Poesia galatica de chankecham
Cantiga1
Por aqui eu jà passei
muito antes de ter nascido.
Lembro-me como se for hoje mesmo
que alì donde a minha fantasia fez seu ninho
tinha um passarinho piador
que sempre me contava
as novas dum meu incerto futuro.
Por aquel entâo nâo o entendia
mas hoje que jà nascì
e estou crescedinho
entendoo como a um livro aberto
de tal jeito que aos poucos
vou debulhando um tras outro
todos os meus sonhos
atè recuperar para a esperaça
aquele paraiso perdido.
Cantiga2
Recordo bem como um dia
andando a observar aquele
maravilhoso lugar reparei
que nâo havia misèria nem fame
e que nâo tinha mèdicos nem
policia pois nâo havia ladrâos
nem assassinos nem doenças
e que nâo tinha carceres nem
hospitais e que a tristura mais a dor
desapareceram para sempre.
Era umha felicidade!!
A grande pena a ùneca que sentì
foi quando verifiquei que naquele
paraiso sò morava eu mas um
passarinho que me cantava
as cantigas que cantarei.
Cantiga3
Prodigioso lugar aquele
que dentro da memòria tina
tâo belo e tâo exuberante que
as àrbores pareciam alcançar o ceo.
Tanto assim que achando-me
ante um tâo grande e tâo esbelto
que se perdia entre as nuves
apeteceu-me como em tempos idos
trepar por ele atè o cùmio e
assim o fiz.Em là chegando
e vendo-me tâo alto pareceu-me
que com a mâo podia jà
pendurar-me dum corno da lua
e nâo resisti a tentaçâo.
Jà cavalgando
na sua garupa polo espaço afora
pude olhar com tristura
toda a imensidâo da minha
soedade!!
Cantiga4
Um dia de aqueles
em que eu ia indo
por aquele paraiso
sucedeu algo que jà
fazia muito tempo
que nâo via.
Quando menino algumhas
noites do verâo
tenho passado horas
contemplando o que
entre nòs se dizia
"chuva de estrelas"
E naquela noite como entâo
começarom a fugir do cèo
as estrelas em desbandada.
Precioso espetàculo!!
Fascinado eu estava atè
que umha daquelas
lumiàrias caiu aos meus pès
como querendo alumear
o meu incerto futuro.
E assim foi.
Pois que de sùpeto.
Oh poder da ilusâo!!
Sumio a minha soedade!!
Cantiga5
O porquè a mente humana
apela a imaginaçâo nâo posso
por mais que quero dar razâo.
Sò atino que a minha impotència
ante o mistèrio da vida
empurrou-me
a essa terceira dimensâo
povoada de fantasmas
que como as gentes do comum
andam pola vida adiante
umhas veces sozinhas
outras em manada.
Um certo dia jà morador deste vergel
atopei-me com umha multidâo
destas criaturas calmas e silenciosas
que caminhavam a passo lento
sem abrir a boca em solene cortejo.
Admirado de tal visâo a eles me unì
e assim foi como sem o pretender
passei a engrossar a imensa
procissâo dos caladinhos!!
Cantiga6
Como se de outra galaxia viera-mos
ainda que por diferentes caminhos
aquì neste paraiso nos atopamos
e nele construimos o mais preciado
ninho que conhecerom os tempos.
Ditosos dias!! Felices anos!!
Porende um nefasto e triste destino
afugentou das nosas vidas
aquela boa estrela que nos alumeava.
E aos poucos a luz que brilhava por
sua beleza no firmamento
foi-se apagando
atè o ponto que sò caminhar podia
colhedinha da minha mâo
pola vida adiante atè atopar
esse sempre ansiado
descanso eterno!!
Cantiga7
Sonhei dumha feita
que as nuves do cèo
eram minhas companheiras
de viagem.
Pois sempre que alçava os olhos
ao alto alì estavam esperando
por mim para galopar juntinhos
polo celeste espaço afora e assim
era de facto mentras a iluçâo
em mim aninhava.
Mas um triste dia desses que
jamais um espera a realidade
impus a sua tirania mostrando-lhe
a este iluso que aquelas vaporosas
fantasias do èter sempre caminhavam
flotando no ar ao capricho do vento.
Mentras tanto este triste que sò
sabe nadar contra corrente pudo
sentir em propia carne que com o
tempo atè os sonhos mais
elevados ficam nus das
suas pomposas veste
Cantiga8
A sombra garimosa dumha erva
pretendi um dia achar consolo
para esta minha terca afliçâo.
Triste destino este para quem
no mais alto fez seu ninho e
nele os seus sonhos incubou
pois a cada làgrima que pola
face ia rolando a humilde
ervinha mais mustiava tremendo
com incontrolada emoçâo.
Final infausto para quem
seus sonhos amamanta sem
fortuna tal qual cego possuido
por insana e ardente paixâo.
Pois que agora so lhe resta
exclamar dolente:pobres
ilusâos minhas que tam
baixo caerom apòs tanto
navegar polas alturas.
9
Um dia sonhei que
neste precioso lugar
as fontes cantavam com
a voz dos anjos e a elas
acudi para que a sua melodìa
limpara a minha alma das
impurezas dum torpe viver.
Inutil empenho este meu jà
que tras escutar atè fartar
a sua doce cantarela concluì
que o meu caminho era outro
que nâo passava pola frescura
de àguas tam lìmpidas e sim
pola balbùrdia dum mundo que
cada dia sentia mais longinquo
pese a nâo poder desprender-me
da sua lembrança.Algo assim
como navegar inconsciente
por um enfurecido mar
dos tristes recordos.
Cantiga10
Andava eu por aquele
encantador lugar a velasvir
a toa como quem nâo quer a
cousa e mais a deseja atè que
de sùpeto atopei-me com umha
sombra descomunal.
Quis fugir dela mas inutil foi o meu
empenho jà que era ela nem mais
nem menos que a minha sombra.
Logo comprendì que nâo foi a toa
que eu andava a velasvir nâo jà que
logo vierom em tropel todas as
minhas ilusâons perdidas e
arrodeando-me como lobas famintas
forom aos poucos estreitando o cerco
atè que com fùria me abordarom
convertendo-me a dentalhadas num
inutil pandeiro que redobra sem tom
nem som num mundo povoado
de fantasmas.