolia
flutua no ar como se o mundo parara de girar
mesmo nessa vil hora em que os sonhos findam.

Eis porquè sô no espìritu do amante fervoroso
pode vislumbrar-se umha raiola de esperança
capaz de fecundar outra nova fantasia.
VI
                                                                "Andante assai"
Hoje algumha coisa se foi de mim,
o que è ou por quanto tempo nâo o sei.
Alà,moi longe,esse algo me lembrarà
jà que de mim surgiu e por mim existe.

Alma peregrina que polo mundo errante vai
a donde quer que for sempre acharà
umha faisca dessa exència vital que se consome
no altar sagrado do amor que nunca atopou.

Oh infeliz ,que vida estèril esta minha!
vida que jamais os seus sonhos fecundou,
porende estes olhos tristes làgrimas sabem parir.

Se algumha dor te importuna.coraçâo meu, nâo
te magoes nem deixes de pular sosegado, pois
tempo virà em que amor e sonho se confundam!

 
VII
                                                                "Alegro com brio"
De aqueles pristinos sonhos sô restam cinzas
que um voraz incèndio no peito deixou.
Suspiros sâo os lais que da alma brotam
  e chùvia miuda estas làgrimas amargas.

  A todos nos è dado um momento de doçura
  ao par que o pâo âcimo masticamos
  menos a este justo que mal nâo conheceu
   pois que a olhar a luz do dia nâo alcançou.

 Tristes estâo as criaturas do basto mundo
  ao verificar que o ser sô perdura mutando-se
  de jeito que num instante è o que nunca foi.

  Nôs os que acà estamos para atestar os factos
  entendemos as razâos que levam estas realidades
  a um fim dinamitador das esperanças do que sofre.
VIII
                                                                   "Fortisimo"
Monstros que coabitades na mente com meus sonhos,
arredadade de mim e em paz deixade a quem sofre.
Baste-me a dor de perder tâo ansiada criatura,nâo
me atormenteis mais nestas horas de infausto pesar.

Dolente è o calvàrio de quem por amor engendra
um sonho capaz de ao povo erguer e ilusionar
e logo,Oh destino! atopa-se com as mâos bacias
pois a criatura gestada antes de nascer findou.

Fria e tètrica è a expreçâo do desconhecido,
por isso sombras malignas na minha mente sobrades
jà que sofrer,assim como resistir tem um limite.

E a capacidade de destilar o fel da existència
è tâo reducida no home como è o poder da voz
que clama num mundo povoado de fantasmas!

 
IX
                                                 "Largo"
Feliz aquel que transformou alma e mente
 numha engenhosa màquina de amassar dinheiro,
 triste de quem como eu na sua mìsera vida
 nôm alcança a contar mais alò do fim do mes.

  Que dita tem que ter o que a perna solta dorme
  em colchôm de reluzente espuma de ouro
  mas,que agrura para o triste que tombado no leito
   nôm descansa porque a matinar nôm vem o sono.

  Nâo hà paraiso na terra para um olhar elevado
  mas sim para quem baixo chave tem o cofre repleto.
Esse sabe que Cèu e Glòria estâo na sua mâo.

Quem de sonhos se alimenta e esperanças defeca
   pode sentir-se etèreo,sutil e no espaço flutuar
 mas,o seu fim serà contra a realidade espatifar-se!
X
                                                             "Alegreto"
  Corroendo-me o peito levo cangado umha màgoa
  que nâo tem cura nem fim que seja de seu natural.
Acompanha-me desde nâo sei quanto tempo hà
 e sô findarà na hora em que morte triste hache.

Amargo è o destino de quem tal mercancia porta
pois que nâo sabe de dita,paz ou sosego
e por moito que clame ao Cèu por um fim certeiro
 sempre hà de sofrer cuita que esperança nâo cura.

  Nâo è a toa que o sensato nâo sonha nem delira,
  sabedor de que a iluçâo è quimera e nada mais
  passa pola vida peteirando as flores do presente

e deixa para o pobre sonhador empedernido
a sofrida tarefa de ir polo mundo turrando
dessa carroça que sô porta fùtiles esperanças!

