Autora: Lilian Alicke // Enviado por: Digna María Ramiro. BRAZIL
   


Testamento de um idoso com Alzheimer

Junto com meu testamento, no qual lego a meus filhos e amigos a minha vontade de viver e meu amor a Deus e a toda a criação, faço um pedido: se, por ventura, no meu cérebro a senilidade penetrar sorrateiramente,  a demência se infiltrar inesperadamente e o esquecimento, a falta de lucidez e a confusão se instalarem,
por favor, lembrem que eventualmente, ainda tenho uma vaga idéia de minha identidade; gosto de ser chamada pelo meu nome, aquele que meus pais me deram; posso ainda saber onde estou e com quem estou; posso estar gostando ou não de onde estou e com quem estou faço ainda questão de usar  aquele tipo de sapato que toda a minha vida usei; gosto ainda de usar a roupa ao estilo que sempre preferi;  a roupa dos outros colocada em mim me entristece.

A falta de atenção em me ajudar na higiene pessoal me traz ansiedade. A comida de um estilo que não conheço não me apetece; as fraldas de vez em quando me incomodam e me deixam envergonhada.

Gostaria, às vezes, de caminhar  para espairecer e ver a natureza. Receber uma palavrinha me faz lembrar que sou gente; receber visitas me faz lembrar que sou importante;  receber um abraço e um beijo me diz que alguém ainda tem afeto por mim.

A falta de sono não é proposital, nem intencional; a falta de interesse está além do meu controle; minha falta de jeito é inexplicável para mim mesma; o esquecimento me deixa traumatizada.

Tenho dores que às vezes não posso contar. Nem sempre o que me fazem fazer é o que eu gostaria de estar fazendo. Meu olhar vago não reflete o que sinto.

E se não dou um abraço é porque os meus braços não me obedecem mais se não dou um beijo é porque meus lábios não sabem mais o que fazer. Se não te digo que valorizo sua dedicação e seu amor é porque a ponte se partiu e perdi o caminho que me levaria a compartilhar meus sentimentos com você....

O Mal de Alzheimer, ou Doença de Alzheimer ou simplesmente Alzheimer é a forma mais comum de demência. Esta doença degenerativa, até o momento incurável e terminal foi descrita pela primeira vez em 1906 pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer, de quem herdou o nome.

Esta doença afeta geralmente pessoas acima dos 65 anos, embora o seu diagnóstico seja possível também em pessoas mais novas do que esta idade. Cada paciente de alzheimer sofre a doença de forma única mas existem pontos em comum, por exemplo o sintoma primário mais comum é a perda de memória.

Muitas vezes os primeiros sintomas são confundidos com problemas de idade ou de stress.

Quando é suspeitado Alzheimer o paciente é submetido a uma série de testes cognitivos. Com o avançar da doença vão aparecendo novos sintomas como confusão, irritabilidade e agressividade, alterações de humor, falhas na linguagem, perda de memória a longo prazo e o paciente começa a desligar-se da realidade.

As suas funções motoras começam a perder-se e o paciente acaba por morrer. Antes de se tornar totalmente aparente o alzheimer vai-se desenvolvendo por um período indeterminado de tempo e pode manter-se invisível durante anos.