 
XI

                                                               "Moderato"
Perdoa Senhor a quel que do seu se embergonha,
perdoa-lhe pois que nâo è homem nem cidadâo,
è apenas um boneco feito as presas e a destempo
que polo mundo vai,mostrando as suas carèncias.

Perdoemos nôs tamèm,os que aquì estamos a sofrer
o passamento deste Nôm- nato,a esses desleigados,
pois que è de almas grandes em adversos tempos
mostrar piedade e praticar esso que dizem amor.

Nâo permitamos que a ira empane nossos olhos
ou que o humano nojo que nos poida invadir
trastorne o juiço e nos torça o recto proceder.

Mostremos sempre que è de homens ser conscientes,
de jente bem nascida respeitar erradas condutas e
de bons cidadâos comprender atè posturas degeneradas.
XII
                                                                        "Andante"
Que diferença hà entre o chamado home de palha
e o mìssero poeta que segue a voz da inspiraçâo?
Necedade seria nâo lhe ver anàloga natureza de
 criaturas paralelas que nunca se hâo de entender.

Se ti,Oh bela e ainda esplendorosa imaginaçâo!
te apresentaras ante o povo com signos de magnate,
com poder e bontade para repartir prebendas
moi outra seria a sorte do vardo que te venera.

Sim,a glòria e o aplauso lhe estaria servido
a quem por ti ante a sociedade fora elegido ainda
que na boca pequena  o tildaram da voz do seu amo.

Mas ti velha musa,sem poder e de fortuna privada,
jà nâo tens voz grata aos ouvidos dum povo que tem
como mùsica celestial os arrotos dum bandulho repleto.

 
XIII

                                                               "Alegro maestoso"
Ninguem que para o alèm partiu a vida tornarà
e tì,sonho bendito,que de sùpeto me deixaste
nem amanhà nem nunca jamais a nim hàs de voltar,
polo qual trasformado me tens em corpo inerme.

Rico eu era quando contigo na mente contava
e sempre estava a idear tempos de feliz ventura
de jeito que para mim o nadar na felicidade era
como para o peixe nas àguas mover-se e pular.

Hoje que de luto se viste minha alma,sinto
um vacio em mim que jamais serà enchido por
muito què os que aqui estâo a honrarte me consolem.

Nao è possivel por remèdio ao que nâo tem cura
e como ti jamais os meus dias hàs de vir alegrar
nâo posso deijar de ser o que sou: um infeliz.
XIV
                                                       "Forte"
Sofredor nunca serà quem no peito nada tem.
As tristuras da vida jamais o atingirâo.
Oh ditoso,poi que nâo sente nem sabe o que è dor!
Como um rescem-nascido vai pola vida sem mais.

Se os que aquì presentes neste acto estamos
pudèramos extirpar as cordas do coraçâo
de certo que nem um sô apenado se sentisse
de que um sonho Nôm-nato tal fim achara.

Sàbia è a naturaleza e insondàvel o destino,
nâo fora assim e a vida um inferno seria ao ter
que sofrer mais do que è humanamente possivel.

Porende,nâo tenhem os humanos penas de abondo
para què ainda umha plusvalia se lhe anhada
facendo latejar no peito umha viscera teimosa?

 
XV

                                                         "Pianisimo"
Alà polos Cèus de Taramancos vì um luzeiro fugir.
Alma que para sempre o cautivo cham deixava
por outro mais alto cùmeo que todo mortal anseja
e que tâo sô alcança quando da carcaça se libera.

Nâo è quimera a procura dum Cêu aqui na terra,
nem loucura a bùsqueda do perdido paraiso,
sim è umha fùtil esperança crer no impossivel
por moito que as iluçâos teimem em voar sem alas.

Nâo foi dado ao homem caminhar sobre as àguas!
Nem aos sonhos materializar-se em feitos reais!
Sô no indefinido tem lugar e tempo sobrado o poeta

para atravès dos etèreos lais que do peito manam
galgar metas jamais polo homem atingidas
a nâo ser em estados de sublime quietude.
XVI
                                                          "Presto"
Porquè tèm que buscar modelos o homem sensato
alèm do seu contorno,fora das suas disquisiçâos?
Se recta è a fòrmula de analiçar a vida.
para què perder o tempo em obsurdas fantasias?

A estupidez colhida da mâo da cretinice imperante
se està abalada pola força do poder de turno
tem azos de abondo para galgar o cùmeo inatingivel
à mais explendorosa e inspirada obra de arte.

Eis aquì donde as almas mais generosas acham laje
fria que a larga as hà indiferente acobertar.
pois a cova è o fim certo de todo o perecedeiro.

E se o triunfo è o fruto de um proceder tâo impio
e nâo do bem fazer,para que loitar ou esforzar-se
se como a vista està os sonhos nâo tenhem futuro!

 
XVII

                                                     "Largueto"
Esquece-te Oh memòria,do amargo transe
polo que estàs passando neste infausto hoje!
Um sonho sublime foi-se de entre nôs,
alva de glòria seja o seu porto feliz!

Esperança jamais morre em viril peito
que lateja ao unìsono do clamor da pàtria.
E como è doce a lembrança deste bendito
que no meu peito expirou suspirando de amor!

Nâo tem maior dita que a que perdura no tempo
alèm das àgrias vivèncias de mundo tâo pèrfido
que atè aos inocentes arrasta para o abismo!

Seja como destino dispoe e manda capricho,
mas se algo hà superior nesta hora que nos aflige
è a tristeça que emerge da pèrdida que nos abate.
XVIII
                                                   "Piano"
Oh mater dolorosa,pàtria amada!
A que tanto espoliam filhos como estranhos,
atè quando hàs de sofrer muda e submisa
o jugo que o dèspota mesetàrio te impòe?

Nâo haverà para ti um sopro de rebeldia
que te impulse a esnocar o braço que te aferra?
Acaso,mansamente vas a suportar para sempre
a ignonimia dum viver serva e humilhada?

Jamais,berremos os poucos que ainda sonhamos!
Brademos a coro de tal jeito que com o alvoroto
o dormido povo do seu sono ao fim desperte!

Ainda que os mais,groseiramente,de nôs se riam
dizendo que esta è teima de quem consome a vida
forjando quimeras que nâo vâo mais alà da sua fantasia!

 
XIX
                                                           "Prestisimo"
Adonde vas homem de cautiva pàtria!
Que esperas achar alèm do teu cham natal!
O mundo è isso que chamam pèrfido degolador,
se entre os teus nâo achas paz desiste de buscar.

Ai do que procura estrelas no fundo do mar!
Triste do que no cèu espera peixes ver!
A vida do insubmiso que em pàtria serva nasceu
nâo tem melhor fim que o que teve este sonho.

Pobre do que nâo ve mais alà do seu desejo!
Condenado està de por vida a errar sonàmbulo
por umha estrada semeada de trampas e injùrias.

Destino è este de todo forjador de sonhos
pois,de cada iluçâo que sua fantasia lança a vida
sô recolhe frutos tâo esteris que parecem cinzas!
XX
                                                      "Andante maestoso"
Em tempos idos esperanças tìnhamos
de um dia achar felices a sonhada liberdade,
iluçâo era o ideal que a loitar nos impelia
em aras dumha pàtria que sô no peito pulsava.

Teimas,deziam os bocaças,de mentes calurentas,
nâo outra cousa que servidumes da fantasia.
Os feitos crueis aì estâo a mostrar com frieza
como a mente sonhadora è torpe para a acçâo.

Morto aqui jace agora,aquel belo sonho
que a luz da vida nâo chegou a conhecer
por mais que o parto feliz foi desejado.

Nada tenhem jà que fazer na terra as iluçâos!
Desterrada foi por sempre do mundo a esperança!
Agora,sô nos resta rezar e começar de novo!
                                                              "AMEM"

 

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